CAPÍTULO 4

2154 Words
Eu ainda estava olhando aquele cartão. Será o que ela fazia? Com que ela trabalhava? - Terra chamando Carol. Terra chamando Carol. April pede parando na minha frente. Eu nem havia percebido que ela estava me chamando. Está tudo bem? Ela ainda continua na minha frente. - Aquela mulher que te falei, ela veio conversar comigo. Digo parada olhando ainda para o cartão. - O que ela queria? Suspiro. - Disse que estava me observando e que tem um emprego para mim. April franze a testa. Eu não sei o que ela quer direito. Ela não me explicou, só me deu esse cartão, e pediu para eu ir lá para saber mais. - É você vai? April indaga me olhando. - Eu não sei, April. Ela me pareceu estranha. - Fique calma. Vá para saber do que se trata, de repente é um bom emprego. Agora se não for, você não perde nada com isso. Suspiro e assinto dando razão a April. - Eu vou. Não vou na faculdade amanhã para ver do que se trata. Falo firme. - Isso aí. Agora deixa eu ir. Até amanhã a tarde. - Até. Digo abraçando a mesma. Ela se vai e eu volto para a lanchonete. Tânia não se cabia em felicidade pela ajuda que April ofereceu a ela. A mesma estava só esperando dar alguns minutos para o fim da nossa jornada de trabalho para sair fora. Ela estava feliz e eu estava feliz por ela. Esperava mesmo que ela conseguisse conquistar tudo para ela e para a filha. Nenhum cliente, nem uma mosca passava na porta da lanchonete. Não era possível que esse turrão do Sr Malhos, não via o que estávamos vendo. Ele achava mesmo que as coisas iriam mudar do nada? Velho burro. No final do expediente Tânia saiu da sala do Sr Malhos chorando. Ela me disse que ele não tem dinheiro para pagar ninguém, e que a lanchonete vai ficar aberta só esse resto de semana. Meu coração ficou apertado. Eu não tenho outro emprego e muito menos terei o acerto que me renderia um bom dinheiro para manter a minha família pelo menos uns dois meses. Me despedir de vez de Tânia, e talvez não voltaria aqui amanhã. Eu vou ver o que aquela mulher tem para me oferecer. Talvez seja algo bom e eu não precisarei me preocupar mais. Fui embora com esse pensamento. Cheguei em casa, e Will estava vendo TV na sala. - Boa noite, meu lindão! Digo fechando a porta atrás de mim. - Boa noite, minha irmãzinha. Ele fala e me abraça. - Você e a mamãe jantaram? Peço me sentando no sofá com ele. - Sim. Ela já está dormindo. Beijo seus cabelos. Deixei uma omelete para você. Franzi a testa. - Você quem fez? Ele assentiu sorrindo. - Sim. Mamãe me ensinou. Eu a ajudei se sentar a mesa e ela foi me falando como fazia. Meu coração se enche de amor por esse garoto. - Nossa, vou já provar. Só vou lavar as mãos e dar um beijo na mamãe. - Ela hoje estava mais disposta. Ela tomou banho e só me chamou para ajudá-la a sair do banheiro. - Tem dias que ela vai está bem e outro r**m, mas os remédios estão fazendo efeito e tudo vai está bem mais para frente. Vamos ter nossa mãe saudável de novo. - Assim espero. Ele fala com maior sorriso. Você foi na minha escola?Suspiro olhando para ele. - Não deu. Mas também, eu preciso ir com o dinheiro para pagar os valores. Me perdoa por isso. - Não tenho que te perdoar, Carol. Ele me abraça. Você é a melhor irmã do mundo. E não me importo de não estudar naquela escola. Pode me matricular em uma pública. Eu sei que papai sempre disse que era para me manter nessa escola, Carol, mas não faz sentido quando não temos como pagar. E outra, não serei menos por estudar em uma escola pública. - Você é muito maduro para sua idade. Eu farei o que tiver ao meu alcance para voltar você para essa escola. Irei lá amanhã, e vou ver o que posso fazer. Mas se não dê, vou te matricular na escola pública. - Não quero ficar sem estudar. E não importa onde eu for estudar. Tudo vai dar certo. - Vai sim. Agora, deixa eu ir lá dar um beijo na mamãe e depois comer o que meu irmão fez para nosso jantar. Me levanto sorrindo. Vou até minha mãe e dou um beijo nela. A mesma está dormindo tranquilamente. Espero que continue assim. Ela está melhorando a cada dia, não quero que ela tenha problemas mais. Farei de tudo para isso. Vou até o banheiro e lavo minhas mãos. Volto para a cozinha. Esquento o omelete que estava no micro-ondas. Pego um copo de água e bebo. Me sento com Will na sala. Ele estava entretido com um filme na televisão. Parti um pedaço e já coloquei na boca. Vi Will me olhando com expectativa e eu acabo sorrindo para ele ainda com a boca cheia. - E ai ? Está bom ou está r**m? Mamãe disse que estava muito gostoso. Ele pede em expectativa. - Eu acho que a partir de agora não farei mais comida aqui em casa. Você vai virar o chefe de cozinha. Digo sorrindo e seus olhos brilham. - Então, você gostou? - Eu amei. Está muito gostoso. Você me surpreende a cada dia. E só tenho que te agradecer por ter feito isso. - Não precisa agradecer. Eu sei que estivéssemos com as idades trocadas, você faria o mesmo por mim. E o que eu puder te ajudar eu farei. Dou um beijo em sua cabeça. - Eu te amo muito. Você é melhor irmão do mundo. Ele encosta sua cabeça em meu braço. - Eu também te amo muito e você também é a melhor irmã do mundo. Sorrio. Ficamos nós dois ali curtindo um ao outro. Eu precisaria fazer algo para ele. Amanhã irei ver o que essa mulher tem a oferecer. Tomará que seja algo bom. Preciso cuidar mais dele, o mesmo só tem me ajudado, e nem tem ainda responsabilidade disso. É uma carga enorme que coloquei nele, e não foi por que eu quis, mas as circunstâncias da vida fez com que eu colocasse essa carga nele. Mas eu tiraria isso dele. Faria de tudo para que ele voltasse a ser a criança que ele tem que ser aos nove anos de idade. Eu já estava em frente a empresa que a mulher tinha dito para vir. Tinha esperança que tivesse uma coisa boa para mim. Eu deixei Will dormindo já que acabamos dormindo tarde. Minha mãe também havia dormido depois que eu dei o café da manhã e seu remédio para ela. Ajudei a mesma a tomar seu banho também. Não quero Will sobrecarregado com nada. Entro e tem uma moça na recepção. - Bom dia! Eu vim falar com a Sra. Pego o cartão, pois nem prestei atenção no nome da mulher. - Você deve ser a Caroline. A recepcionista fala e eu franzo a testa. Ela sorrir para mim. Pode aguardar, pois ela já vai te receber. - Como você sabia meu nome? Pedi sem entender. - a Sra já havia me dito que a Srta apareceria, então... - Tudo bem. Eu vou aguardar. Me sento e fico olhando o lugar. É um lugar bem amplo e bem rico. Cheio de obras de artes. Eu fiquei curiosa agora do que se trata a empresa. Me levanto e vou até a a recepcionista de novo. Desculpe te incomodar de novo, mas do que se trata essa empresa? Não tem nada lá fora que diz do que se trata. Ela me olha arregalando os olhos. - A Sra não te explicou? - Não. Estou temerosa agora. - Acho melhor ela te explicar. Ela fala e logo o telefone em sua mesa toca. Sim. Ok. Ela diz e eu já estava me retirando. Vem comigo. Ela já vai te receber. Vou andando com ela e a mesma abre a porta de uma sala enorme. Vejo a Sra na mesa sentada na ponta. - Que bom que você apareceu. a Sra diz sem ao menos levantar. Sente- se e vamos conversar. Super direta. - Eu vim saber do que se trata. O que a Sra tem a me oferecer. - Simples. Sei que você está precisando de um emprego e eu preciso de uma garota como você. Franzo a testa. - Como eu? Questionei sem entender. - Linda, bonita, engajada, tem presença. Tem postura e sabe falar. - A Sra precisa de uma secretária? Ela dar um meio sorriso. - Não. Eu trabalho com garotas que servem de acompanhantes para homens ricos, milionários. Sangue foge do meu rosto. - Você quer que eu sirva de garota de programa? Indaguei me levantando. A Sra ficou louca? Estou revoltada. - Fique calma, abaixe seu tom de voz, porque você não está na sua casa ou na rua. Seu tom de voz é frio. Eu não trabalho com prostitutas. Eu trabalho com garotas que entretém homens ricos. - Qual a diferença da prostituição? Indaguei nervosa. - Você acompanha os homens, pode ser para sexo, ou apenas uma conversa. Isso depende do que o cliente quer. E... - E nada. Não a deixo continuar falando. Para mim não tem diferença, quero dizer, tem sim. A diferença que a prostituta está visível para todos, e uma acompanhante não. Ela é chamada para tal serviço através de um contato, tem seus horários predeterminados. - Vejo que já sabe então como funciona. - Sei porque não sou burra. Mas não vou me envolver com isso. Estou revoltada. - Pense bem, pode te trazer muito ganhos. Conheço homens que daria sua fortuna para ter uma garota como você do lado dele. E isso é em alto sigilo. Sua família nunca saberá do que você faz. - Nunca mesmo, porque eu não me envolverei nisso. Adeus! Falo não dando oportunidade para ela falar mais nada. Saio dali com a mente a mil. Eu não posso ter esse destino. Eu não quero isso para mim. Eu preciso ter um emprego diferente, não falo digno, porque as pessoas procuram o que elas precisam para suas vidas e eu não estou procurando ser p****************o de ninguém. Suspiro deixando as lágrimas saírem. O que farei da minha vida? Limpo meu rosto. Vou para um parque e me sento. Eu preciso de um emprego que tire minha mãe da situação que ela está, e também garantir um futuro na escola para Will. Fico ali pensando no que vou fazer da minha vida. Mas nada me vem a cabeça. Eu vou voltar a distribuir meu currículos. Me levanto e vou até uma lan house para imprimir uns currículos. Olho dentro da minha bolsa e vejo que tenho uns trocados. Vou distribuir até dar hora de ir para lanchonete. Eu estou morta de cansada. Andei quase Paris toda. Fui até na marina para poder ver se eles precisavam de uma atendente ou até mesmo uma limpadora de barcos. Eu não me importo, contanto que eu tenha um emprego para suprir tudo em casa, e poder ver minha mãe boa novamente, poder dar uma educação escolar para Will, eu não me importo de faxinar quantos barcos forem, mas não arrumei nada. Deixei meu currículo e corri para voltar ao centro de Paris, e já começar a trabalhar na lanchonete. Assim que cheguei na porta da lanchonete, eu fiquei sem chão. Ela estava fechada. Bate na porta e nada. Eu entrei em desespero. O Sr Malhos não poderia ter feito isso com a gente. Ele fechou sem ao menos dizer que não daria mais para manter. Não pagou o que nos devia. - Ele não abriu hoje. Mariah, a cozinheira diz. Eu liguei para ele e o mesmo me disse que a lanchonete faliu e que não abriria mais. Começo a chorar. Ele não vai pagar a gente, Carol. Esse homem sempre foi um miserável. - E agora? O que vou fazer? Eu ainda tinha esperança que ele pagaria a gente no mês. Eu ainda tinha esperança que ele tocasse seu coração e consciência e nos desse o que é devido. Falo limpando meu rosto. - Eu fiquei aqui até agora porque esperava que ele tivesse mentindo pra gente. Mas vi que não. Ele não merece nada. - Droga. Falo olhando a porta ainda fechada sem acreditar. - Vamos embora, não vale a pena. Mariah fala e eu estou um caco por dentro e por fora. Eu não sei o que eu farei agora, na verdade já não sabia, e agora piorou. O que vou dizer para minha mãe quando ela perguntar o porque estou em casa? Eu não posso preocupá-la mais. Não posso agravar seu estado
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