O dia amanheceu, e eu me levantei cedo. Fui ao quarto da minha mãe e vi que a mesma estava acordada, porém ainda deitada. Pego os remédios que ela precisa tomar e água também na comoda que tem dentro do quarto.
- Bom dia, mamãe! Como a Sra se sente hoje? Indaguei sorrindo e me aproximando dela.
- Estou me sentindo cansada. Fora isso estou bem. Ela diz e eu a ajudo a se sentar.
- Toma seus remédios. E pode ficar o dia todo na cama . Eu vou cuidar da senhora até a hora de ir para a lanchonete. Ela toma seus remédios olhando para mim.
- Você não foi a faculdade, porque? Ela indaga me entregando o copo.
- Porque tenho que ir mais cedo para lanchonete. Ela me olha.
- Você está se sacrificando demais, minha vida. Eu sei que deveria está te ajudando...
- Calma mãe. Meu dever é cuidar da senhora e do meu irmão. Tudo vai ficar bem. Neste momento, eu preciso que a Sra fique bem, curada. Tudo que eu quero nessa vida. E não importa o que tenho que fazer. Eu farei para poder ver a Sra bem.
- Você é a melhor filha do mundo. Seu pai e eu sempre dissermos isso.
- E vocês sempre foram os melhores pais do mundo. Agora descansa que vou preparar algo para a Sra. Digo, mas não sei o que, já que não temos nada para comer. Eu preciso ir a lanchonete para ver se o Sr Malhos me adianta a metade do meu salário.
- O que tanto você pensa? Ela pede me olhando.
- Em nada mamãe. Eu vou comprar um pão e já volto. Falo não querendo passar para ela o que está acontecendo. Sei que devo demorar, porque a lanchonete fica no centro de Paris, mas não posso deixar ela sem comer. Os remédios não adiantam nada se ela não come. Dou um beijo na testa dela e saio do quarto da mesma. Vejo meu irmão saindo do quarto dele e estranho. Era para ele está na aula. Porque você não foi na aula? Indago fechando a porta do quarto da nossa mãe.
- Carol, você leu o bilhete? Ele indaga coçando seus olhos.
- Sim. Respondo, mas ainda fiquei sem entender o porque ele não foi a aula. Então? Pedi novamente.
- A diretora disse que se mamãe não fosse hoje comigo, eu não entraria. E como sei que a nossa mãe não está bem, eu achei melhor não falar nada para ela. O abraço.
- Fez bem. Não vamos deixar a mamãe saber de nada. Eu vou dar um jeito de ir hoje na escola, antes de ir para a lanchonete. Vou tentar resolver.
- Posso ver a mamãe? Ele pede e eu aceno positivamente.
- Pode, mas não diga o motivo de você não ter ido a aula. Sei que mentir é errado, mas nesse momento mamãe não está bem para saber tudo.
- Eu sei. Vou dar uma desculpa qualquer. Assinto sorrindo.
- Eu vou buscar algo para gente comer. Falo e ele fica me olhando.
- Carol, que tal você fazer uns doces para eu vender na rua? Pode dar uns trocados, pelo menos para comprar alguma coisa para comer para a mamãe. Meus olhos enchem de lágrimas. O abraço de novo sentindo orgulho do irmão que tenho.
- Não quero você na rua meu lindão.
- Mas eu quero ajudar. Ele diz como súplica.
- Eu sei, mas não quero você na rua. Aí fora é muito perigoso.
- Para você também é perigoso. Ele diz e eu dou meio sorriso.
- Sim, mas eu me cuido bem. Não precisa se preocupar. Vou dar um jeito. Ele fica me olhando. Vai ficar com a mamãe que vou dar um jeito de arrumar algo para vocês comerem.
- Você também.
- Eu como na lanchonete. Não se preocupe. Dou um beijo em seu rosto e vou para meu quarto. Tomo um banho rápido e saio para ir a lanchonete. Tomara que o Sr Malhos esteja de bom humor, porque eu preciso mesmo de dinheiro. Pego o cartão da condução e vou para o centro de Paris.
Demora cerca de meia hora até eu chegar na lanchonete. Vejo que hoje só Tânia está aqui. Estranho. Porque normalmente tem duas na parte da manhã, e três na parte da tarde.
- Bom dia, Tania! Tudo bem? Indago e ela suspira forte.
- O Sr Malhos acabou de mandar Emma embora. Droga.
- Cadê ele? Peço. Eu sei que ele está apertado, porém, eu não vou pedir ele mais do que uma parte do meu salário. Isso ele já teria que me dar, então, nada mais justo.
- Ele está no seu escritório. Não está de bom humor. Respiro fundo e tomo coragem para ir até ele. Chego na porta do seu escritório e bato na porta. Escuto um entre meio irritado.
- O que você veio fazer aqui, Carol? Ainda não é hora de você pegar? Ele pede m*l me olhando.
- Desculpe Sr Malhos, mas eu preciso conversar com o Sr. Ele me olha sério.
- O que foi?
- Eu... Eu sei que o Sr está apertado, está passando por dificuldades, e eu também estou. Minha mãe não está bem de saúde, e não temos nada em casa. Queria ver com o Sr se me adiantava uma parte do meu salário. Ele começa a rir na minha cara. Eu não sabia que tinha virado motivo de piada, Sr Malhos. Falo séria.
- Você mesmo disse que eu estou apertado. Não tenho dinheiro, nem sei se terei no dia do pagamento de vocês. Olho para ele incrédula.
- O Sr não pode fazer isso comigo. Eu preciso desse dinheiro. Digo desesperada por ouvir o que ele disse.
- Eu não estou fazendo nada. Eu não posso pagar nada hoje, se continuar do jeito que estamos, não terei para pagar a vocês no final do mês. Fico olhando para ele, e meu coração aperta. Minha mãe, Will. O que vou fazer da minha vida? Eu preciso realmente de um segundo emprego, para não dizer o primeiro. Passo as mãos no meu rosto. Me levanto e não digo mais nada. Saio da sala desesperada por dentro. Eu preciso fazer alguma coisa.
Saio para fora da lanchonete. Eu sei que não deveria fazer isso, mas eu não vejo outro jeito. Entro na academia e vou direto na recepção. Peço a Dana, que já me conhece para eu fazer uma ligação. Ela olha para todos os lados e me permite. Só pede para ser rápido. Ligo para April. Sei que essa hora ela deve está na faculdade, mas eu preciso da ajuda dela, somente por agora. Ela atende no quinto toque.
- Alô.
- April, sou eu, Carol.
- Oi Carol. Faltou a aula hoje. Aconteceu alguma coisa com sua mãe? Ela pede preocupada.
- Não. Mas eu preciso da sua ajuda. Falo desesperada. Vejo a mulher de ontem me olhar. Me sinto incomodada e me viro de costas para ela.
- O que você precisar amiga. Ela fala e eu olho para todos os lados. Vejo que a mulher continua no balcão. Me viro de novo e falo baixo para ninguém ouvir.
- Eu preciso que você me empreste um dinheiro. Só por esse mês, eu prometo que vou te devolver assim que arrumar outro emprego. Falo em um sopro, antes que a coragem vá embora.
- Claro que te empresto, Carol. Nem precisa se preocupar em me pagar. Não tenha pressa. Vou depositar na sua conta, tudo bem para você? Suspiro mais aliviada.
- Sim. Muito obrigada! Eu não sei o que seria de mim sem você.
- Te digo o mesmo. E não tenha vergonha de me pedir algo Carol. O que eu puder te ajudar, eu te ajudo. Ela fala e eu agradeço mentalmente.
- Obrigada, Amiga. Te prometo que assim que eu arrumar outro emprego...
- Para Carol. Não precisa se preocupar. E se precisar de mais me avisa. Eu vou te ajudar. Suspiro com lágrimas escorrendo dos meus olhos. Eu farei a transferência de 1500 dólares para você agora.
- Não April, é muito. Não precisa disso tudo. Isso é mais do que eu ganho na lanchonete.
- Não te perguntei quanto você quer e nem quanto você precisa, muito menos quanto você ganha. Esse valor vai está em sua conta daqui uns minutos. Bjs minha amiga, tenho que voltar para a aula de marketing. Ela desliga não me deixando falar mais nada. Coloco o telefone no lugar e agradeço a Dana. Saio da academia e vou embora. Tenho que ir ao banco sacar esse dinheiro e comprar algumas coisas para casa.
Eu não paro de pensar que eu estou andando para trás. Não tenho o emprego que deveria ter dentro da minha profissão. Não tenho como sustentar minha mãe e meu irmão. m*l tenho tempo para mim e nada acontece de bom. Deixo lágrimas escorrer em meu rosto.
Eu vou aproveitar que Will está em casa e vou sair mais cedo para procurar outra coisa para mim. Eu preciso achar um emprego que me pague melhor, que eu possa trabalhar meio período para conciliar com a faculdade. Agora, se não der, eu vou largar a faculdade e me concentrar em dar uma vida melhor para minha mãe e Will.
Vou ao banco e pego somente quinhentos dólares do dinheiro que April havia depositado. Passei no supermercado e comprei tudo que tinha que comprar para passarmos esse mês. Compro frutas, verduras, uns biscoitos para Will, pois sei que ele gosta. Mesmo não podendo esbanjar, ele merece essa gracinha. Ele tem cuidado da nossa mãe, quando estou fora, e isso eu não posso agradecer mais, porque ele tem nove anos, e não deveria passar por tudo que está passando.
Em casa, vejo que Will não está na sala. Ele deve está com nossa mãe. Coloco todas as sacolas na cozinha e já preparo algo para comermos. Coloco pães, leite, café, e manteiga na mesa. Fiz um suco também. Eu havia comprado bastante alimentos para nosso mês, e deixei o restante do dinheiro no banco. Eu não sei qual urgência pode aparecer, então não vou esbanjar. Tenho que pensar nos remédios da minha mãe que pode acabar.
Vou até o quarto chamar eles para comer. Vejo que Will está deitado no colo da minha mãe que está sentada alisando seus cabelos. Eu sei o quanto ele sente falta dela, e eu também, porém para ele é mais difícil essa situação.
- Cheguei. Digo limpando uma lágrima solitária em meu rosto.
- Você demorou filha. Já tinha comentado com Will. Mas ele me disse que você devia ter encontrado alguma amiga e parado para conversar
- Foi isso mesmo mamãe, mas eu também aproveitei para comprar algumas coisas que estavam faltando aqui em casa. Agora vamos nós três la para sala, a mesa já está posta. Ela me olha sorrindo.
- Eu te ajudo, mamãe. Will diz se levantando da cama.
- Eu também vou ajudar. Will pega de um lado e eu do outro. Minha mãe tem o corpo fraco devido a doença e os remédios fortes, então ela não consegue firmar muito seu corpo em suas pernas.
- Eu posso está doente, mas Deus me abençoou muito com dois filhos maravilhosos. Minha mãe diz. Wil e eu sorrimos e piscamos um para outro.
- Nós também fomos abençoados mamãe, pois temos e tivemos pais maravilhosos. Will fala e eu concordo.
- Verdade. Will e eu só temos que agradecer por ter você como mãe e ter tido Juan como pai. Chegamos na sala e sentamos minha mãe na cadeira.
- Filha, não é o dia do seu pagamento. Como você está dando conta de comprar as coisas? Pagar a escola de Will e sua faculdade? Mamãe pede e eu não posso contar para ela nada.
- Eu tenho economizado muito mãe, e também tenho feito alguns trabalhos na faculdade para gerar um extra. Não se preocupe mãezinha. Tudo vai dar certo. Minto, não querendo fazê-lo, mas é preciso neste momento. Minha mãe já não está bem para saber de nada. Eu prefiro dividir minhas frustrações com Will e April, do que com minha mãe. Quero ela bem de novo. Quero ela feliz. Que volte a ser a mulher que ela era antes.