Marina
Eu estava deslumbrada, era a primeira vez que eu estava viajando para um lugar tão chique e mesmo sendo uma viajem de negócios, não poderia negar o nervosismo de estar pela primeira vez sozinha em um lugar com o S.r. Dylan. E pior de tudo longe da minha mãe a única que me ajudava a cuidar da Jade e não a colocar em perigo, porém Dylan me garantiu que teremos empregadas a nosso dispor se acaso precisarmos. A entrada principal da mansão que mais parecia um palácio era esplendorosa, sua aparência clássica e moderna, exatamente o tipo de casa que imaginei que Dylan compraria, ainda mais na Itália. As paredes brancas como algodão dava um ar elegante e discreto, havia uma enorme escadaria de concreto, também havia um lindo jardim com árvores e flores, me dando o aroma tropical e me fazendo de alguma forma me sentir em casa.
Passei pelas altas portas, olhando tudo em volta sorridente, enquanto Dylan segurava o bebê conforto. Era de se admirar o homem de negócios que ele tinha se tornado, só essa semana ele irá fechar três contratos com alguns investidores, não apenas isso como irá ter uma festa de negócios, m*l posso esperar para ficar trancada no quarto tentando fazer jade adormecer que nem uma louca quando essa festa acontecer. Se bem conheço Dylan terá muitas amigas dele, ele realmente é popular com as mulheres eu sei disso porque sou sua principal secretaria e recebo todos os seus e-mails, Dylan disse que confia em mim quando se trata de assunto pessoal e da empresa, talvez seja por isso que eu neguei o convite de uma tal de Anna que o chamou para tomar um drink e lembrar os velhos tempos.
Não, me desculpe, sabe eu não vou posso tomar Drink com você, tenho uma bebê para cuidar. Isso me torna altamente antissocial.
Não é como se fosse obrigação dele cuidar da Jade, embora ele seja o padrinho dela, e isso o faz ser um grande candidato para ser meu ajudante.
__Dylan, quem é vivo sempre aparece, não é? - Uma garota morena de olhos azuis e maquiagem forte, trajando um vestido preto agarrado desceu as escadas. Nossa parece que beleza é o sobrenome dessa família.
__Daiana, aposto que já está indo para mais uma das suas festinhas acertei?
__Sim, e não voltarei hoje à noite, aliás você é a famosa Marina, não é? Quem te deu permissão de roubar o Sam de mim? - Ela dá um passo na minha frente e recuo surpresa.
__Como é? - Retruco confusa.
__Não liga para minha irmã, ela sempre teve uma quedinha platônica pelo Samuel, mas ele sempre a viu como uma criança birrenta, que é o que ela é - Sorriu irônico
__Muito engraçado. Eu já tenho vinte anos sou uma mulher, olha para ela, não parece muito diferente de mim, como ele a viu como mulher e eu não? - Olhou para o irmão indignada - E ainda tem uma filha dele. Isso é um absurdo, tudo estava bem com Samuel até você aparecer. Me olha acusadora e engulo seco sentindo o mar de dor vir novamente.
__Chega Daiana, você já estava de saída, não estava? Então vá agora! - Exclamou irritado.
__Claro, espero que não destrua a vida do meu irmão também, porque está claro que ele gosta de você - Sai trombando em mim.
__Não liga para ela. E isso porque ela não herdou a genética r**m do meu pai ou seria pior, se bem que seu pai não é muito diferente, minha mãe e seu dedo podre para macho.
__Ela me odeia - Fungo sentindo as lágrimas descerem.
__Daiana odeia a humanidade, o único de quem ela gostava era o Samuel. Perder ele foi muito difícil para ela porque ambos estavam brigados, ela não queria que ele fosse embora por minha causa. Mas ninguém prende o Samuel, a única pessoa a fazer esse milagre foi você - Segura meu queixo sorrindo.
__Acho que não, afinal de contas ele se foi de qualquer maneira - Abaixo a cabeça cabisbaixa.
__Você não acredita nisso, se acreditasse não estaria usando a aliança que trocaram, pendurada no seu pescoço - Seus dedos gélidos descem segurando o objeto e o olhando atentamente, percebo um vestígio de tristeza em seu olhar.
__Dylan, eu não sei se um dia vou poder deixar de amá-lo. Talvez se tivessem encontrado o corpo.
__Chega Marina, eu não vou te pressionar a me amar, só não quero te ver iludida achando que um belo dia vai acordar e Samuel vai estar aqui bem na sua frente. Isso não vai acontecer, e você só vai sofrer se não conseguir superar a morte dele e virar a página. Vai por mim, agora vou te mostrar seu quarto.
Dylan carregou o bebê conforto e as malas subindo as escadas e eu o segui sem graça. No fundo sabia que ele estava certo, mas meu coração não queria aceitar, eu o amava demais para perdê-lo de uma forma tão trágica e triste. Dylan destrancou a porta para mim e me entregou minha filha, não sem antes segurar uma mecha do meu cabelo e me olhar profundamente nos olhos.
__Eu tenho que resolver algumas coisas para a festa amanhã, se tiver alguma dificuldade é só procurar minha segunda mãe Valentina - Gesticulou para uma senhorinha de cabelos grisalhos e vestido florado.
__Senhorita Marina, acertei? Que bom finalmente conhecer a mulher que trouxe sorriso novamente para o rosto desse rapaz - Dylan coça a nuca sem graça.
__Dylan é um pouco difícil mesmo - Sorri genuinamente.
__Ótimo, vocês vão ter tempo o suficiente para falarem m*l de mim, agora já vou. Não esqueça da lista que te mandei sobre minhas intermináveis qualidades Valentina, faça propaganda de mim como se sua vida dependesse disso - Ele pisca para mim e beija a bochecha dela se retirando.
__Esse garoto. Mas deixe-me ver, essa princesa é filha do Samuel, não é? - Eu aceno tímida.
__Sim, é filha do Sam, quer ver? - Entrego para ela empolgada - É a cara dele não acha? Psiu, não vamos fazer barulho se não ela começa a chorar e não sei como desliga-la - Tiro a manta para mostrar e ela ri olhando para mim curiosa.
__Talvez eu entenda por que Samuel se apaixonou por você dessa forma. Um homem raro como ele...não seria qualquer mulher que tocaria seu coração, e você tem isso, essa individualidade que o menino Samuel sempre teve, ele sempre foi tão diferente do irmão e dos primos - Sorri para ela.
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Eram exatamente 4 horas da madrugada, isso mesmo, foi exatamente nesse horário que jade começou a chorar como se o mundo fosse acabar e o pior, faziam apenas poucas horas que finalmente tinha conseguido fazê-la dormir. Por que ninguém nunca minha avisou que ter filho era tão difícil? Me levantei na força do ódio, com olheiras enormes, descabelada e fui parecendo um zumbi até o berço.
__Jade? O que você quer? Eu já te alimentei, o que você quer? - Debrucei no berço choramingando, ela desviou os olhinhos na minha direção, em seguida voltou a chorar, parece que eu assustei a pobre criança. Esfreguei o rosto e peguei ela com cuidado no colo.
__Vamos dar uma volta pela cozinha. Você deve estar com fome de novo, vou preparar o leite está bem? - Converso com ela que parece entender o que eu disse. Coloco ela no bebê conforto e vou para cozinha, deposito ele em cima da mesa e a viro de frente para mim - Assista sua mãe cozinhando - Posiciono com cuidado.
Agora preciso encontrar os utensílios, pego o leite na geladeira, sua mamadeira e coloco em cima do balcão, agora preciso de uma caneca para esquentar. Aonde um homem organizado como o Dylan colocaria suas canecas, começo a abrir as portas rapidamente, procurando as canecas no meio dos alumínios quando acidentalmente deixo algumas panelas caírem no chão causando um barulho enorme.
__Shiii jade. Não faça barulho tem gente dormindo - Sussurro para minha filha olhando por cima na mesa. E volto a ficar de joelhos guardando as panelas de volta no lugar. Ergui meu pescoço lentamente e avistei as canecas na parte dos vidros no armário. Como eu não vi isso antes? Levantei de uma vez a bati minha cabeça na quina da mesa caindo de b***a no chão.
__Aii minha cabeça - Escutei uma risada e franzi a testa. Me levantei rapidamente olhando para minha filha.
__Não ria, não tem nada engraçado, respeita sua mãe - Falo seriamente e ela continua rindo. É o Samuel purinho, a gente demora nove meses para carregar um filho e ele vir a cópia do pai. Voltei a analisar onde estava as canecas certamente não vou conseguir alcançar, então arrastei uma cadeira para subir em cima. Subo cuidadosamente para não fazer tanto barulho e tento alcançar as benditas canecas, qual a necessidade de colocar no alto - Estou quase lá - Meus dedos estão prestes a tocar na caneca vermelha de alumínio quando percebo um movimento estranho e meu corpo deslocar rapidamente para o lado, estou preparada para o tombo que vou tomar, quando dois braços abraçam minha cintura me puxando para frente antes de cair, assustada, apoio meus braços em seus ombros buscando segurança. O encaro em choque.
__Me desculpa - Gaguejo nervosa desviando meu olhar para outra direção que não seja suas safiras azuis.
__Achei que era um assalto, mas é só a furação Marina como sempre - Ele me desce no chão buscando meus olhos, enquanto encaro meus próprios pés envergonhada.
__A culpa é sua se quer saber, para que colocar as canecas tão alto olha - Aponto para cima.
__Estou vendo, talvez seja porque não quero que ninguém as pegue? - Sussurra no meu ouvido e passa por mim sorrindo irônico. Suspiro, enquanto ele abre a porta do armário e tira um canecão de alumínio de dentro. Ele passa por mim me fitando e me entrega o canecão.
__Obrigada - Sorri sem mostrar os dentes.
__Pensando bem vou te ajudar a preparar, só por precaução sabe - Pega de volta.
__Você vai preparar o leite da Jade? - Começo rir.
__Está duvidando do meu potencial? Você ficaria surpresa em saber o ótimo cozinheiro que estou me tornando - Se gaba.
__Ah é? Desde quando o impecável senhor Dylan resolveu se interessar por cozinhar e sujar suas belas mãos com isso?
__Desde que te conheci, ver você cozinhando me deu inspiração - Fala honestamente e não consigo evitar de sorrir.
__A propósito, se um dia se casar comigo poderá viver como uma rainha e eu irei fazer questão de cozinhar todos os dias para você - Coloca a água na caneca, enquanto o assisto sentada na mesa apoiando o queixo - Aposto que está tentada em aceitar, não está? Será que você realmente merece um homem como eu? Eu sou muito areia para qualquer mulher - Colocou a mão no queixo pensativo e rolei os olhos.
Dylan prepara o leite da Jade com uma agilidade incrível, como se tivesse treinado para fazer isso, e me entrega.
__Toma, faça bom proveito - Pisca galanteador.
__Obrigada vou testar - Olho para ele sorridente e coloco minha filha de frente para mim. Começo a alimenta-la e Dylan se senta de frente para mim, a olhando orgulhoso enquanto ela come.
__Viu só?! Ela adorou - Sorriu convencido.
__Isso é porque ela estava com muita fome - Desconverso e ri. Jade termina de mamar e pego ela no colo com cuidado para leva-la para o berço, Dylan me acompanha.
__Olha como ela dorme, uma princesinha dormindo - Balanço ela enquanto ele abre a porta para eu entrar.
__Realmente ela dormiu.
__Ela estava com fome. Comeu, a raiva se foi e dormiu como um anjinho - Explico sorrindo. Me curvo para colocar ela no berço, quando estou quase tirando o braço por debaixo dela, Jade começa a chorar pior do que antes.
__O que houve? Ela acordou? - Dylan pergunta, e o olho desesperada.
__O que eu fiz de errado? Eu não entendo - Ergo ela de volta balançando com força e chora ainda mais - Tem algo que a está deixando com raiva, o que eu faço? Será que ela está com dor? Vamos para um hospital agora - Bradei desesperada.
__Posso pega-la? Talvez ela só queira um colo paternal, e não seja nada demais.
__Sim, ela quer o colo do Samuel, mas ele não está aqui - A balanço incansavelmente - E agora Dylan? Como fazemos ela parar de chorar? Podemos entregar de volta para a mãe dela? - A olhei apavorada.
__Marina, você é a mãe dela. Se acalme está bem?
__Verdade. Psiu, eu sou sua mãe, fique quietinha, Jade, Jade!!
__Me dê ela primeiro, vamos fazer um teste - Dylan estica os braços.
__Está bom, mas certamente não vai adiantar. Eu que sou a mãe dela, não consegui fazê-la parar de chorar - Entrego com cuidado e Dylan a segura sorrindo e começa a balança-la, imediatamente Jade parou de chorar e fico o olhando quase hipnotizada. Coloco a mão na boca a chocada.
__Como assim? Ela parou de chorar. Que piada é essa?
__Não disse? Normal, ela está vislumbrada com meu rosto. Aposto que está pensando que sou algum tipo de anjo pela beleza que emana de mim... - Sorri docemente para minha filha e faço uma careta.
__Eu vou me deitar ao lado dela, para ficar mais confortável.
__Dylan não faça isso. Não ouse roubar toda atenção da minha filha - Falo brava.
__Shii Marina, tranquila. Ela certamente vai me querer como pai dela.
__Seu interesseiro, não tente se aproveitar da situação Dylan.
__Boa noite Marina, se quiser pode dormir no sofá ali do lado. Eu se fosse você pegava um cobertor aqui costuma ser bem frio a noite - Debocha e me virei furiosa.
(.....)
Abri meus olhos vagarosamente, incomodada com a claridade, tampei a luz com a mão e me virei para o lado no sofá descansando meu rosto na minha mão. Avistei Dylan dormindo sereno abraçado com a Jade, poderia ser o Samuel, mas ele não está mais aqui entre nós. No fundo acho que Dylan tem razão, Jade já tem seis meses, vai fazer quase dois anos que Samuel morreu, e por mais que odeie admitir é a verdade, minha filha precisa de um pai que a ame e cuide dela. Eu mais do que ninguém sei o quanto a criação de uma família é importante, e porque esse homem não pode ser o Dylan? Não acho que Samuel ficaria chateado com isso, ele sabe que ninguém amaria mais a nossa filha do que o primo dele.
Dylan abre os olhos de repente e me encara de forma profunda e por algum motivo dessa vez eu não desvio o meu olhar do seu, o sustentando por alguns minutos.
Eu vou aprender a te amar.
__Good morning - Mexi a boca para ver se me compreendesse.
__Good morning - Respondeu sorrindo de canto, fazendo meu coração se aquecer por um momento.