Eu não tinha intenção de parar ali. Meu caminho era outro, minha rotina era outra, e eu já sabia o que acontecia quando eu deixava algo fora do roteiro: virava problema. Só que a voz da menina me pegou no meio da viela, alta e clara, chamando como se eu fosse alguém comum. "Moço do carro." Eu parei por reflexo, mais pelo tom dela do que pelo chamado em si. Criança não chama por interesse. Criança chama porque confia. E confiança, pra mim, sempre foi uma coisa perigosa. Quando vi Alice em pé no degrau, mais corada, mais viva, com aquele ursinho apertado no peito, senti um alívio rápido e irritante. Irritante porque eu não devia sentir nada. Eu não era parte disso. Eu só fiz o que precisava ser feito naquela madrugada, ponto. Mas o corpo não liga para discurso. O corpo reconhece quando

