CAPÍTULO 17

645 Words
Kragnor apenas levantou o braço, num pedido mudo para não interferir. _ Não é isso, fêmea. Vejo que traz a espada do meu antigo comandante e amigo Gorfon. _ Ele foi meu atar. - ela lhe respondeu, e em nenhum momento desviou o olhar - Se fosse seu amigo, saberia que ele partiu. _ Quando a notícia chegou da sua partida, foi muito tarde para prestar as minhas honras. Mas… - ele começou a se aproximar devagar, mas ela não abaixou a espada, nem os seus olhos desviaram dos seus - por que fez isso? - apontou para o grande número de feras atrás dela. Ele queria muito perguntar como ela conseguiu fazer tal façanha. _ Tenho certeza de que não é isto que quer saber. - perspicácia brilhou nos olhos da jovem fêmea - Vamos fazer o seu joguinho monarca. - cuspiu a última palavra - Este rito tem de ser modificado… - começou a dizer - estão matando os filhotes. Que tipo de ohtars querem provar o seu valor matando filhotes? Alguns os matam apenas por prazer. _ Compreendo a situação. Isso podemos resolver. Mas por que prender os jovens? - Kragnor olhou a suas crias paradas a poucos passos de si, junto com Celegorm. Os olhos inquietos e surpresos de Níniel lhe cortavam a alma, como também as perguntas mudas nos seus olhos e os de Feanor. _ Como eu ia chamar a sua atenção para isso? Mesmo se eu matasse a todos, não acharia uma forma de passar a minha mensagem para os futuros. Eu teria de ficar morando aqui eternamente para deixar claro que a jângala é território proibido. Portanto… teria de matar muitos. E tenho outros planos para mim. A fêmea falava de matar de forma tão natural que Kragnor levantou a grossa sobrancelha intrigado, se perguntando como foi sua criação ou o que a levou a ser desta forma. _ Quais são seus planos? - a ponta da espada encostou no peito dele e ela sorriu. _ Quero a nave de Gorfon. - a resposta direta o surpreendeu - Quero uma boa tripulação e o direito de realizar todos os tipos de missões. _ Você é muito jovem! - retesou-se ele irritado - Tenho comandantes muito mais experientes que podem fazer tais missões sem causar dano. _ Sou melhor que eles… pois não tenho medo… - fez a sua espada descer e rasgar as suas vestimentas - e nada a perder. Um filete de sangue desceu pela camisa de Kragnor o fazendo trincar os dentes, não pela dor, mas pelo atrevimento. Num momento de fúria, ele bateu na espada dela e agarrou o seu pescoço a levantando do chão. _ Quem você pensa que é para me desafiar assim? - a viu se debater um pouco, mas depois segurou as suas mãos no seu pescoço e sorrir - Nem as minhas crias eu toleraria tal ousadia. Yeldë ou não de Gorfon, terá que me obedecer. _ Nunca… - respondeu à fêmea sorrindo friamente, ainda segurando os seus braços. Foi pego de surpresa quando os olhos dela ficaram azuis e foi jogado para longe como uma folha. Uma gigantesca redoma amarela a circundava, fazendo todos recuarem, pois o poder era tão grande que queimava. Eru tentou ajudar o monarca a se levantar, mas estava tão surpreso que nem percebeu quando a língua antiga dele se manifestou também, o jogando para longe. _ Sou Melphierr, yeldë de Gorfon da tribo Narmohtar, ex-comandante deste reino. Como vencedora do rito, eu reivindico meu prêmio, a nave de meu pai e o direito de ser comandante. - gritou ela para que todos ouvissem. _ Terá que se curvar, fêmea… - os olhos de Kragnor estão azuis e furiosos como nunca - perante seu monarca. Diante de tamanha afronta, estou disposto a lhe ensinar uma dura lição. Peço perdão ao meu amigo por isso.
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