Acordei antes do despertador, com a casa ainda meio escura e o som do mar lá longe, como se Búzios estivesse tentando me convencer a ficar mais um pouco. Edgar já estava de pé. Eu ouvi passos, armário abrindo, zíper de bolsa, aquela rotina silenciosa de homem que resolve tudo antes de todo mundo acordar. Quando saí do quarto, ele estava na cozinha, colocando água e fruta numa sacola, conferindo carregador, documento, chave. O rosto ainda sério, mas menos fechado do que na noite anterior. — Bom dia — eu falei, a voz baixa. — Bom dia — ele respondeu, e veio até mim com um beijo curto, firme, como se fosse a coisa mais normal do mundo. A mão dele parou na minha cintura por um segundo, e isso me ancorou. Alice apareceu esfregando os olhos, pijama amassado, ursinho no braço. — A gente vai

