Capítulo 4
ADRIAN NARRANDO
Eu tenho meus motivos, para minha indiferença com a Victoria, que talvez um dia venham a tona, mas depois de um dia maravilhoso com a Lisa, ao retornar para o hotel, eu resolvi passar no quarto da Victoria, não sei exatamente porque, apenas me deu vontade e eu fui, mas quando entrei e vi seu rosto com a claridade do abajur, finalmente, percebi as evidências do sofrimento de Vick: vestígios de lágrimas em seu rosto, olhos inchados e a expressão abatida enquanto dormia, vencida pela exaustão emocional.
Eu observo a Vick, sentindo um peso de culpa e compaixão por um breve instante, porém ela se casou porque quis e tudo tem consequências.
Por um momento, uma sensação de humanidade me toma, uma compreensão momentânea do sofrimento que eu causei. Ela é apenas uma garota, de outro mundo, se vendeu, mas é uma garota.
Então eu me aproximo e com cuidado me deito ao lado dela, tentando não acordá-la. Não posso explicar porque resolvi dormir aqui, eu não me importo com ela, talvez porque estou cansado e a cama aqui está mais fácil. A sensação de sua presença próxima, mesmo sem palavras, era uma quebra na barreira de frieza que eu havia construído, só que eu espero que ela não se iluda com isso.
VICK NARRANDO
O amanhecer suave começava a filtrar-se pelo quarto, e me despertou lentamente, inicialmente bem confusa pela sensação diferente ao meu lado. Ao abrir os olhos, me deparei com o Adrian, adormecido próximo a mim.
– Ele dormiu comigo? No mesmo quarto, na mesma cama?
Uma onda de emoções contraditórias me invadiu. O choque inicial de acordar ao lado dele deu lugar a um sentimento de esperança, uma centelha de expectativa de que talvez as coisas pudessem mudar entre nós.
Automaticamente me enchi de expectativas, imaginando que aquele gesto inesperado pudesse indicar uma mudança positiva em nosso relacionamento, um possível reconhecimento do impacto de suas ações sobre mim.
Cautelosa, mas cheia de esperanças renovadas, eu considerei a possibilidade de que talvez aquela noite pudesse ser um ponto de virada, um indício de um tratamento mais atencioso e gentil por parte dele.
O sol da manhã banhava o quarto completamente agora, quando ele despertou, lentamente se reorientando ao ambiente ao seu redor. Ao abrir os olhos, ele percebeu que eu observando-o, um instante de admiração que eu não consegui esconder.
Pega de surpresa ao ser flagrada, senti um rubor aquecer minhas bochechas. Eu me encolhi um pouco, envergonhada por ter sido pega em um momento de vulnerabilidade e admiração.
– Desculpe, eu... não queria incomodar.
A vergonha me tomou por completo, mas também um leve receio de ter causado uma situação desconfortável. Eu desejei poder me esconder daquele momento, da exposição de sua admiração não expressa.
– Tudo bem, Victoria. Não há problema.
Ele fala sem emoção como sempre.
Apesar da vergonha momentânea, eu senti um certo alívio por ele não ter feito dela uma situação mais constrangedora, permitindo-lhe um pouco de espaço para se recompor emocionalmente. Eu fico admirando ele, nunca ficamos tão próximos, então mesmo com vergonha resolvo quebrar o silêncio, tentando buscar aproximação e intimidadë com ele.
– Sabe, eu nunca dormi ao lado de um homem antes... Por isso, me senti um pouco envergonhada. Não sei se percebeu.
– Nunca dormiu com um homem?
– Não.
– Diferente, hoje as mulheres não se preservam tanto. Não vai me dizer que também é virgëm?
– Não tenho porque sair dormindo por aí com homens. E respondendo sua pergunta, sim, eu sou virgëm.
Falo um pouco mais ríspida, ele acha que sou uma qualquer que já passou por várias camas?
Aparentemente ele percebe que fiquei chateada e fala.
– Entendo. O assunto está encerrado já que isso a deixou desconfortável.
Mas mesmo assim Adrian me responde com desdém, e mesmo que eu esteja sendo uma tola, eu quero que meu casamento der certo, então eu falo.
– Apesar disso, foi bom acordar e... bem, ter você por perto.
– Ok. Agora eu preciso levantar!
– Vamos ficar no mesmo quarto agora?
– Talvez, mas não se iluda. Vamos acertar muitas coisas ainda.
– Pode adiantar algo da nossa conversa?
– Não teremos filhos.
Ele fala friamente sem se importar com o que penso, eu me sento na cama e ele se levanta, então percebo que ele está apenas de cueca, eu fico com vergonha, mas não falo nada.
Eu sempre sonhei em ser mãe, mas agora eu fico sabendo que Adrian não pretende ter filhos, afinal qual o meu papel na vida dele, se ele não queria se casar comigo, porque a proposta? Porque ele aceitou? Eu fui obrigada pela situação do meu pai, mas e ele? Ele poderia apenas ter me rejeitado logo antes de casar, do que me rejeitar agora que já estamos casados.
Eu fico perdidas em meus pensamentos e ele entra no banheiro e fecha a porta, depois de alguns minutos ele sai de toalha, já tomado banho. Eu me levanto e entro no banheiro, tiro minhas roupas e ligo o chuveiro.
– Só dele dormir na mesma cama comigo, acredito que é um bom sinal.
Falo para mim mesma.
Eu termino o banho e quando saio do banheiro o quarto está vazio. Ele simplesmente saiu e me deixou sozinha novamente.
Visto uma roupa e quando vou sair do quarto para procurar Adrian, meu celular apita. Eu pego e vejo uma mensagem.
– Tenho muitas coisas para resolver hoje, e depois prometi almoçar com a Lisa, faça o que quiser hoje, tem um cartão na recepção para você.
Adrian me ignora como se eu fosse apenas uma intrusa no meio dele e da sua amiga Lisa, será que eles tem algo? Será que ela é apenas uma amiga mesmo?
Eu sinto vontade de chorar, mas eu sei que chorar não vai resolver nada. Eu decido ficar no quarto, não conheço nada aqui, nem sei para onde iria se descesse.
– Será que ele vai dormir aqui novamente? Adrian algum dia vai me olhar como esposa dele?
Eu pergunto para mim mesma sabendo que essa pergunta, só o tempo poderá responder.