O jantar se estendeu mais do que Siena esperava.
Não por tensão, mas porque havia dias demais para serem preenchidos. Conversaram sobre a casa, decisões pequenas que tinham sido adiadas, lembranças soltas que surgiam no meio de uma frase. O clima era calmo. Íntimo. Quase comum demais para duas pessoas que carregavam tanto peso nos ombros.
Era confortável.
Vittorio foi quem quebrou o ritmo, pousando o copo devagar sobre a mesa, como se marcasse um território invisível.
— Siena… teremos uma cúpula.
Ela levantou o olhar no mesmo instante.
— Onde?
— Na casa do Luca e da sua irmã. — ele respirou fundo — O problema na região sul se agravou. Não dá mais para adiar.
Ela assentiu, tentando com a voz calma.
— Tudo bem, amor. Quando você vai?
O silêncio que veio depois foi curto. Mas carregado.
— Nós vamos.
Siena franziu o cenho imediatamente.
— Nós? — o incômodo escapou antes que ela conseguisse filtrar — Vittorio, você sabe que eu não gosto dessas coisas.
Ele não se alterou. Não precisava.
— Eu sei — respondeu com tranquilidade — mas você precisa entender algo. Você é a esposa de um chefe. Gostando ou não… isso te envolve.
Ela apoiou as mãos na mesa, insegura.
— Eu não sei me portar. Não sei o que falar, nem como agir nesse ambiente.
Não era resistência.
Era medo.
Vittorio se inclinou levemente para frente, a voz mais baixa.
— Você não vai participar da reunião da cúpula. — disse com firmeza suave — Mas preciso da sua presença no jantar. É política. Aparência. Aliança.
Siena ficou em silêncio por alguns segundos, digerindo aquilo.
— Tudo bem… — disse por fim — Quando vamos?
— Em uma semana.
Ela assentiu, já organizando tudo mentalmente.
— Vou ligar pra Beatrice. Vou precisar da ajuda dela. E de roupas.
O canto da boca de Vittorio se curvou, satisfeito.
— Eu levo você.
— Prefiro ir com a Beatrice — respondeu com cuidado — Precisamos conversar… sobre tudo.
O olhar dele escureceu por um segundo.
— Vocês não vão sozinhas. Luca é tão possessivo quanto eu. Ele jamais permitiria.
Ela revirou os olhos, mas cedeu.
— Então vamos com os soldados. Mas pede pra eles agirem normal? Sem parecer que estou sendo escoltada como prisioneira.
Ele suspirou, vencido.
— Posso pedir. Mas eles vão continuar por perto.
Naquela mesma noite, Siena ligou para a irmã.
— Bea… podemos ir ao shopping amanhã?
— Preciso avisar o Luca — respondeu ela rindo — mas podemos sim.
— Vittorio disse que ele é um cão de guarda igual a ele.
— Ele é — Beatrice riu — mas já me acostumei. Quando se trata de mim, ele late… mas não morde. Acho que o seu é igual.
As duas riram juntas.
— Então amanhã almoçamos lá mesmo?
— Certo. Boa noite, Siena. Estou com saudades.
— Eu também, Bea.
—
No dia seguinte, Siena acordou diferente.
Ansiosa.
Empolgada.
E assustada.
Andaram por lojas demais, compraram mais do que planejavam, mas aqueles momentos eram raros demais para serem controlados. Riram, provaram vestidos, reclamaram dos sapatos.
Mas os soldados nunca se afastavam.
— Eles não sabem agir normal — Siena murmurou.
— Luca mataria alguém se algo me acontecesse — Beatrice respondeu — Vittorio não seria diferente.
Siena respirou fundo.
— Estou nervosa com esse jantar.
— Eu também — Beatrice admitiu — vai ser o primeiro como esposa oficial do Luca.
— Eu e Vittorio nunca demos um jantar assim. Não casados.
— Luca disse que querem nossa imagem à mesa. — Bea deu de ombros — Somos símbolos agora.
Siena engoliu em seco.
— Todos aqueles homens… os olhares… me intimidam.
— A mim também — Beatrice confessou — mas não vamos enfrentar isso sozinhas.
Elas desviaram o assunto quando viram uma loja de sapatos.
—
Nos dias que se seguiram, a casa voltou a pulsar.
Havia carinho pelos corredores, i********e nos gestos pequenos, risadas inesperadas, roupas sempre espalhadas pelo chão. Mas, entre tudo isso, a preparação avançava roupas separadas, protocolos, avisos velados.
Siena sabia.
Aquela cúpula não seria apenas um jantar.
Seria o primeiro passo real dentro do mundo dele.
E não havia mais como fingir que não pertencia a ele também
Já no quarto, Siena dobrava roupas sobre a cama enquanto Vittorio observava em silêncio, sentado na poltrona, o paletó jogado ao lado.
— A viagem vai ser longa amanhã — ele comentou. — Saímos cedo.
— Eu sei. — ela respondeu sem levantar o olhar — Já deixei tudo separado. Não queria esquecer nada.
Ele se levantou, aproximando-se.
— As malas estão prontas?
— Estão. — fez uma pausa — Coloquei opções demais, provavelmente.
Um canto da boca dele se curvou.
— Melhor sobrar do que faltar. — tocou de leve o braço dela — Quer ir direto, ou parar no caminho? Posso pedir pra ajustarem o trajeto.
Ela negou com a cabeça.
— Prefiro ir direto. Quero… chegar logo.
Vittorio assentiu, compreendendo mais do que ela dizia.
— Então dorme bem hoje. — disse baixo — Amanhã eu cuido de tudo.
Siena fechou a mala, respirou fundo e o encarou.
— Só… fica perto de mim lá.
Ele levou a mão ao rosto dela, firme e calmo.
— Sempre.
Ela assentiu. Puxou a alça do vestido devagar.
— Vou tomar um banho antes de dormir.
Vittorio a observou por um segundo.
— Posso ir com você?
Ela não hesitou e de um pequeno sorriso malicioso.
— Pode.
O banheiro se encheu de vapor rápido. A água quente caía constante, abafando o mundo do lado de fora. O beijo calmo, logo foi interrompido pelo desejo dos dois, que estavam cada dia mais aflorado. As mãos firmes, deslizavam devagar pelo corpo dela, como se estivessem reaprendendo cada reação dela.
— Eu vou marcar cada canto desta casa como os seus gritos de prazer.