A gente saiu do morro devagar, sem pressa, como se Edgar quisesse que minha cabeça entendesse que não era fuga. Era viagem. Alice ia olhando tudo pela janela, apontando carros, postes, cachorro na calçada, como se cada coisa fosse novidade. Eu fiquei quieta no começo, só ouvindo o som do motor e sentindo o corpo relaxar aos poucos. Edgar dirigia com aquela firmeza controlada dele, uma mão no volante, a outra às vezes descansando no câmbio, e eu percebi que ele estava atento ao caminho e, ao mesmo tempo, atento a nós. De vez em quando ele olhava pelo retrovisor pra conferir a cadeirinha. Não era paranoia. Era cuidado. — Tá confortável aí, pequena? — ele perguntou. — Tô — Alice respondeu, feliz. — Eu posso tirar o braço? — Não — ele disse, seco. — Braço dentro. Eu ri baixinho, e ele me

