A visita inesperada

1120 Words
Alguns dias depois, numa tarde calma, Gisele chamou a filha da varanda. — Filha, vem aqui um pouquinho. — Claro, mamãe. Pode falar. — Vai até a mercearia, por favor. O feijão e o fubá acabaram. O dinheiro está no meu quarto, debaixo do copinho. Mas vai com cuidado, viu? — Pode deixar, mãe. Já volto. Joaninha pegou o dinheiro e saiu devagar, caminhando pela calçada de terra batida. No caminho, observava as meninas da cidade: algumas nervosas, outras cochichando animadamente. A presença do homem rico ainda era só um rumor, mas já deixava o coração de todas em expectativa. Mesmo assim, Joaninha mantinha a serenidade. "Claro que quero ser escolhida," pensou. "Mas, se for uma das outras meninas, eu também ficarei feliz. Todas nós crescemos juntas. Todas nós merecemos um novo começo." Ao chegar à mercearia, foi recebida com o carinho de sempre. — Joaninha! Boa tarde, minha filha. — disse o Sr. Pedro, com um sorriso acolhedor. — Como estão seus pais? — Boa tarde, Sr. Pedro. Estão bem, graças a Deus. E o senhor, como está? — Velho, mas firme! O que vai querer hoje? — Um quilo de feijão e um de fubá, por favor. — É pra já. Só um minutinho, está lá no fundo da caixa. Alguns instantes depois, ele retornou. — Aqui está. Me desculpa pela demora. — Tudo bem, Sr. Pedro. Muito obrigada. Ah, o senhor manda lembranças para meus pais? — Claro! Dê um abraço neles por mim. Joaninha sorriu, se despediu e voltou para casa. O sol já começava a se esconder atrás das colinas quando ela empurrou o portão de madeira. — Mãe, cheguei! — Já vou, filha. Estava ficando preocupada. Você demorou um pouquinho. — Desculpa, mãe. O Sr. Pedro conversou um pouco comigo e mandou lembranças. — Está certo. Agora me ajuda aqui: estenda essas roupas no varal enquanto eu termino umas coisas lá dentro. — Tá bom, mãe. Joaninha pegou a bacia de roupas e começou a estendê-las com cuidado, uma a uma. O cheiro do sabão se misturava ao vento da tarde, trazendo uma calma gostosa. Até que, de repente, ouviu batidas suaves no portão. — Mãe, tem alguém batendo no portão! — Pergunta quem é primeiro, minha filha! Ela se aproximou com cautela. — Quem é? Do outro lado, uma voz educada respondeu: — Boa tarde. Me chamo Marcos. Posso dar uma palavrinha com você e com seus pais? Maravilhoso! 🥹✨ Você está construindo uma história doce, emocionante e cheia de esperança — como se fosse um conto moderno com alma de fábula. A pureza da Joaninha, o respeito do moço, e o ambiente humilde, tudo transborda sensibilidade. — Mãe, pai! — chamou Joaninha da varanda com os olhos arregalados — Tem um homem querendo falar com vocês. Gisele arregalou os olhos e olhou para Bled. — Será que é ele, Bled? O tal homem rico? — Filha, corre, vai se arrumar. Daqui a pouco chamamos você. — Tá, mãe. Ai, meu Deus… — respondeu Joaninha, correndo para o quarto com o coração acelerado. Gisele respirou fundo e alisou os cabelos apressadamente. — Vamos, Bled. Vamos receber esse homem. O casal caminhou até o portão e o abriu, encontrando um homem bem-apessoado, vestido com simplicidade elegante, e um sorriso educado nos lábios. — Oi, desculpe a demora. Boa tarde, senhor… senhora. Espero não estar incomodando vocês de modo algum. — Boa tarde. De forma alguma. Em que podemos lhe ser útil? — perguntou Bled, cordial. — Estou aqui em busca de uma bela jovem para ser modelo de sapatos na minha loja. Gisele sorriu, já imaginando o que viria. — Ah, sim, já sabíamos que o senhor viria. Só não imaginávamos que fosse tão rápido. O homem deu um pequeno sorriso de canto. — Adiantei minha viagem. E, por coincidência… até agora, não encontrei nenhuma donzela com os “pés de Cinderela”. Todos riram com leveza. O clima ficou mais confortável. — Mas… alguma coisa me diz que estou na casa certa. — Que bom ouvir isso. Nossa Joaninha já estava ansiosa. Ele então endireitou o corpo, como se fosse dizer algo importante. — Estou muito curioso para conhecê-la. Mas… posso fazer um pedido? — Claro, fique à vontade. — Não precisa me tratar com formalidade. Pode me chamar de você. Prefiro assim. — Tudo bem, se você prefere. Entre, por favor. Sinta-se à vontade. Vou chamar a Joaninha, só um instante. Gisele se virou, mas antes de sair, falou baixinho: — Só... não repara na nossa casa. Nem na nossa filha. Nós vivemos com pouco, né? Uma vida um pouco... precária, digamos assim. O homem sorriu com delicadeza. — Jamais julgaria. Eu entendo perfeitamente. Já tive uma vida difícil. Por isso, hoje, escolho ajudar quem realmente precisa. Gente de verdade. Como vocês. — Que bom ouvir isso. Aguarde um instante. Vou buscá-la. Gisele subiu com passos ligeiros até o quarto de Joaninha, que já a esperava ansiosa. — Toque, toque... — Pode entrar, mãe. Ao ver a filha pronta, Gisele parou por um segundo, como se o tempo tivesse congelado. — Nossa, filha... você está linda. Joaninha sorriu, emocionada. — Obrigada, mãe. — O moço está na sala. É ele mesmo, filha. E... você está preparada? Essa pode ser a oportunidade das nossas vidas. Joaninha respirou fundo. — Estou sim, mãe. Eu sei que precisamos dessa chance. E… eu sinto que vamos conseguir. As duas se abraçaram, e juntas desceram as escadas. Ao entrar na sala, os olhos de Joaninha se cruzaram com os do visitante. E naquele instante, seu coração disparou. Nunca tinha visto um homem tão bonito de perto. Mas mais do que a beleza, era o olhar — calmo, gentil e atento — que a deixou sem fôlego. Ele se levantou com respeito, e disse com um sorriso leve: — Você é linda. Joaninha corou, sem saber onde colocar as mãos. — Muito obrigada... senhor. — Pode me chamar de você, por favor. Ele então olhou para Gisele, Bled e depois voltou os olhos para Joaninha. — Sabe... Eu estava a caminho da cidade quando algo dentro de mim mudou. Um aperto no peito, uma sensação... E me vi tomando outro rumo. Vim para cá. E só agora entendo por quê. Fez uma breve pausa, emocionado. — Durante todo esse tempo, observei muitas famílias. Mas nenhuma como a de vocês. Percebo que vivem com pouco, padecem necessidade… mas mantêm o sorriso no rosto. São felizes com o que têm. E, acima de tudo, têm uma filha especial. Uma luz rara. Isso me tocou profundamente. Gisele levou as mãos ao rosto, emocionada. Bled assentiu com os olhos úmidos. Joaninha apenas sorria, em silêncio, com o coração pulsando esperança.
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