Vitor fazia um excelente trabalho fingindo que nada aconteceu. Ele colaborava comigo nas atividades que fazíamos em dupla, limpando equipamentos cirúrgicos e raras vezes me olhando por muito tempo. Quando precisávamos falar, ele mantinha o humor de sempre. Eu quase não conseguia conter meu ódio. Imaginava cenários diferentes onde eu o questionava sobre o que fizera; ameaçava-o a respeito das consequências. Nas minhas fantasias mais indevidas, o bisturi estava a centímetros de furar a traqueia dele. Limitava-me, entretanto, a manter a postura profissional. Estávamos em ambiente de estudos, ativos a cuidar de animais que careciam de atenção qualificada durante os atendimentos. Alguns deles tinham tanto medo de nós que transmitir sentimentos negativos seria covardia. Foi quando o expedient

