O recado chegou do jeito que recado r**m sempre chega: rápido, atravessado, com cara de "não dá pra deixar pra depois". Eu tava na boca, sentado na cadeira de sempre, ouvindo duas coisas ao mesmo tempo, a rua e os meus. Um olho no movimento, outro no que me traziam pra resolver. A rotina nunca para, só muda a intensidade. Um dos meninos veio com o celular na mão, aquela postura meio tensa de quem já sabe que vai me dar notícia que não vai me agradar. — Chefe... o cara tá pedindo reunião. Agora. Eu nem precisei perguntar quem era. Só levantei o olhar devagar, sem pressa, porque eu aprendi que pressa entrega sentimento. E sentimento, nesse mundo, vira fraqueza. — Motivo? — eu perguntei, com a voz baixa. — Falou que é urgente. Que é coisa grande. Que não pode falar por telefone. Eu enco

