Eu fechei a porta devagar assim que Edgar saiu, como se qualquer barulho pudesse quebrar a paz que tinha entrado junto com ele. Alice ficou alguns segundos parada no meio da sala, olhando para o lugar por onde ele passou, com aquele jeito de criança que já decide as coisas no coração antes do mundo permitir. — Ele vai voltar, né, mamãe? — perguntou, apertando o ursinho no peito. Eu engoli seco. A verdade é que eu não sabia. E, ao mesmo tempo, uma parte de mim queria que sim e outra parte morria de medo dessa vontade. — Não sei, meu amor. Ele é ocupado — respondi, tentando deixar a voz neutra. Alice aceitou como quem não aceita. Só deu de ombros e voltou a desenhar no chão, tranquila, como se tivesse feito uma coisa simples: aproximado duas pessoas que não sabiam como chegar perto. Eu

