Os dias estavam passando e eu estava já com uma conta bancária bem evoluída para quem não tinha nada. Porém, eu estava enojada. Todos os dias eu estava me sentindo um lixo por fazer algo como eu estou fazendo. Só não me sentia pior, porque estou de volta a faculdade, minha mãe está de volta em casa, e meu irmão também está bem na sua escola.
Minha vida se resumia a noites de sexo ou até mesmo uma conversa com algum cliente, e de manhã eu era a filha que se dedicava a família e que queria um futuro melhor tanto para ela, quanto para o irmão.
Minha mãe estava melhor. Ela até saia mais do quarto, ficando mais na sala com a gente depois do almoço. Via nela um cara mais serena.
Ela quando percebeu o hospital que estava, me questionou como pagaríamos isso. Mentir mais uma vez. Disse com meu acerto da lanchonete, mais os valores pago pela Sra, deu para eu pagar o hospital e ainda alugar um apto mais perto do centro. Ela ficou desconfiada, dizendo que queria conhecer essa senhora. E eu mais uma vez me enrolei, porque pedir ajuda a Viviene para conseguir uma senhora para mim. Me doeu demais fazer isso, mas eu não podia deixar minha mãe saber a verdade. O que faço não é só uma conversa entre dois adultos, mas envolve sexo, envolve usar meu corpo para ganhar dinheiro. Me sentiria pior do que me sinto, se minha mãe soubesse.
Viviene me ajudou arrumar uma senhora. A Sra era a mulher que cuidava das roupas dela. Então, sabia o que Viviene fazia e consequentemente, soube também o que faço da vida. Ela aceitou mentir para minha mãe, e Dona Virgini ficou mais aliviada por saber que a filha acompanha uma Sra de idade todas as noites. Por hora eu não tinha que me preocupar com minha mãe.
Hoje era sábado. Eu sabia que podia ser chamada. E fui. Mas para minha mãe eu sairia com Viviene para uma balada. Ela ficou feliz por mim. Acha mesmo que eu estou indo para me divertir. Como diz Dona Virgini, era disso que eu estava precisando.
Me arrumei e sai dando boa noite para Will e mamãe que estavam na sala. Eu disse a eles que qualquer coisa é para eles me ligarem. Eu comprei um celular para deixar em casa. Não tem acontecido nada, mas sempre é bom prevenir.
Fui para o restaurante que a Sra me disse. Mas meu telefone tocou e eu vir que era ela novamente. Atende no segundo toque.
- Caroline, você vai para outro lugar. O que?
- O que? Porque? Indaguei com receio. Já estava tudo certo para esse cliente.
- Sim, eu sei que estava, porém , um cliente exigiu você. Ele pagou mais caro para poder te ter essa noite. Suspiro. Não se preocupe tanto. O valor na sua conta amanhã será o triplo de ontem a noite. Me assusto mais com isso. Ontem eu ganhei dezessete mil, isso porque aceitei sair com um homem que tenho certeza que era casado e queria somente um bibelô para exibir em uma festa, e logo depois, transamos. E agora eu vou receber três vezes esse valor, era surreal.
- Tudo bem. Falo somente isso.
- O motorista já sabe a nova rota. Só liguei pra te dizer que foi mudado o cliente.
- Ok.
- Boa noite, Caroline.
- Boa noite Sra. Desligo e eu queria entender o porquê dela ter aceitado essa mudança.
Eu cheguei ao local. Não era um restaurante. Era uma casa. Assim que o carro apareceu no portão, ele foi aberto. E continuamos em uma luxuosa casa. O carro parou na porta e o motorista desceu e abriu a porta para mim. Desci e fui subindo para a porta. Antes mesmo de colocar o dedo na campainha a porta é aberta por uma senhora. Ela pede que entre, assim eu o faço. Vou para uma sala enorme que tem móveis espalhados por todo ambiente.
- Como vai, Caroline? Uma voz potente irradia em toda sala.
- Você? Indaguei surpresa.
- Sim. Eu tive que pagar um alto preço para você ser minha hoje, apesar de querer que você seja minha por toda vida. Eu não me importaria de pagar para te ter somente para mim. Ele fala e eu respiro fundo.
- O Sr pagar para eu está com o Sr algumas horas por dia, não vejo nada demais. Mas querer me comprar, eu não estou a venda.
- Todo mundo tem um preço, Caroline. E eu ainda vou descobrir o seu, mas por hora eu quero você.
- Estou a sua disposição. Digo.
- Sente-se. Tomá alguma coisa? Já sei, água. Ele responde sem eu dizer nada.
- Não quero nada agora. Obrigado!
- Tudo bem. Vamos conversar então. Eu estou viajando a negócios, queria muito que você fosse comigo. A sua Proxeneta, me disse que isso teria que ser combinado com você. Desde que você estivesse de acordo e eu pagasse bem, tudo estaria resolvido.
- Eu não posso sair daqui.
- Porque?
- Porque eu tenho uma vida aqui. Eu estudo, tenho coisas para resolver aqui.
- Seus estudos não serão afetados, pois se trata de três dias, quanto suas outras coisas, se você me disser do que se trata, eu posso dar um jeito.
- Eu não preciso disso e nem quero ir. Acredito que onde você vai, tem acompanhantes.
- Tem sim, mas não é você, e eu quero você.
- Me desculpe, mas não vai dar.
- Ok, eu aceito isso, mas você não sairá com ninguém mais até eu voltar.
- O Sr não pode fazer isso. Isso aqui é meu trabalho. Falo me exaltando um pouco.
- Não se preocupe com isso. Eu vou pagar para você está me esperando nesses três dias. Suspiro. Eu já acertei tudo com sua Proxeneta, já sabia que você não iria aceitar minha oferta. Eu já depositei os três dias. Então você não atenderá ninguém até terça feira. E na quarta estarei novamente com você. Somente assinto. Vamos para minha sala de cinema. Já está preparada para nós. Ele se levantou e estendeu a sua mão para mim. Peguei a mesma e nós dois fomos para a sala de cinema dele que conhecia muito bem.
Ele era um cara cheio de manias, e uma delas era ver filmes pornográficos. Não era a primeira vez que estava aqui nessa sala. Sempre víamos filmes pornos e depois ele fazia uma espécie de déjà-vu comigo.
Eu passei a noite com ele. Sendo que no domingo de manhã fui embora cedo. Sei que devido aos remédios, minha mãe não acorda cedo e Will também não. Portanto, cheguei e fui para meu quarto. Tomei um banho e depois fui dormir. Eu estava cansada.
- Você ainda será minha. Escuto as palavras dele ainda na minha mente. Suspiro. Espero que ele não seja problema na minha vida. Não preciso de nenhum lunático sonhando comigo e tentando fazer da minha vida um inferno. Acabo dormindo com esse pensamento.
Estava no pier com Viviene. Ela se tornou uma amiga e tanto. Sempre saímos e conversamos. Não tenho contato com as outras e nem quero. Quero levar comigo depois de sair daqui somente a amizade de Viviene.
E por falar em amizade, conseguir o contato de April. Contei para ela sobre a vida que eu estava levando. Ela não aprovou muito, mas me disse que se eu precisasse de alguma coisa era para contar com ela. Essa vida não era o que eu queria, porém não vou ser hipócrita e reclamar, porque tenho ganhado bem. Tenho dinheiro para pagar minhas contas, os remédios da minha mãe, e a escola de Will, então, se antes eu me arrependia, hoje vejo que foi a minha saída.
- O que tanto você pensa, Carol? Sorrio, porque ela amou meu apelido.
- Em tirar minha carta de motorista e também comprar um carro.
- Isso aí garota. Começa a usar seu dinheiro ao seu favor. Sua mãe está bem, seu irmão também. Vai cuidar de você. Planeje as coisas para você. Você merece.
- É, eu vou fazer isso. Vou amanhã mesmo olhar isso.
- Vou te dar uma ideia também. Assim que tiver um bom dinheiro, compre um apto para vocês. Não viva o resto da vida de aluguel. Vocês merecem um lar seus.
- Já pensei nisso também. Ainda não posso, mas eu juntarei o dinheiro para comprar o apto onde moro. Já até sondei até o valor.
- Mais do que certa garota. Temos que ter o pé no chão, porque não vamos ter o rosto e nem o corpo bonito para o resta da vida.
- Você não pensa mesmo em deixar isso daqui, Viviene? Pedir bebendo um pouco do meu café.
- Eu já nem sei o que quero Carol. As vezes tenho vontade de largar tudo, as vezes quero continuar para aumentar mais ainda minha conta. Eu não sei mesmo o que faço.
- Você é linda Viviene, tem tudo para ter uma carreira. Porque não monta uma galeria de artes para você? Uma galeria de quadros famosos? Não sei, algo que mais tarde fará uma diferença na sua vida. Ela fica olhando para o nada. Eu quero te ver feliz também, Viviene. Eu não quero isso para mim e nem para você por tanto tempo. Eu tenho prazo aqui, Viviene. Você sabe disso, e não quero sair daqui e te deixar. Aprendi a te ver como uma irmã. E desejo o melhor para você. Ela sorrir para mim.
- Eu também te vejo como irmã que não tinha. E eu prometo a você que vou pensar em tudo que você disse.
- Agora é minha vez de dizer. É isso mesmo. Pense em você. Pense no seu futuro. Você merece ser feliz.
- Pode deixar irmãzinha. Eu farei isso. A Abraço.
- Agora vamos que Dona Virgini está esperando a gente para o jantar e você tem compromisso mais tarde.
- Sim. Mas o cliente de hoje é um amorzinho. Ele só quer falar da esposa que não o entende, que ele só quer ter um momento dele de vez em quando. Sorrio. Carol, Esse emprego pode não ser o que todas nós sonhamos na vida, mas receber uma grana alta somente para ouvir uns velhos babões reclamar da vida, é ótimo. Gargalho dela.
- Nisso você tem razão. Digo me levantando. Fomos para minha casa jantar com minha mãe e Will. Eles tem um carinho enorme por Viviene também. Então sempre estamos no meu apto jantando ou almoçando dia de domingo. E sei que minha amiga adora esses momentos.
Hoje era quarta feira. Sabia que hoje eu teria que ir ver algum cliente. A Sra havia me ligado mais cedo me dizendo que ela tinha que conversar comigo, não hoje, mas amanhã. E hoje eu teria um cliente. Fui para meu encontro e até achei que era o pervertido dos filmes pornos, porém, não era. Fui para um dos restaurantes que já tinha ido, e como eu sabia que ele não era de restaurantes, então presumir que se tratava de outro cliente.
Assim que entrei no restaurante o mesmo estava fechado. Estranhei. A host me levou até uma mesa bem afastada e lá estava ele. O mesmo deu um enorme sorriso para mim. Achei que ele estava brincando comigo, mas estava falando sério da sua proposta.