Edgar não deixou eu ficar muito tempo parada, porque ele sabia que, se eu pensasse demais, eu ia tentar negar, devolver, fugir pela boca. Ele foi direto pro porta-malas, abriu e começou a tirar as sacolas com a mesma calma de sempre, como se aquilo fosse rotina de casal: descarregar compras, organizar casa, seguir. — Rubi, abre aqui — ele pediu, e eu me mexi, indo segurar o portão pra ele passar. Ele entrou com duas sacolas de uma vez, deixou na sala e voltou pro carro. Eu fui atrás, meio zonza, segurando outra sacola menor, e Alice corria pela casa dizendo onde ia pôr o ursinho, onde ia dormir, onde ia brincar. — Aqui vai ser meu quarto! — ela gritou, já escolhendo. — Não decide sozinha — eu disse, mas minha voz saiu rindo. Edgar voltou com o saco de roupa de cama, toalhas, panelas,

