Claramente, a mulher que acabara de sair estava aqui em outros assuntos... ou em negócios passados. Se algo mais clandestino estivesse acontecendo aqui, provavelmente Reese pareceria mais desarrumado. Por outro lado, ele provavelmente não bagunçava o cabelo durante o sexo. Pelo que ela coletou sobre ele através da mídia, Reese provavelmente não deixava o cabelo bagunçado.
O pensamento sarcástico combinou com uma visão dele saindo daquele traje, perseguindo nu e preparado, seus músculos ficando salientes a cada passo de pernas longas. Olhos azuis afiados focados apenas nela...
Ele se virou para encará-la e ela saiu de sua imaginação e piscou olhando para a barba por fazer cobrindo uma mandíbula perfeitamente angulada. O que havia naquele indício de desagrado no rosto perfeito que a fez prender a respiração?
Suas grossas sobrancelhas escuras saltaram um pouco quando seus olhos se aproximaram de seu peito.
Ela zombou antes de arriscar um olhar para sua camisa de seda encharcada. Onde ela viu o contorno perfeito dos seus dois m*****s. Uma pontada de calor iluminou suas bochechas, e ela cruzou os braços altivamente, olhando-o da melhor forma possível, enquanto lutava contra o constrangimento.
- Parece que esta manhã de abril está mais fria do que você esperava Anny. - Ele falou demoradamente.
E foi aí que qualquer atração rebelde que ela pudesse ter sentido por ele teve uma morte bem rápida. No momento em que ele abriu a boca, seus hormônios puxaram o freio de emergência.
- Corte a merda, Thompson. - Ela retrucou.
A borda da boca de Reese se moveu de lado, deslizando a barba por fazer em um padrão ainda mais atraente. Mas ela não estava aqui para ser insultada ou patrocinada.
- Eu ouvi algumas notícias. - disse ela.
Ele não mordeu a isca.
- Seu pai comprou o Saunders. - ela continuou.
- Sim, ele adicionou o Saunders ao portfólio da família. - Ele respondeu friamente.
Portfólio. Ela sentiu o lábio enrolar. Para ele, o HS era apenas um número em uma planilha. Nada mais. O que também pode significar que ele não se importava o suficiente para continuar com essas mudanças ridículas.
- Há um erro. Minha mãe tem a impressão de que muitos dos acessórios nostálgicos e antigos do prédio serão substituídos. - ela jogou a maçaneta pesada em cima da mesa dele. Uma poça de água da chuva se acumulou em sua mesa escura ao redor da maçaneta.
Reese respirou fundo e foi para a mesa, um bloco de madeira preta da cor do coração dele, e descansou uma mão nas costas de uma cadeira de couro brilhante.
- Sente-se por favor. - ele tinha mãos masculinas para um cara que passava seus dias em um escritório e tempo livre comendo almas, e elas eram tão perturbadoramente masculinas quanto o pescoço que delineava sua mandíbula.
Ela não queria se sentar. Ela queria marchar até lá e dar um tapa no sorriso pomposo do rosto dele. Então ela se lembrou da blusa comprometida, dobrou os braços sobre os s***s e sentou-se conforme solicitado.
- Você venceu esta rodada, Thompson.
Reese deu um sorriso de lado, se sentou na cadeira e apertou um botão no telefone.
- Bobbie, a senhorita Saunders precisará de um carro em quinze minutos.
- Sim senhor.
Então ele se dignou a dedicar quinze minutos para Anny. Que i****a.
- Eu não quero um carro Thompson.
- Não? Você está pensando em voltar caminhando? - mesmo sentado, ele exalava poder. Seus ombros largos e fortes enchiam seu terno escuro, e uma gravata cinza com um brilho prateado pendia de uma camisa branca.
- Sim. - ela se perguntou a que hora do dia ele finalmente desistia e arrancava o nó perfeito da gravata. Quando ele se rendia ao botão superior.
Outra labareda de calor a atravessou. Ela odiava a maneira como ele a afetava. Ela estava tão ciente dele. Isso era injusto.
- Você estava dizendo algo sobre besteira. - Ele disse suavemente, e ela percebeu que estava sentada ali olhando para ele em silêncio por um longo tempo.
Ela limpou a garganta e pensou em tudo que precisava dizer a ele.
- Você não pode redesenhar o Saunders Hotel. Ele é um marco nessa cidade. Você sabia que o hotel foi o primeiro a instalar elevadores? O chef do hotel criou o snickerdoodle. Esse edifício é um fio integral entrelaçado no tecido desta cidade.
Ela apertou os lábios. Talvez ela estivesse sendo um pouco teatral, mas o Saunders tinha importância histórica para a cidade e, além disso, uma história pessoal para ela. Ela estudou na faculdade e se formou em administração, seu sonho de dirigir o Saunders. Um sonho que ela realizou e estava vivendo até este pequeno tumulto.
- Eu sou nascido e criado em Chicago, Srta. Saunders. Você não está me dizendo nada que eu não saiba - ele disse, parecendo estar entediado.
- Então você sabe que remodelar o Saunders não faz sentido. - ela continuou, usando seu melhor aliado: a razão. - Nosso hotel é conhecido por seu estilo. Os hóspedes vão lá para experimentar uma parte viva e respirável de Chicago. - ela parou para pensar se iria entrar em um monólogo sobre como nem os incêndios puderam destruir o sonho, mas optou por não o fazer.
- Meu hotel, Sra. Saunders. - ele a corrigiu.
Dele. Um fato que ela havia percebido apenas alguns minutos atrás. Um dardo de dor atravessou o centro do peito. Ela deveria ter exigido ver o contrato que seus pais assinaram antes de passar por aqui em uma chuva torrencial e desfilar seus m*****s pelo Sr. Terno e gravata. Ela estava quase tão chateada com seus pais por esconder isso dela quanto com Thompson, pensando que ele poderia entrar e assumir.
- Não importa quem é o dono do edifício, você precisa saber que roubar o estilo de Saunders o tornará apenas mais um hotel caiado de branco e sem graça. - disse ela.
Seu estômago revirou. Se ela tivesse que testemunhar eles rasgando o carpete e substituindo-o por azulejos brancos brilhantes ou vendo uma lixeira cheia de maçanetas antigas, ela poderia simplesmente perder a cabeça. A moldura toda feita à mão, os medalhões no teto... cada peça do HS havia sido preservada para manter a integridade do passado. E agora Reese queria apagá- lo.
Ela ouviu a tristeza surgir em sua voz quando voltou a falar.
- Provavelmente, deve haver outro caminho.