Siena acordou com Vittorio ainda dormindo ao seu lado. O dia seria cheio e, depois da noite anterior, decidiu tentar algo diferente. Queria preparar um café para ele.
Levantou-se em silêncio e foi tomar banho. Poucos minutos depois, ouviu a porta se abrir.
— Vittorio… — disse, completamente envergonhada, puxando a toalha contra o corpo. — Pode sair, por favor?
Ele riu baixo, encostado no batente da porta.
— Piccina, eu já disse que você não precisa ter vergonha de mim.
Logo… tudo isso será meu, ter ver pelada vai ser rotina, precisa se acostumar.
O constrangimento só aumentou.
— Eu sei — respondeu ela, nervosa. — Mas não vai ser hoje, nem amanhã. Ainda tenho uma semana e meia pra fugir de você — disse, tentando brincar.
— Fugir de mim? — ele arqueou a sobrancelha. — E vai fugir pra onde?
Ela respirou fundo.
— Estava pensando em preparar um café pra nós. Podemos comer juntos e conversar antes das meninas acordarem.
— Eu não quero café, minha Piccina — ele deu um passo à frente. — Eu quero tomar banho com você.
— Ainda não — disse firme, apesar do coração acelerado. — Não quero que seja assim.
Vittorio suspirou, avaliando-a por alguns segundos, e então recuou.
— Tudo bem. Aceito o café.
Saiu antes que mudasse de ideia. Siena terminou o banho rapidamente e desceu.
Preparou frutas, panquecas, ovos, café e suco. Arrumou tudo com cuidado numa bandeja e subiu. Quando entrou no quarto, Vittorio já havia tomado banho e a aguardava.
Enquanto comiam, Siena falou empolgada sobre os preparativos do casamento, perguntando se ele tinha gostado das escolhas. Pela primeira vez, sentia-se realmente envolvida.
— Hoje não vamos jantar — disse ele. — Vai ser um almoço. Depois disso, preciso viajar.
Ela ficou curiosa, mas não insistiu.
— Tudo bem, Vittorio.
Conversaram mais um pouco até ouvirem as amigas acordarem. Siena saiu para encontrá-las e desceu com elas, mostrando a cozinha e o café que havia preparado.
A empolgação de Siena era evidente.
— O que aconteceu ontem? — perguntou a irmã. — Você está diferente… mais feliz.
— Nada demais — respondeu Siena. — Tive um pesadelo, e o Vittorio cuidou de mim. Hoje ele precisa viajar, então vamos resolver algumas coisas antes. Mas à noite ficamos juntas.
O restante da manhã passou rápido. Quando percebeu, já estava perto da hora do almoço.
Siena voltou ao quarto, tomou um banho demorado e fez seu ritual com calma. Estava decidida a impressionar. Escolheu um conjunto de alfaiataria azul-bebê, salto elegante, maquiagem leve e o cabelo preso em um r**o de cavalo.
Encontrou Vittorio já no carro. Ele ficou sem palavras ao vê-la.
Dessa vez, o trajeto foi diferente. Conversaram um pouco mais. Ao chegar, Siena se surpreendeu, um terraço reservado, apenas os dois, com um violinista ao fundo.
Ela ficou encantada.
Durante a refeição, a curiosidade venceu.
— Que tipo de coisas você vai resolver nessa viagem?
— Trabalho — respondeu ele com calma. — Você mesma disse que não quer se envolver demais nesse mundo. Algumas coisas, mesmo que eu queira… eu não posso te contar.
Ela aceitou.
A conversa seguiu leve. Siena falava muito, ficava menos tímida quando se sentia segura. Vittorio a observava com atenção, fascinado pelo jeito dela.
No caminho de volta, dentro do carro, ele se aproximou devagar.
— Posso tocar em você? — perguntou, antes de levar a mão ao rosto dela.
Ela assentiu.
Vittorio acariciou seus cabelos, depois seu rosto. O desejo era evidente, mas ele se conteve.
— Fique tranquila, minha pequena — murmurou. — Eu jamais faria algo assim com você.
Beijou sua testa com cuidado.
— Preciso ir agora.
Abriu a porta, levou-a até dentro da casa e se despediu.
Siena ficou com vontade de pedir que ele ficasse. Em vez disso, o abraçou.
— Tome cuidado — disse, com um olhar que ele nunca tinha visto antes.
Vittorio retribuiu o abraço, respirou fundo, beijou sua testa mais uma vez e partiu.
Mais tarde, Siena encontrou as amigas na piscina. Passaram a tarde conversando, rindo, falando do casamento e da infância. À noite, assistiram filmes, cuidaram de si mesmas e conversaram até cansar.
Os dias seguintes passaram rápidos, quase iguais, leves, cheios de companhia e risadas.
Dois dias antes do casamento, a irmã e a amiga partiram.
A casa pareceu grande demais.
Sem perceber, Siena foi para o quarto de Vittorio. Já estava acostumada a dormir ali quando ele estava fora. Náo dormia bem em nenhum quarto, ou sozinha. Na verdade, a única noite em que dormira bem fora aquela em que ele a abraçara depois do pesadelo.
Demorou a pegar no sono, mas o cansaço venceu.
Durante a madrugada, acordou assustada ao sentir alguém na cama.
— Sou eu, minha Piccina — disse Vittorio rapidamente.
— Você me assustou…
— Você parecia tão cansada… não quis te acordar.
Ela suspirou.
— Eu não consigo dormir bem há dias. Só dormi bem com você. - disse ela sem nem perceber.
Vittorio sorriu de leve e a puxou para perto.
Siena se aninhou em seu peito.
E, pela primeira vez em dias, ambos dormiram em paz.