CAPÍTULO 2 — O HOMEM QUE NÃO ACEITA NÃO

739 Words
Natália tentou convencer a si mesma de que estava imaginando coisas. Homens importantes apareciam no Bellagio Prime o tempo todo. Políticos, empresários, jogadores famosos… nenhum deles mudava sua rotina. Então por que aquele homem mudava? Ela respirou fundo enquanto anotava pedidos na mesa ao lado, evitando olhar na direção dele novamente. Não olhe. Sirva. Sorria. Vá embora. Simples. Era o que sempre fazia. — Natália. A voz do gerente surgiu atrás dela, baixa e urgente. Ela virou rapidamente. — Sim? — Mesa vip. — Ele apontou discretamente. — Você vai atender. O estômago dela caiu. Claro. Era justamente a mesa dele. — Senhor Augusto pediu atendimento impecável — continuou o gerente. — Esse homem é dono de metade das construtoras que estão entrando no Brasil. Ótimo. Rico. Importante. Intocável. Exatamente o tipo que ela evitava. Natália ajeitou o uniforme e caminhou até a mesa tentando ignorar o nervosismo absurdo que não fazia sentido algum. Ela já tinha lidado com clientes piores. Muito piores. Mas quando parou diante dele, percebeu algo irritante. Ele não estava olhando o cardápio. Estava olhando ela. Como se já estivesse esperando. — Boa noite, senhor — disse profissionalmente. — Posso anotar seu pedido? Silêncio. O homem inclinou levemente a cabeça, observando cada detalhe do rosto dela. Aquilo não era um olhar comum. Era análise. Avaliação. Como se estivesse tentando entendê-la. — Seu nome — ele disse, finalmente. A voz era grave. Suave. Estranhamente calma. Natália piscou. — Está no crachá. Os olhos escuros desceram lentamente até o peito dela, onde o pequeno nome brilhava preso ao uniforme. O calor subiu pelo pescoço dela imediatamente. — Natália — ele repetiu. O sotaque italiano tornou o próprio nome dela diferente. Mais íntimo. Ela não gostou disso. — Seu pedido, senhor? Um pequeno sorriso apareceu no canto da boca dele. Perigoso. — Alessandro. Ela permaneceu em silêncio. — Meu nome — completou. Natália anotou algo inexistente no bloco apenas para manter a postura. — O que deseja pedir, senhor Alessandro? Ele apoiou o braço na mesa. — Você sempre fala assim com clientes? — Assim como? — Como se estivesse pronta para fugir. O coração dela falhou uma batida. Irritação substituiu o desconforto. — Eu só estou trabalhando. — Não parece. Ela ergueu o olhar finalmente, encontrando o dele de frente. Erro. Os olhos de Alessandro Moretti eram intensos demais. Não havia arrogância vazia ali — havia controle. Poder silencioso. Homens perigosos não precisavam levantar a voz. Eles simplesmente existiam… e o ambiente mudava. Natália fechou o bloco. — Vai fazer algum pedido ou prefere continuar analisando funcionárias? O sorriso dele aumentou. Definitivamente perigoso. Atrás deles, um dos empresários italianos soltou uma risada baixa. Alessandro não desviou os olhos dela. — Traga o que você recomendaria. — Isso não está no cardápio. — Confio no seu julgamento. Ela quase revirou os olhos. Homens ricos adoravam jogos. — Volto em instantes. Virou-se rapidamente antes que aquele olhar começasse a afetá-la mais do que deveria. Mas não chegou longe. — Natália. Ela parou. Respirou fundo. Virou devagar. — Sim? Os olhos dele desceram novamente pelo corpo dela, sem pressa, sem vergonha… mas também sem vulgaridade. Aquilo era pior. — Você não pertence a este lugar. O sangue ferveu. Ela voltou dois passos até a mesa. — E o senhor me conhece há exatamente trinta segundos. Silêncio ao redor. — Pessoas como você acham que sabem tudo — continuou ela, a voz baixa porém firme. — Mas não sabem nada. Os empresários trocaram olhares tensos. Ninguém falava assim com Alessandro Moretti. Ninguém. Ele, porém, apenas observava. Interessado. Como se tivesse acabado de encontrar algo raro. — Talvez eu queira descobrir — disse calmamente. Natália segurou o impulso de responder. Clientes eram clientes. Dinheiro pagava contas. Orgulho não. Ela forçou um sorriso profissional. — Já retorno com seu pedido. E saiu. Só que, enquanto caminhava de volta à cozinha, algo dentro dela gritava uma verdade incômoda: Aquele homem não olhava para ela como os outros. Não era desejo fácil. Não era pena. Era curiosidade. E curiosidade vinda de homens poderosos nunca terminava bem. Do outro lado do salão, Alessandro acompanhava cada movimento dela. Cada passo rápido. Cada tentativa de ignorá-lo. Interessante. Muito interessante. Porque, pela primeira vez em anos… Uma mulher não parecia minimamente impressionada por quem ele era. E isso fez algo perigoso despertar dentro dele. Algo que Alessandro Moretti sempre controlou. Vontade. E ele raramente desistia do que queria. 🔥
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