Eu acordei devagar, sem susto, sem aquele pulo no peito que sempre vinha antes mesmo dos meus olhos abrirem. Por um instante eu só fiquei deitada, sentindo o lençol macio, o vento leve passando pela janela e um silêncio que não parecia ameaça. O corpo estava quente, descansado. E a lembrança da noite: da viagem, do pôr do sol, do pedido de namoro, de dormir colada nele como se fosse natural, veio como uma onda mansa. Sentei na cama e ouvi um barulho vindo de longe. Não era grito. Não era discussão. Era panela, talher, um riso pequeno. Alice. Levantei com cuidado, ajeitei a roupa e fui andando pelo corredor no passo leve de quem ainda está com medo de acordar o sonho. Quando me aproximei da cozinha, parei na porta. A cena me segurou ali. Edgar estava de camiseta, cabelo bagunçado, e ti

