Tereza colocou a bolacha na mão da Alice como se fosse um ritual de boas-vindas, e minha filha aceitou com um sorriso tímido, sentando no chão perto do ventilador como se já conhecesse a casa. Eu fiquei com a xícara de café quente entre as mãos, sentindo o cheiro me acalmar, enquanto Nanda encostava na pia e me olhava como quem esperava eu finalmente relaxar. — Então... — Tereza puxou uma cadeira e sentou de frente pra mim. — Você tá morando ali na casa vermelha, né? Aquela da rua de baixo. Assenti, cautelosa. — Tô. Por enquanto. Ela não fez perguntas demais. Não perguntou de pai, de marido, de passado. Só observou meu rosto como quem lê o que a boca não conta e decidiu respeitar o tempo. — Ali é um canto bom. Silencioso. Dá pra respirar — ela disse, e depois olhou pra Alice. — E cria

