Capítulo 10 - O peso do Silêncio.

865 Words
Um mês. Trinta dias de beijos interrompidos no limite. Trinta noites dormindo abraçados. Trinta manhãs acordando com o corpo em guerra contra a própria vontade. No começo, Vittorio acreditou que seria simples. Esperar fazia parte do controle. E controle era o que sustentava o mundo dele. Negócios, territórios, alianças — tudo se mantinha porque ele sabia esperar o momento certo. Mas esperar Siena era diferente. Porque ela não era estratégia. Era fome. A rotina deles se construiu em silêncio e tensão. De manhã, ele saía antes do sol nascer. Ligações em voz rouca e autoritária, homens entrando e saindo do escritório da casa, decisões que carregavam consequências que Siena preferia não perguntar. Ela fingia normalidade. Siena estava sempre buscando coisas para a casa, sempre cuidando do quarto deles, o único cômodo em que os funcionários não entravam, e sempre cuidando de si. Apesar de ter um marido controlador e possessivo, ele gostava de vê-la bem, unhas diferentes, cabelo cuidado, aparência impecável. À noite, eles se encontravam de verdade. Jantares tranquilos. Conversas longas. Risos que vinham com mais facilidade a cada dia. E os beijos. Sempre os beijos. Era a unica coisa que Siena permitia acontecer. Quentes. Profundos. Perigosamente longos. Siena já não recuava no primeiro toque. O corpo dela aprendia o caminho até ele. As mãos seguravam a camisa com vontade. A respiração falhava antes mesmo de se afastarem. Ela o queria. E Vittorio sentia isso. Sentia… e esperava. Toda vez. O autocontrole dele virou tortura. Naquela noite, ele chegou mais tarde que o normal. O terno cheirava a rua, à pólvora distante, à tensão. Siena estava na sala, enrolada no sofá, esperando por ele. — Você demorou… — murmurou sonolenta. — Trabalho. — Eu não gosto quando demora tanto… me deixa insegura — disse ela, com uma pitada de ciúmes. Ele percebeu e riu baixo. Ajoelhou na frente dela, passando o polegar pelo rosto cansado — Minha piccina, eu só tenho olhos e desejo por você. Não precisa se preocupar com outra mulher. — Não estou preocupada — respondeu, tentando disfarçar. — Eu só quero tê-lo ao meu lado. Ele a beijou. O beijo começou ali. Lento. Cansado. Cheio de saudade. Siena deslizou para o colo dele sem perceber. As pernas encaixaram no quadril dele por instinto, e o corpo de Vittorio respondeu na hora. A mão dele apertou a cintura dela com força demais. O beijo aprofundou. A respiração perdeu o ritmo. Quando ele a levantou no colo, já estava decidido a não parar. Só que, no meio do caminho até o quarto, Siena congelou. O corpo travou. Ele sentiu. Sentiu a rigidez. Sentiu o medo voltando como um fio invisível puxando ela para longe. E aquilo o irritou. A mesma situação de sempre. Ele a colocou no chão com cuidado demais para um homem que estava à beira de perder o controle. — Um mês, Siena… — a voz saiu rouca. — Um mês. Ela abraçou os próprios braços. — Eu estou tentando… — Eu sei que está tentando — ele cortou. — Mas você não confia em mim. A palavra caiu pesada. — Eu confio! — ela respondeu rápido demais. — Então por que toda vez que eu te toco… você me olha como se eu fosse virar outra pessoa? Silêncio. Os olhos dela encheram. E ele soube que tinha acertado. A ferida não era o toque. Era a memória. — Foi ele… — ela sussurrou. — O Eduardo, o homem do casamento. Siena se aproximou sem perceber. As pernas encaixaram no quadril dele por instinto, e o corpo de Vittorio reagiu na hora. — Que… — a garganta fechou — que queria me ver… que daria qualquer coisa pra… — ela não conseguiu repetir a palavra. Não precisava. Vittorio já sabia. A mandíbula travou. Os olhos escureceram de um jeito que Siena nunca tinha visto. Raiva pura. Não dela. Dele, de não ter percebido antes. — Ele disse que você não acreditaria em mim — continuou, chorando. — Que a lealdade dele valia mais do que eu. E desde então… quando você me toca… eu só consigo pensar que viro aquilo que ele descreveu. — Você não é o que ele disse. — A voz dele era baixa, firme, absoluta. — Você é minha porque eu não suporto imaginar outra pessoa perto de você. Mas você não é objeto. Não é brinquedo. E eu falhei em não arrancar a língua dele quando tive chance. Ela deu um passo à frente. — Eu achei que… se eu dissesse… você ficaria bravo comigo, e me machucaria. — Eu vou m***r ele — respondeu, simples. - Mas você minha piccina, precisa começar a acreditar que eu não vou te machucar, eu não estou bravo com você, eu quero cuidar de você. Não era ameaça. Era certeza. O choque fez Siena prender a respiração com o que ele iria fazer com aquele homem, e ao mesmo tempo, seu coração foi nutrido por um sentimento que vinha crescendo e ela não sabia descrever. — Por você. Ninguém fala assim com a minha mulher e sai sem consequências. Ele a beijou mais uma vez. E saiu para resolver o que precisava. Não havia motivo para esperar.
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