BETINA O silêncio do celular era a minha única arma. Uma faca de dois gumes, que cortava ele lá dentro, mas me esfaqueava aqui, a cada minuto que passava. Cada vibração que eu ignorava era uma vitória pequena e amarga. Uma tentativa desesperada de proteger o que ainda restava de mim daquela tempestade de ciúmes doentios que ele insistia em trazer para a nossa vida. Já faz um mês. Um mês desde aquela última visita íntima, desde a promessa que eu fiz no chão frio daquela cela. E desde então, o Renan tinha se transformado. O homem confiante, meu rochedo, tinha dado lugar a um estranho possessivo e paranoico, cuja prisão não era mais apenas de concreto, mas mental. As mensagens não eram mais de saudade; eram interrogatórios. "Onde você tá?" "Com quem?" "Por que demorou?" "Tira uma foto aí

