Lohan estava olhando a vista, da janela do seu jatinho ele podia observar as nuvens e o imensidão do céu.
Harry e Dylan estavam dormindo e Lohan martelava em sua cabeça que deveria fazer o mesmo, mas a ansiedade consumia todo seu ser. Ele voltava para casa, após sua ida até Abu Dhabi, comprou boa parte da nova coleção e se sentia feliz.
Mas, ao estar prestes a subir no avião uma mensagem fez seu coração acelerar e seu gelar em suas veias.
Podemos conversar?
A mensagem simples veio de um número que ele conhecia bem, sua mãe! E isso estava fazendo o Malik se sentir ansioso, com medo e mais um mix de emoções. Ele contou ao seus amigos e eles rapidamente disseram para ele mandar um não!
Se Lohan falasse com seu pai a resposta seria a mesma, com seu irmão receberia a mesma resposta, se falasse com seus tios também receberia a mesma resposta, a questão era que ele queria uma opinião diferente, alguém que não tivesse sentimentos por si e pudesse analisar a questão friamente.
Pensou em Lucca, mas lembrou que o cunhado nutria um certo desgosto por seus pais e ele já ficava sem opções, então fez o mais lógico, pensou em Henry!
Por mais que eles se relacionassem sexualmente, não havia sentimentos envolvidos e assim poderia ser muito mais fácil de obter uma opinião neutra sobre o assunto.
Lohan se ajeitou mais uma vez na poltrona e agradeceu a aeromoça que lhe trouxe uma taça de champanhe. A menina deveria ser bem nova, seu cabelo vermelho preso em um coque, e um sorriso gentil nos lábios.
— E-eu poderia te pedir algo? — Ela diz um tanto trêmula e parecia com medo, Lohan sorriu para a mulher, concordando com a cabeça e vendo ela morder os lábios antes de continuar falando. — Posso tirar uma foto com você? — Perguntou baixo e Lohan sorriu.
— Claro, venha aqui, vamos tirar algumas. — Lohan falou batendo na poltrona do seu lado a mulher arregalou seus olhos cor de amêndoas e levou a mão até a parte de trás do corpo, puxando o celular da cintura e logo sentando ao lado de Lohan. — Como você quer?
— E-eu n-não sei...
— Faz assim, eu tiro e você apoia em mim! — Lohan falou pegando o aparelho, com seu braço puxou a mulher pela cintura e assim ficaram bem próximos, Lohan bateu a foto, e notou como a mulher soava frio, era uma reação que ele não entendia bem, mas se sentia feliz ao notar que causava isso nas pessoas.
Lohan tirou inúmeras fotos e até gravou vídeos, a menina parecia estupidamente feliz e Lohan achava bonito como que algo simples fazia alguém sorrir.
— Qual o seu nome? — Lohan perguntou.
— Marie! — Disse sorrindo enquanto olhava as fotos.
— Igual a gata? — Lohan questionou.
— Exatamente. — A mulher olhou Lohan mais uma vez. — Você não me conhece, mas você e seu pai são muito importantes para mim e meu irmão.
— Somos? — Lohan perguntou.
— Sim... Meu irmão é gay, e nunca teve coragem de se assumir, mas aí nosso pai descobriu e o expulsou de casa, eu tinha só dezoito anos e ele dezenove, mas fui com ele. Ficamos nos piores lugares que você imaginar, mas ainda sim ficamos juntos. Um dia estávamos assistindo televisão e passou a campanha que seu pai fazia, acolhendo jovens gays que já não tinham lar, com muita relutância meu irmão foi até o lugar, quando chegamos lá a primeira coisa que vimos foi a foto de você e Lorenzo, e as palavras de Lorenzo sobre você, naquele dia meu irmão conseguiu um emprego em uma das empresas que seu pai era envolvido. — A menina suspirou e Lohan prestava atenção em como aquilo era importante para ela. — Meu irmão recebeu o apoio psicólogo que a empresa oferecia, e assim ele foi se tratando. Pode parecer algo bobo, mas o que seu pai fez e você vem fazendo, muda muita coisa. Meu irmão pagou todos os meus estudos e hoje sou aeromoça graças ao esforço dele, mas também graças a vocês que estenderam a mão mesmo sem saber. — A menina tinha os olhos marejados. — Hoje meu irmão é casado, e tem até mesmo dois filhos, mas até hoje trabalha na sua empresa.
Lohan tinha seus olhos banhados pelas lágrimas, a empresa do seu pai era refúgio de minorias, pretos, gays, mulheres — a maioria sendo mãe solo-, e pcds. Lorenzo sempre disse que para homens brancos e héteros, as portas estavam escancaradas, não que a empresa não tinha homens brancos e héteros, mas eles priorização as minorias, até mesmo ex presidiários recebiam uma segunda chance.
Lohan abraçou a menina e a deixou chorar, chorando também com a história e sorrindo por ver que faz a diferença na vida e alguém. Harry e Dylan já tinham acordado e ouviram o relato da jovem, ambos se emocionaram ao lembrar de como Lorenzo os acolheu em momentos ruins e de como ele era extremamente carinhoso e engajado nas lutas sociais.
— Qual o nome do seu irmão? — Perguntou Lohan.
— Anthony Legrand. — A menina respondeu. Mostrando a foto de Anthony ao lado do marido no dia do casamento.
Os cabelos eram igualmente ruivos, olhos claros e sardas no rosto, já o marido era de pele amarronzada, mas Lohan notou alguns traços indígenas.
— O marido dele é brasileiro, mas sua descendência é completamente indígena. — A menina falou.
— Qual o nome dele?
— Cauê Araruna... — Marie falou, eles embarcaram em uma conversa sobre tudo aquilo, e Lohan se distraiu do que tanto lhe afligia.
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