Capítulo Final — Quando o Amor Vira Alvo

1179 Words
Siena não dormiu. Virou de um lado para o outro, o olhar preso no teto escuro. A mão repousava sobre o próprio ventre, ainda incrédula. Grávida. A palavra ecoava dentro dela como um segredo grande demais para caber no peito. Quando o sol começou a clarear o quarto, desenhando faixas douradas pelas cortinas, ela ainda estava acordada. Vittorio dormia profundamente ao lado dela. Sereno. Forte. Alheio à tempestade que ela carregava. Ela o observou por longos segundos. Ele vai surtar. Ele vai me proibir de tudo. Ele vai me m***r. Ou… ele vai sorrir? O coração apertou. Silenciosamente, saiu da cama. Pegou o celular. Ligou. — Bea? — Siena? São seis da manhã! — Eu preciso te ver. Agora. O tom era tão diferente que Beatrice sentou na cama imediatamente. — O que aconteceu? — Só… vem comigo. Antes do shopping abrir. Antes de todo mundo acordar. Eu preciso resolver uma coisa. E não dá pra resolver sozinha. Beatrice ficou em silêncio por um segundo. — Estou indo. Mas o Luca vai me m***r. — Vem sozinha. ⸻ Siena saiu antes de Vittorio acordar. Sem avisar. Sem seguranças. Apenas deixou um bilhete rápido na mesa da cozinha: Volto logo. Ela e Beatrice se encontraram com a cidade ainda despertando. — Você está pálida — Bea murmurou, segurando o rosto da irmã. — Está me assustando. O que aconteceu? Siena respirou fundo. — Eu preciso ter certeza. Beatrice franziu o cenho. — Certeza do quê? Siena apenas segurou a mão dela. — Vamos ao médico. Você vai entender. O exame de sangue pareceu durar uma eternidade. Enquanto aguardavam, o celular de Siena começou a vibrar. Vittorio. Ela fechou os olhos antes de atender — mas não atendeu. — Eu não vou atender — disse para Beatrice. — Ele vai ficar mais preocupado. E irado. — Ele vai entender depois. Vittorio ligou várias vezes. Ela continuou ignorando. A enfermeira chamou seu nome. Alguns minutos depois, o mundo parou. — Parabéns — disse a médica com um sorriso gentil. — Você está grávida. Siena ficou imóvel. Beatrice levou a mão à boca. — Não pode ser… — Pode, sim — a médica confirmou, mostrando o exame. — É muito recente, mas está tudo bem. Podemos agendar o início do seu pré-natal. Siena m*l ouvia. As lágrimas vieram primeiro em silêncio. Depois em soluços. Beatrice a abraçou com força. — Você vai ser mãe… Siena chorava e ria ao mesmo tempo. — Bea… e se o Vittorio não quiser? E se ele me proibir de tudo? — Ele vai amar essa criança — Bea afirmou com convicção. — Ele pode ser muitas coisas. Mas ele ama você. Siena pousou a mão no ventre. Um filho. Deles. O celular voltou a vibrar. Não dava mais para ignorar. Ela atendeu. — Onde você está? A voz dele estava alta. Mas estava controlada. O que era pior. — Eu… saí cedo. — Sem seguranças? Silêncio. — Siena. — Eu estou com a Bea. — Não foi o que combinamos. Ela respirou fundo. — Eu precisava resolver uma coisa. — Você não sai sozinha. Não depois de tudo. Você me prometeu. A irritação começava a ser atravessada pela preocupação. — Eu estou bem. — Eu sei que você está no médico. Já vi sua localização. Por que não me deixou ir com você? — Vittorio… eu não sei. Acho que precisava da Bea. — Nunca mais saia sozinha. Eu vou mandar os seguranças. Tenho algumas coisas para resolver. — Não precisa. Eu quero esse momento sozinha. — Siena. O que está acontecendo? — Eu explico depois. — Eu quero saber agora. Ou vou até aí. Ela fechou os olhos. — Eu vou te explicar quando estiver na sua frente. Agora eu preciso que cumpra o que disse sobre não invadir meu espaço… e confie em mim. Silêncio. Ele desligou. Estava furioso. Mas sabia que poderia ser algo sobre a gravidez, não queria ser grosso com ela e nem chatea-la, ultimamente tudo o que ele dizia, fazia ela ficar chorona ou irritada, então preferiu desligar. Pra evitar o pior Beatrice apertou a mão dela. — Ele vai surtar. — Eu sei. ⸻ Depois do médico, foram ao shopping comprar os materiais da faculdade. Era como se precisassem se agarrar à normalidade. — Vamos continuar com o plano — Siena disse, tentando se convencer. — Eu não vou parar minha vida. — Vai contar pra ele hoje? Siena sorriu, nervosa. — Hoje à noite. — Vou comprar uma roupinha pra entregar pra ele. Quero fazer uma surpresa — continuou Siena O sorriso dela ficou mais largo. Andaram por lojas de bebê. Tocaram tecidos pequenos demais para parecerem reais. Pela primeira vez, o medo deu espaço à esperança. — Marquei a primeira consulta do pré-natal. Semana que vem. Quero o Vittorio comigo. Vai dar tempo de ele aceitar. Beatrice riu. — Eu duvido que ele precise de tempo pra aceitar. — Você que parece precisar — continuou Beatrice. As duas riram. Foi Beatrice quem percebeu primeiro. — Siena… — O que foi? — Aquele homem de preto estava atrás da gente no estacionamento. Siena tentou manter a calma. — Deve ser coincidência. Mas não era. Entraram em outra loja. Ele estava lá. Mudaram de corredor. Ele reapareceu. O coração de Siena disparou. Ela pegou o celular. — Vittorio. — O que foi? — Nós viemos ao shopping. Silêncio pesado. — Siena… — Eu acho que estamos sendo seguidas. A voz falhou. Do outro lado, o mundo de Vittorio parou. — O quê? — Um homem de preto. Ele está aqui. A respiração dele mudou. Fria. Letal. — Escuta com atenção. Procura uma loja. Um provador. Qualquer lugar fechado. Tranca a porta. Eu e Luca estamos indo. — Vittorio… — Fica na linha comigo. Ela segurou a mão de Beatrice. — Bea… — Eu estou aqui. Os passos atrás delas aceleraram. Siena virou a esquina do corredor E deu de cara com ele. O pai de Eduardo. O sorriso era lento. c***l. Dois homens surgiram atrás. Beatrice tentou puxá-la. Tarde demais. Ele arrancou o celular da mão de Siena. Levou ao ouvido. — Vittorio… que saudade de falar com você. A voz do outro lado veio baixa. Mortal. — Se você tocar em um fio de cabelo da minha mulher, eu juro que te mato da forma mais lenta que puder imaginar. — Não precisa de tanta violência — respondeu, irônico. — Eu vou cuidar bem delas. Igual você cuidou do meu filho. Riu. Beatrice gritou. Siena tentou reagir. Mãos fortes as puxaram. O mundo escureceu. Antes de desligar o telefone, ele sussurrou: — Minha vez de tirar o que você ama. A ligação caiu. Vittorio ficou imóvel por meio segundo. Depois destruiu a mesa do escritório com um único golpe. — LUCA! O olhar dele já não era humano. Era guerra. — Ele pegou elas. Luca empalideceu. Vittorio respirava como um predador. — Ele acabou de assinar a própria sentença. A câmera de segurança mostrava o estacionamento. Um carro preto saindo. E dentro dele… Siena e Beatrice. Amarradas. Desaparecendo.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD