Isil já está alta no céu e Feanor não tinha retornado para junto da sua seller, até mesmo Celegorm está preocupado com a demora dele. Horas mais adiante, o mesmo surge exultante com a cabeça de um gardeon nas mãos.
_ Vou colocar na parede da minha câmara… - revelou, exibindo a grande cabeça, empolgado - Você precisava ver Níniel… - colocou a cabeça próximo a seller que fez cara de repulsa - foi uma luta memorável! Ele enfiou as grandes garras na minha carne… - virou as costas e mostrou as grandes marcas que sangravam, fazendo a sua seller arregalar os olhos - Está vendo? - perguntou empolgado com os olhos brilhando, nem parecendo sentir os ferimentos - Se ele tivesse-me acertado, eu não estaria aqui. Atar vai ficar orgulhoso quando as ver.
_ Está insano?! - Níniel foi até ele, o segurou pelo braço, o fazendo se virar - Não precisa se matar para impressionar o nosso atar. - tocou nos ferimentos, o fazendo grunhir ao se afastar.
_ Isso dói! - gritou, furioso.
_ Isso pode romper. - ela disse, preocupada, se afastando, indo procurar algo na sua bolsa - Devemos colocar pomada e colocar ervas. - achou uma caixa preta e voltou para junto dele - Temos de limpar… - estendeu a mão e um pequeno círculo azul apareceu no seu braço e um jato de água saiu da sua mão. Por mais que usar magia estivesse se tornando fácil para ela durante os treinos reforçados, ainda se sentia muito cansada após cada um. Com dificuldade, lavou bem os ferimentos, mesmo com as reclamações de seu irmão, depois aplicou a pomada e faixas - Fique aqui que vou procurar as ervas. Não quero que isso se torne um problema para nós. Só quero retornar no final do terceiro chabay.
_ Não precisamos voltar por causa de uns arranhões. - reclamou Feanor.
_ Se você tiver febre, teremos sim. Então o seu valioso prêmio não servirá de nada. - retrucou, irritada.
_ Você está exagerando. - ele disse-lhe, pensativo, olhando para cima - Sinto cheiro de tempestade, está se aproximando rápido. Não demore!
- São só algumas ervas. - foi até o abrigo, pegou uma manta e lhe deu - Fique próximo ao fogo. - orientou antes de se afastar.
Celegorm bufou irritado ao ouvir aquilo, tinha de vigiar as crias do monarca, mas isso não quer dizer ficar doente. Mas tinha de concordar com a fêmea, foi imprudência de Feanor em se arriscar de tal maneira. Todos ali sabiam os riscos que corriam naquele lugar.
Os ventos sopram fortes enquanto Níniel olha com dificuldade para a vegetação à sua frente em busca de uma pequena flor roxa que serviria de anti-inflamatório caso seu irmão tivesse febre. Em uma das suas mãos, trazia um pequeno buquê de ervas, mas ela tinha certeza de que acharia aquela última ali. Tinha estudado o lugar e recebido instruções detalhadas de cada setor. Como também sabia que estava próxima demais do pântano, terrenos arenosos a cercam, lar da tão temida tasa-bruja morë (serpente n***a). Sabe que ela gosta de lugares úmidos e escuros, além, é claro, de gostar de caçar à noite. Níniel se arrepiou toda só de pensar na possibilidade de encontrar uma.
Ao longe, ela avista numa elevação onde a tão preciosa erva cresce vigorosa, mas para alcançá-la só escalando a parede pedregosa ou subindo numa alda que parece frágil aos seus olhos, mas é alta o suficiente. As primeiras manchas de água aparecem no solo e nas suas roupas, alertando e apressando a sua decisão. Sem grande dificuldade, colocou as ervas que trazia na mão no chão e começou a sua escalada. Testou algumas galhas antes de subir nelas, mas entre os arbustos Celegorm está apavorado com a possibilidade de ela cair. Se acontecesse algo com a herdeira… Nem queria pensar no que seu atar faria com ele.