Carolina desceu as escadas correndo, assustando-o um pouco. Ele se levantou, franzindo a testa, pronto para defendê-la do que fosse ou se justificar de algo que ele não sabia se tinha feito. Ela foi até ele, com seus olhos grandes, vivos e espertos, como se não tivesse muito tempo e precisasse vê-lo de perto antes que ele se dissolvesse. E de fato, ela não tinha todo o tempo do mundo para isso.
- O que houve? O que aconteceu no andar de cima? - ele perguntou.
-Nada aconteceu! Como você descobriu meu tamanho de roupa?
- Que pergunta sem sentido é essa? - franziu a testa.
- Por favor, eu quero saber. Eu tive um dia de merda e eu quero saber por que me escolheu isso! Como escolheu? Você me achou gorda demais para as outras peças? - tinha os olhos fixos nos dele.
- p***a, lá vamos nós outra vez. - sentou no sofá.
- Eu... sei identificar o tamanho de uma mulher. Um homem deve ser especialista nisso. A perfeição gera a prática, Carolina . Eu posso descobrir o número da sua lingerie sem que você fique nua para mim.- Ele riu.
- Eu fiquei nua na sua frente! Ou de toalha, que é a mesma coisa. - fez uma cara de desapontamento.
- Quase a mesma coisa. Quase - apontou.
- E eu não te acho gorda. O fato é, Eliezer traz modelos, aqui. O tamanho delas é quase o dobro do seu, essa foi a melhor calça que encontrei.
- Então... não me acha gorda? - soou aliviada.
- Eu não faço ideia do que andam dizendo para você ou se todas as mulheres são assim, donas de baixa estima, mas, por favor, gorda? Não, você não é! Eu toquei você, forte demais, eu sei exatamente onde seu corpo começa e termina. Agora, ser magra ou gorda como você diz, são apenas rótulos, é apenas uma força de expressão. Isso não importa.
- Eu sei, eu sei disso. Eu sei que eu devo estar contente comigo mesma.. - respirou fundo, sentando do lado dele.
- Mas eu ouvi coisas hoje e ver que nem todos os homens julgam assim, é bom.
- Querida, homens não possuem um filtro entre o cérebro e a fala. Nós somos diretos demais. Se algum homem te disse isso, bata nele. Ou me avise e eu trato de cuidar disso. - tocou-lhe a coxa.
- Você pretende me proteger mais uma vez, então? - sorriu, olhando a mão dele.
- Eu não sei por que ofereci essa ajuda, agora, francamente, mas eu não deixaria alguém menosprezar você assim, a troco de nada. Eu jamais disse isso a uma mulher, não fui criado assim.
- Como você foi criado, então?
- Mulheres devem ser respeitadas. Elas geram vidas, mesmo sendo mais frágeis que nós. Elas sentem dores e desejos que nunca poderíamos entender. Você não deve se aproveitar de uma, a menos que ela queira. - sorriu.
- André , de que conto de fadas você saiu? Eu nunca ouvi nada parecido com isso. - sorriu de volta.
- Eu não saí de um conto de fadas. Na verdade, minha vida não teve nada disso, nem um pouco. - levantou-se.
- Percebeu que eu não posso falar nada e você se irrita comigo? Eu quero saber de você! - exclamou.
- Não há nada para saber de mim! Tudo o que há para saber eu já disse ou está no Google. Vamos para a festa de uma vez.
- Não vai ter no Google a resposta do porque você me ajudou essa noite!
- Eu ajudei você, porque você parecia frágil e descuidada para mim. Eu não pude lidar com aquela imagem e estamos aqui. Pare de fazer o que faz com a minha cabeça. Por Deus!
- Eu não faço. As coisas que você diz, são porque quer dizer. Porque assim como eu sei que você não vai me machucar, você sabe que eu também seria incapaz, mesmo com palavras. Você diz coisas, porque como já disse, gosta de falar. Talvez você nunca encontrou alguém que soubesse te ouvir.
- Todas as pessoas dessa cidade me ouvem, Carolina , não é isso.
- Mas não o que você quer dizer! Não o que pensa, de verdade. Você usa a Internet como apresentação! As pessoas não sabem quem você é, elas sabem o nome da sua faculdade ou quanto tem na sua conta. Eu conheci você hoje. Você, não uma página da web.
- Isso não muda nada, fora esses números eu não sou ninguém! - disse alto, com o rosto sério.
- Você foi meu protetor! Sem me mostrar sua conta bancária. Não seja ridículo. Você é um homem bom, André .
- Você não sabe nada de mim! Você é uma garota exagerada, como todas. - sorriu com sarcasmo.
- Eu posso ser. Sou uma leonina, dramática, exagerada e louca. Eu devo ser louca por estar aqui tentando puxar essa máscara de você e te mostrar que você é mais do que acha, porque você está se desmerecendo e eu esperava mais do homem que me salvou.
- Leonina. Interessante, agora eu sei um único fato sobre você, enquanto você sabe minha vida toda. - rolou os olhos.
- Eu sou uma garota comum, com uma vida irritante e sufocante. Você não vai achar nada de mim na Internet, além do meu perfil no f*******:. - cruzou os braços, encolhendo-se.
- De qualquer forma, você pode perguntar o que quiser. É o seu direito.
- Bem. Eu tenho perguntas para você.
Os dois se olharam por um tempo. Carolina tinha os olhos fixos nos dele, com uma expressão valente, esperando as perguntas, embora seus pensamentos fossem “O que ele vai querer saber de mim? Não tem nada para saber! Minha vida é um saco, eu já avisei.”, sua respiração era leve e seu corpo tinha a postura perfeita, seu rosto estava erguido, para ver o rosto dele. André puxou o ar e quando ia perguntar, Eliezer entrou pela porta da cozinha, se dirigindo rapidamente até a sala.
- Vou precisar atrapalhar vocês. Alguém chegou e está te procurando, Carolina. É melhor você ir, você sabe como é.
- Droga! Agora? - seus olhos se tornaram tristes.
- Já faz um tempo...
André não se intrometeu, mas seu rosto endureceu. De quem falavam? Definitivamente fazia parte de mais um dos segredos que ele não conseguiu alcançar. Colocou os braços para trás do próprio corpo, acompanhando os dois, que saíram mais à frente dele.
“ Eu nunca vou saber dela! Que troca ótima. Ela vai levar minhas verdades e eu não vou saber p***a nenhuma.seus pensamentos tinham certo grau de desapontamento, mas não tanto até que viu Cristiano com os braços abertos, sorrindo e olhando fixamente para a garota que ele acabara de proteger.
- Eles não tem qualquer semelhança, não são irmãos. É o namorado! Namorado! Todo esse tempo com ela e... namorado! Onde ele estava quando deveria estar aqui? - seu olhar lançava faíscas Cristiano, enquanto assistia Carolina ir, com o rosto vermelho, olhar baixo e passos lentos até ele.