NARRAÇÃO DE BRADY DAWSON... Olhares já não me incomodavam mais; com o tempo aprendi a conviver com eles. Meu nome sempre foi falado demais. Mas, naquela noite, com Sara ao meu lado, cada par de olhos fixos em nós dentro do bar parecia sufocar. O incômodo tinha uma única raiz: o desejo reprimido de tocar seus cabelos, de deixar escapar um gesto de carinho. E, ao mesmo tempo, o medo de vê-la virar alvo de comentários maldosos. Agora que havia conquistado a confiança da mãe dela, eu não me permitiria colocar tudo a perder por olhares curiosos. Sara parecia à vontade, sorridente, naquela atmosfera que lhe inspirava confiança. Seus brincos de argola balançavam levemente, e eu os admirei com discrição. Quando o dono do bar surgiu com o licor, dirigiu-me um sorriso respeitoso, quase reverente.

