Os homens do conselho sempre viram Reese como um pirralho alimentado por colher que herdou o caminho para o último andar do Thompson Hotels, que era uma verdade simplificada demais. Sim, ele estava no cargo de diretor de operações porque seu pai havia fundado a Thompson Hotels, mas não era como se ele não estivesse trabalhando. Como COO, Reese estava encarregado das operações diárias da empresa, o que não era uma tarefa pequena.
- Meu filho, você tem uma reputação irreverente de playboy. - afirmou Alex, e não era pela primeira vez. - Eles apenas estão sendo cuidadosos Reese.
- Eu trabalho malditamente perto de oitenta horas por semana. - Reese quase berrou. - Meus olhos sangram por causa dos relatórios fiscais.
- Você tem que ser legal, mano. - seu irmão Tag aconselhou, com um sorriso sincero. Seus pelos faciais eram tão grossos que ele parecia estar usando barba.
O irmão mais novo de Reese dirigia os Serviços de Convidados e Restaurante da Thompson Hotels. Ele fez muitas viagens para inaugurações de hotéis e eventos de bar e restaurante. Normalmente, você não podia colocá-lo em um terno. Hoje, ele havia evitado o seu estilo de Indiana Jones em troca de calças cinza e camisa branca. Os dois tentaram de alguma forma agradar o conselho.
- Eles também não gostam muito de você Tag. - disse Alex, inclinando a cabeça para o outro filho.
Com isso, Tag sentou-se em sua cadeira e tirou o lápis de seu híbrido de r**o de cavalo e coque baixo. Tag contrariava o sistema todas as chances que ele tinha, por isso não era de admirar que o conselho não tivesse apreciado sua bravata. Ele trabalhou duro, mas seu estilo era mais desagradável do que corporativo e todos aqueles velhos sabiam disso.
A confusão sobre quem ocuparia o cargo de CEO era apenas entre Reese e o conselho. Tag não queria. Alex estava se aposentando. O outro irmão deles, Eli, ainda estava no exército em uma guerra no deserto e não estava interessado.
- Eu tenho uma ideia pai. - Anunciou Reese. Algo que estava girando em sua cabeça desde que Anny Saunders, encharcada, entrou em seu escritório e enfiou uma maçaneta na mesa.
À menção de uma ideia, Alex esperou seu filho mais velho continuar a falar. A sobrancelha de Tag arqueou.
Tag conhece seu irmão muito bem. É claro que Reese apresentaria um plano antes de desistir de ser nomeado CEO. Pode ser um plano improvisado, principalmente antiquado, mas era um plano.
- Anny Saunders veio ao meu escritório esta manhã para falar comigo sobre meus planos de reformar o Hotel Saunders.
Quando Reese terminou de falar, seu pai, Alex, arqueou a sobrancelha esperando que o filho continuasse a falar.
- Ela saiu do meu escritório furiosa. - continuou Reese. ― Saiu do meu escritório quinze minutos depois, mas antes me insultou de todos os nomes na frente de Phil Lightman.
- Espera irmão, deixa ver se eu entendi. Você está reformando o Saunders? - Tag perguntou e Reese assentiu. - Esse lugar é um marco. - disse Tag um pouco espantado e continuou. - Subam todos a bordo do trem arrebentador de bolas. - Tag falou em tom de brincadeira e Reese lançou um olhar seco pra ele depois deu um sorriso.
- De certa forma, é. - Reese concluiu.
- Que merda Reese. - Alex disse com uma risada rouca. Seu pai usava um terno cinza elegante e uma gravata quadriculada caprichosa e usava uma combinação completa de bigode/cavanhaque branco que complementava seus grossos cabelos brancos.
Ele era ex-militar, musculoso, tinha cérebro e poder, e bolas suficientes para dizer o que ele queria dizer.
- Merda é a palavra certa pai. - Tag estremeceu. - Eu conheci Anny Saunders. Ela ama esse hotel. Aposto que ela enlouqueceu com o que você está fazendo.
Reese franziu a testa. Ele nunca tinha conhecido Anny antes desta manhã.
- Onde você conheceu Anny Saunders?
- Na conferência de suprimentos de hotel. - Tag respondeu dando de ombros.
Reese assentiu com a cabeça. De fato, se houvesse alguma festa ou conferência de negócios hoteleiros, Tag estaria lá. Essa é uma das razões pelas quais ele era muito bom no que faz por Thompson. Ninguém socializava como Tag.
- Na conferência cheguei a falar com ela e seus pais sobre o HS. Era óbvio que ela ama aquele prédio mais do que seu potencial final. - Disse Tag.
- Mau negócio. - Alex falou.
- De fato, Anny é mais do que apenas uma garota de números. - afirmou Reese, concordando com seu irmão e seu pai.
Sua paixão por seu hotel era uma marca na coluna de prós de Reese, porque ele tinha algo que ela queria. Que ele apostaria que ela faria qualquer coisa para voltar a ter.
- E eu tenho um problema de imagem. - Disse Reese.
Alex grunhiu em acordo com o filho.
- O fato é que o conselho me vê como um príncipe rico e mimado prestes a herdar o reino. Eles não confiam em mim. Para eles eu sou inquieto, um solitário. - na verdade na palavra dos tablóides era de ele era um playboy. Ele não se importava com o título ofensivo, mas não era falso. Ele gostava da companhia de várias mulheres, consensualmente, é claro, e não estava disposto a se desculpar por isso.
- Você quer dizer um mulherengo. - Tag afirmou.
Reese olhou furioso para seu irmão.
- Última opção então. - Tag ergueu a mão em sinal de rendição e sorriu, mostrando seus dentes brancos e retos, graças ao aparelho que ele usou até dois anos atrás. - Pulador de cama em cama. - como Frank, o i****a, havia chamado seu irmão durante a reunião.
Reese concordando ou não, a reputação estava lá e não estava indo a lugar algum. Enquanto os acionistas permanecerem puritanicamente datados e o conselho lhes entregasse suas bolas - inclusive a integrante do conselho Lilith, porque Reese apostaria ases em que ela possuía - Reese teria um problema. O que significava que ele tinha que mudar seus modos nefastos.
Na aparência.
- É, eu tenho que alterar essa percepção deles. - disse Reese. - Preciso passar de um homem que gosta da companhia de muitas mulheres a um homem que gosta da companhia de uma mulher.
- E você pode fazer isso? - Tag sorriu.
- Você é muito espertinho Tag. - Reese o ignorou e continuou. - Quando eles me virem acomodados, aconchegados em uma rotina, eles prestarão mais atenção às realizações que eu fiz até hoje na nossa empresa. A imprensa terá que relatar a mulher que me domesticou, em vez das mulheres que eu descarto. - não era assim que ele agia, mas não havia como convencer o mundo exterior.