Matteo Quando ouvi os passos leves vindo do andar de cima, soube na mesma hora que era ela. Ninguém caminhava daquele jeito pela casa. Era como se o chão a reconhecesse, como se os móveis se curvassem para recebê-la de volta. Fechei a pasta com alguns papéis no escritório e fui até o corredor. Ao chegar no final do corredor, lá estava Hanna de pé, vestindo aquele vestido preto longo que ela gosta com as costas nuas. Os cabelos ainda úmidos do banho caíam soltos nos ombros, e os olhos... ah, os olhos dela. Mesmo sem a visão completa, já brilhavam diferentes. Como se estivessem reaprendendo o mundo. — Não conseguiu dormir direito? — perguntei, me aproximando. Ela sorriu, encolheu os ombros, e disse que acordou com fome. E queria ver a casa. Com os olhos. Aquilo me atingiu com força. Era

