Cinco meses se passaram como um sopro.
Joaninha já caminhava com muito mais segurança de salto, tropeçando menos, confiante de si. Na faculdade, estava focada, dedicada, mergulhada nos estudos de Medicina com uma determinação que impressionava até os professores.
E Marcos… Marcos estava sempre ali.
Sempre que podia, ia buscá‑la na universidade. Às vezes iam ao cinema, outras vezes caminhavam pela cidade, tomavam sorvete sentados na calçada, almoçavam juntos em restaurantes simples ou elegantes. Em algumas noites, ele a levava para jantar, sempre respeitoso, sempre atento a cada detalhe dela.
Até que, numa dessas noites tranquilas, os dois passeavam por uma pracinha quase vazia, iluminada apenas por postes antigos e pela lua cheia.
Joaninha caminhava ao lado dele, pensativa, até criar coragem:
— Marcos… por que você é tão perfeito comigo?
Ele parou devagar. Virou-se para ela e olhou dentro dos olhos dela com uma intensidade que fez seu coração disparar.
— Joaninha… — disse com a voz firme, mas carregada de sentimento — eu estou completamente apaixonado por você.
Ela sorriu, sem acreditar no que estava ouvindo.
— Sério?
— Sim, amor. — ele respondeu, sem hesitar. — E você sabe… eu conversei com eles. Disse que queria te conhecer de verdade. E eles me deram permissão. Tudo o que eu faço é pra mostrar quem eu realmente sou quando estou com você.
Ela sentiu os olhos marejarem. Sorriu e o abraçou forte.
— Desde o dia que eu te vi… — confessou, encostando o rosto no peito dele — eu tremi dos pés à cabeça. Pensei: “Meu Deus, que homem lindo.” E logo depois: “Será que um dia eu vou ter uma chance?”
Ele riu baixo.
— É sério?
— É… — ela riu também. — Mas aí eu pensei: “Para, Joaninha, coisa demais pra sua cabeça.”
— Você é tão boba… — ele disse, sorrindo.
Ela se afastou um pouco, acariciou o rosto dele com delicadeza e falou, com sinceridade:
— Você é lindo, maravilhoso, rico, talentoso… você pode ter qualquer garota que quiser. Do seu nível, da sua classe social. Não uma menina do interior, que está conhecendo a cidade grande agora.
Marcos sorriu, mas havia emoção no olhar.
— Mas é justamente essa menina do interior que faz meu coração disparar. — disse ele. — Que arranca os meus melhores sorrisos. Que me deixa nervoso, com frio na barriga. É ela que eu quero pra mim.
Ela não respondeu com palavras.
O beijo aconteceu.
Lento. Intenso. Perfeito.
Joaninha sentiu como se estivesse nas nuvens.
A boca dele… o cuidado… o encaixe.
Era o primeiro beijo dela.
E não poderia ter sido mais perfeito.
Quando se afastaram, ele encostou a testa na dela e sussurrou:
— Você achou que ia namorar comigo?
Ela arregalou os olhos, emocionada.
— Tá falando sério?
— Tô, amor. — ele sorriu. — Achou que ia namorar comigo?
— Sim… — respondeu ela, com a voz tremendo. — Depois desse beijo… sim.
Marcos riu, a pegou no colo e começou a rodar com ela no meio da praça, beijando‑a novamente, como dois adolescentes apaixonados.
— Meu Deus… — ela riu. — Eu não acredito.
— Então acredita. — ele respondeu.
Ela respirou fundo e ficou séria por um instante.
— Mas… você acha que nossos pais vão brigar?
— O que você acha? — ele perguntou, atento.
— Talvez não brigar… mas vão dizer que é cedo. Tecnicamente, a gente se conhece há oito meses. E tem o fato de você ser meu patrão… e o patrão do meu pai. Eles vão ficar com medo.
Marcos segurou o rosto dela com carinho.
— Amor, o trabalho do seu pai é garantido. O seu também. Nada vai separar a gente. Mas se você quiser ir com calma, esconder por enquanto… eu aceito. Quem manda aqui é você.
Ela sorriu, provocando:
— Quem manda sou eu, patrão?
Ele riu.
— Sim. Agora você é minha dona.
Ela fechou os braços ao redor do pescoço dele.
— Então, patrão… posso te prender nos meus braços?
— Com certeza. — ele respondeu. — E não vou reclamar.
Eles se beijaram de novo, sob as luzes da praça, como se o mundo inteiro tivesse parado só para eles.
E ali, naquele instante, Joaninha teve certeza de uma coisa:
O amor tinha finalmente encontrado ela.
Marcos a levou até um lugar que ele havia reservado especialmente para os dois. O restaurante era intimista, iluminação baixa, velas sobre as mesas e uma música suave preenchendo o ambiente.
Assim que Joaninha entrou ao lado dele, seus olhos brilharam.
— Nossa, amor… — ela disse, encantada. — Isso aqui é perfeito.
Marcos sorriu, orgulhoso.
— É, amor. Eu reservei só pra gente.
Ela parou, surpresa.
— Jura?
— Juro. — respondeu ele, puxando a cadeira para ela sentar.
Eles se acomodaram, fizeram o pedido e passaram o tempo rindo, conversando, trocando olhares cúmplices. O clima era leve, cheio de carinho e aquela sensação deliciosa de estar exatamente onde se deveria estar.
Depois de um tempo, Marcos ficou sério por um instante. Levou a mão ao bolso do paletó e tirou uma caixinha pequena, de veludo.
— Eu comprei isso aqui pra gente… — disse com cuidado — mas como você ainda não quer que seus pais saibam, a gente não pode usar agora, né?
Joaninha levou a mão à boca, emocionada.
— Meu Deus… — sussurrou. — É igual àqueles dos filmes…
Ele riu baixo.
— É assim mesmo? — perguntou. — Eu quis escolher um que tivesse mais a sua cara.
Ela abriu a caixinha. Dentro, um anel delicado, simples e lindo. Com mãos trêmulas, colocou no dedo.
— Ficou maravilhoso, amor… — disse com os olhos marejados. — É real, né? Você… você é mesmo meu?
Marcos sorriu daquele jeito que só ele tinha.
— Sou todo seu, Joaninha.
Eles se beijaram outra vez, com calma, com entrega. E naquele instante, sem perceber, Joaninha começou a cantar baixinho. Uma melodia suave, quase um sussurro, que parecia sair direto da alma.
Marcos ficou imóvel, olhando para ela como se estivesse diante de algo raro.
Os olhos dele brilhavam completamente encantados.
— Sim, amor… — murmurou, antes de beijá-la novamente.
Quando se afastaram, ele falou com a voz cheia de admiração:
— Você canta tão lindo… sua voz é tão doce. Já pensou em gravar um CD?
Ela riu, envergonhada.
— Quem dera, amor… isso tá muito longe da minha realidade.
Marcos balançou a cabeça, decidido.
— Não tá, não. — disse firme. — Eu tenho um amigo que é dono de um estúdio. Eu vou te levar lá, tá?
— Não, amor… — ela tentou protestar. — Que isso…
— Sim. — ele interrompeu com um sorriso. — Eu vou te levar. Confia em mim, tá bom?
Ela sorriu, sentindo o coração aquecer ainda mais.
Naquela noite, Joaninha percebeu que não estava apenas vivendo um amor.
Estava sendo vista, acreditada, incentivada… de um jeito que nunca ninguém tinha feito antes.
E talvez — só talvez — os sonhos dela fossem maiores do que ela jamais ousou imaginar.