Algumas semanas se passaram.
A casa estava mais leve.
A relação de Siena e Vittorio tinha encontrado um novo equilíbrio.
Ele já não relutava tanto com a ideia da faculdade. Ela já não se sentia presa, e não sentia medo havia muito tempo.
Havia diálogo. Havia risos.
E havia uma intensidade entre os dois que parecia crescer a cada dia.
As noites estavam mais frequentes.
Mais próximas.
Mais conectadas.
O desejo dos dois eram consumidos em todas as oportunidades possíveis.
Siena se entregava por completo.
Ela se sentia escolhida todas as vezes que ele a puxava pela cintura.
E Vittorio… parecia querer reafirmar, em cada toque, que ela era dele.
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— Você mudou o lugar da minha bolsa — disse certa noite, quase ofendida.
Vittorio piscou.
— Eu só coloquei mais perto da porta.
— Mas eu deixei na cadeira.
Ele se aproximou devagar.
— Piccina… é uma bolsa.
Ela cruzou os braços.
— Você não entende.
Ele segurou o rosto dela.
— Então me explica.
Ela andava mais sensível.
Chorava por coisas pequenas.
Se irritava por motivos mínimos.
Mas antes que respondesse, sentiu o estômago embrulhar.
Nos últimos dias vinha sendo assim.
Enjoos leves.
Cansaço fora do comum.
Uma sensibilidade que ela mesma não reconhecia.
Vittorio começou a perceber.
Ela dormia mais.
Comia menos em alguns dias.
Em outros, queria coisas específicas demais.
— Você está bem? — perguntou ele, enquanto ela permanecia sentada na beira da cama, quieta demais.
— Estou… só cansada.
Ele a observou por alguns segundos.
— Vou te levar ao médico. Já está há muitos dias assim.
— Não precisa, Vittorio. Eu realmente só estou cansada.
Ele não estava convencido.
E, no fundo, já desconfiava. Sua piccina poderia estar carregando um filho seu.
Mas queria dar espaço para que ela percebesse sozinha.
— Se não melhorar, vamos ao médico. Tudo bem?
— Eu vou melhorar. É só questão de tempo.
Ele beijou o topo da cabeça dela.
— Vamos ver.
Ela respirou fundo.
— Eu vou precisar ir comprar os materiais da faculdade.
— Eu vou com você. Você está passando muito m*l esses dias.
— Eu vou com a Bea. Podemos levar as seguranças.
— Você não está bem para andar sozinha por aí.
— Eu não vou estar sozinha. A Bea vai estar lá. E as seguranças também.
Ele suspirou.
— Você é tão teimosa, Siena.
Ela sorriu de lado.
— Eu sei. Por isso você me ama.
— Sim eu amo. E você se aproveita disso.
— Eu vou ver se Luca precisa de alguma coisa. — Continuou. Tem certeza que vai ficar bem?
— Tenho...
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A mudança de Luca e Beatrice estava quase concluída.
A casa nova ficava a poucos minutos da de Vittorio.
Mais segurança.
Mais proximidade.
— Quanto mais perto estivermos, melhor — disse Luca, observando os homens descarregarem caixas.
Mas aquilo não era apenas sobre amizade.
Era estratégia.
Ele e Vittorio continuavam caçando o pai de Eduardo.
Contatos americanos estavam sendo pressionados.
Dinheiro movimentado.
Armas negociadas.
— Ele está se preparando — murmurou Luca.
— Eu também estou — respondeu Vittorio, frio.
Luca o observou.
— Você está muito tenso.
— Eu tenho uma família para cuidar. A segurança da minha mulher.
— Das nossas. Não esqueça que eu estava com você.
Vittorio assentiu.
— Eu sei. Estamos nisso juntos. Eu só estou com a cabeça cheia.
Luca concordou em silêncio.
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Vittório chegou em casa, e foi direto procurar por Siena, os dias m*l e a possibilidade dela estar carregando um filho seu, estava deixando ele maluco, parecia que só essa possibilidade o deixava mais possesivo, querendo deixa-la em casa, sendo cuidada somente por ele, como ele poderia deixar a sua mulher ir pra faculdade gravida.
Siena passou m*l outra vez.
Estava na cozinha quando precisou correr para o banheiro.
Vittorio foi atrás.
Segurou o cabelo dela.
Ajudou-a a se levantar.
— Isso já está ficando frequente demais.
— Eu estou bem. Já disse que vai passar.
Ela respirava fundo.
O coração acelerado.
E ali começou a se encaixar na cabeça dela.
As datas.
Os sintomas.
A sensibilidade.
Sabia que precisava tirar a dúvida
— Eu posso sair?
— O que você precisa? Eu peço para alguém resolver.
— Nada demais. Eu posso resolver sozinha.
Ele respirou fundo.
— Eu não vou invadir seu espaço. Mas você não vai sozinha. Leva uma segurança.
Ela assentiu.
— Obrigada, amor.
Siena pegou a bolsa e chamou uma das seguranças.
Foram até a farmácia.
Ela pegou o teste e foi direto ao caixa.
— Vocês têm banheiro que eu possa usar?
— Temos. No fim do corredor.
— Obrigada.
Foi direto.
Quando o resultado apareceu, ela ficou parada.
Imóvel.
As mãos começaram a tremer.
Um sorriso surgiu devagar.
Depois vieram lágrimas.
Não só de medo.
Mas também, e principalmente de emoção.
Ela estava grávida.
Siena tentou se recompor.
Precisava voltar para casa.
E principalmente… precisava contar para Vittorio.
Mas não sabia como. Eles nunca tinham falado sobre filhos, ela nem sabia se ele queria ter um filho um dia, por conta de vida que ele levava.
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— Amor! — chamou ao entrar em casa.
— Estou no escritório…
Siena tentou ensaiar mentalmente o que diria.
As palavras não vinham.
O coração batia tão forte que parecia querer saltar pela boca.
Ela precisava respirar.
Ligou para Beatrice.
— Bea?
— Oi! — respondeu animada.
— Precisamos conversar
— Precisamos mesmo. Aqui é tão diferente de onde morávamos… la era deserto — disse rindo
— Realmente aqui é diferente! Bea… Precisamos conversar sobre outra coisa — disse mais séria.
— O que foi? Você está me assustando.
Siena engoliu seco.
— É que eu…
Nesse momento, Vittorio entrou na cozinha.
Siena hesitou em falar quando ele entrou, não sabia como o marido reagiria, e queria que fosse um momento especial, queria fazer um exame de sangue antes também. Eram muitas coisas passando na cabeça dela ao mesmo tempo.
— Eu queria saber que horas vamos sair amanhã.
Siena quase deixou o celular cair.
— Pela manhã? — respondeu, tentando parecer normal. — Tenho algumas coisas para resolver a tarde.
— Ótimo. Quando acordar, te ligo. Quero resolver isso o quanto antes.
Do outro lado, Bea sussurrou:
— Siena? Era só isso?
Siena respirou fundo.
— Era sim… Boa noite.
Desligou.
Vittorio a observava.
— Vamos subir?
— Vamos…
Ele segurou a mão dela.
— Está tudo bem? Conseguiu resolver?
Ela forçou um sorriso.
— Está sim. E não era nada demais.
Mas as mãos dela ainda tremiam.
E ele percebeu.
— Tem certeza que está tudo bem? Sabe que não precisa esconder nada de mim.
— Tenho sim, não era nada demais.
Aquilo não convenceu Vittório, ele a conhecia muito bem!