BETINA Mano, quando o rádio do Tatu chiou, meu sangue gelou na hora. Eu tava já sentada no sofá, o corpo tremendo, o coração batendo tão forte que parecia que ia sair pela boca. O Tatu tava na porta, a glock na mão, os olhos fixos no rádio, e eu sentia o ar faltar. A Cecília tava no carrinho, choramingando baixo, o Ben agarrado na minha perna, me olhando com aqueles olhinhos assustados. A nossa casa tava quieta, só o barulho do vento nas frestas da janela e a moto que parou na frente de casa, mas aquele chiado cortou o silêncio como uma faca. — Tatu, é o Pereba. Tem novidade no hospital, mas é treta braba. Prepara a dona Betina, porque as coisas vão esquentar. — a voz do Pereba saiu rouca, urgente, e eu senti um frio na espinha, como se soubesse que vinha merda. O Tatu pegou o rádio, ol

