Celegorm, prevendo a gravidade, vai até ela e a ajuda a descer devagar.
Mesmo de longe, Melphier sabe da gravidade da ferida e, por alguma razão desconhecida, sente pesar pela pobre fêmea.
Ainda não entende as emoções que a ligam à pobre fêmea.
Melphier os segue em silêncio até o pequeno abrigo improvisado. Não é difícil entender que a fêmea está sentindo fortes dores quando se senta próximo ao fogo.
_ Celegorm… - disse o jovem macho ao reconhecer o outro que trazia a sua seller - O que houve? - quis saber, preocupado.
_ Sua seller foi mordida. - respondeu Celegorm, pegando uma bolsa que trazia atada às costas, retirando uma caixa. Suor escorria do seu rosto, enquanto transpirava preocupação.
_ Isso não foi nada. - disse a fêmea, respirando com dificuldade.
Feanor olha a seller com preocupação antes de examinar a sua mão que já demonstra sinais em mörna.
_ Temos que levá-la até o nosso atar. - o rosto que sempre demonstra uma certa petulância agora está apavorado - Tenta extrair um pouco do veneno, Níniel. - orientou.
Níniel está se enfraquecendo rapidamente, mas ao tentar invocar o poder na língua antiga, não conseguia.
_ Se tentarmos movê-la, o veneno se espalha mais rápido. - disse Celegorm, estendendo uma manta no chão e a fazendo deitar - Temos que dar um jeito de socorrê-la.
_ Precisamos de uma curama. - Feanor disse-lhe, observando que as manchas negras começam a se espalhar.
_ Tente extrair o veneno. - Celegorm o pediu enquanto amarrava uma atadura no seu braço para que o veneno não avançasse.
_ Eu não consigo usar o poder. - respondeu Feanor, a observando e achando-se um inútil, por não conseguir salvar a seller.
O vento soprou forte, levantando parte da parede do abrigo, fazendo Feanor xingar enquanto tenta amarrar a parede no lugar.
_ Foi uma péssima ideia vocês terem vindo. - resmungou Celegorm, usando todos os remédios que trouxe na vã esperança de que algum deles a ajudasse, mas sabia que somente um milagre poderia salvá-la.
De onde estava, Melphier observa atentamente os machos tentando resgatar a jovem fêmea. Sabia que eles não sabiam o que estavam fazendo e que aquele abrigo não aguentaria a noite que se inicia. Os seus prisioneiros estão muito melhor protegidos que eles, além é claro… bem guardados.
Vários gaoith dhearg estão se formando rapidamente pelo terreno em que estão, sinal mais que claro de que nunca ficaram longe da vista dos pais. A sua visão mostra-lhe que várias criaturas da noite estão se movendo lentamente na direção deles, Gloks. Criaturas, nada amistosas!
Eles são presas fáceis, Melphier pensou, sentindo uma grande frustração dentro do peito.
Se o veneno da tasa-bruja morë não matasse a fêmea, os Gloks a matariam e comeriam as suas carnes. Os machos ali não seriam páreo para eles.
Olhou para o céu e respirou fundo antes de grunhir e se afastar irritada. Não precisa daquilo!