Naquele dia não fiz questão de pedir que meu professor parasse duas quadras antes do meu apartamento. Não tinha ninguém lá para nos flagrar. Enquanto ele seguia com o carro pelas ruas do bairro, deixei minha cabeça escorada na janela e abracei a melancolia. Ele parou a uma distância receosa. Conseguia ver as luzes apagadas, como se o apê estivesse há tempos vazio. A janela da Caroline estava mergulhada na escuridão e logo teria teias de aranha… — Não quer me dizer o que está acontecendo? — Dante perguntou com suavidade. Estava tão cansada e vulnerável que me permiti sentir. Algo pouco frequente, visto que eu passava a maior parte do tempo evitando meus sentimentos. — Desde que eu nasci, todas as mudanças foram ruins — sussurrei. Ouvi-o se mover. — Como assim? Fechei os olhos, deix

