Freya
As coisas têm andado tensas ultimamente.
Dá para sentir no ar. Talvez seja apenas por que estamos todos alertas com o ataque contra Pandora, mas algo me diz que algo grande está vindo.
Caminhei pelas ruas até a sede da Casa vermelha, ou “A Rubra”, como muitos dos frequentadores assíduos chamam. Do lado de fora, parece apenas uma construção comum, mas apor dentro as paredes pintadas em tons de vermelho variados e branco, demonstra que não é um lugar comum. Os sofás de couro e os garçons fazem parecer à primeira vista que se trata de um clube de strippers, mas não é o caso. Tudo foi pensado para atrair atenção e curiosidade de quem entrar no recinto. Várias salas privadas para receber clientes que querem privacidade na hora de escolher uma garota.
– O novo cliente já chegou? – perguntei a minha assistente assim que entrei.
– Sim, senhora. Ele a espera na sala ao lado. – diz.
Aceno e me encaminho para lá.
– Senhor, é um prazer recebê-lo no nosso estabelecimento. – cumprimento.
– O prazer é todo meu. Eu sou… – o interrompo.
– Desculpe-me. Não há necessidade de se identificar, é uma norma da empresa prezar pela privacidade do cliente. – digo cordial.
– Mesmo se ele for alguém mundialmente conhecido? – pergunta.
– Sim.
Seu sotaque é pesado e eu percebo imediatamente que ele é alguém que veio de muito longe.
– Então, você não sabe quem sou? – pergunta.
– Você preencheu o formulário, certo? – pergunto.
– Sim. – afirma.
– Ótimo. Então eu sei exatamente quem você é e o que quer. – digo.
– Parece que você é uma CEO muito despreocupada, senhorita. – zomba.
– Não se preocupe com isso. E eu não sou CEO de nada, apenas gerencio o lugar. – digo.
– Oh, é mesmo? E quem comanda? – continua a perguntar e eu começo a achar esse comportamento muito estranho.
– Outra pessoa. – dou de ombros.
– Eu gostaria de conhecer essa pessoa. – diz.
– Isso não será possível. Ela está fora da cidade. – digo.
– Ela? – indaga.
– Sim, ela. A pessoa a quem pertence tudo isso. – respondo começando a ficar chateada.
Estou começando a ter suspeitas sobre esse homem.
– Oh, certo. – diz.
– Diga-me, você veio com que proposito? – pergunto.
– Eu vim encontrar uma acompanhante. – responde.
– Ótimo. Já conhece as regras? – pergunto.
– Que regras? – pergunta curioso.
– A primeira e mais importante é que: essa não é uma casa de prostituição. Fornecemos acompanhantes de alto nível e só isso. Se o cliente tiver o desejo de ter relações com a acompanhante, deve pagar uma taxa extra exclusiva a acompanhante e deve assinar um termo de responsabilidade mediante a aprovação da própria acompanhante, se ela não quiser ter relações, você deve respeitar, se o protocolo for quebrado, o cliente será punido com uma multa altíssima e uma ação judicial. A segunda é: O cliente não deve perguntar sobre a vida pessoal da cliente ou sobre o ambiente de trabalho, é totalmente proibido e a acompanhante tem o direito de se retirar do local imediatamente se assim quiser. O restante das regras estarão nos documentos que o senhor assinará. – termino.
– E se a acompanhante mentir e disser que eu a forcei, mesmo que eu não tenha feito? – pergunta.
– Você tem duas opções. Ou você cumpre a regra número um, ou recebe a visita da nossa equipe. E eu garanto que a última é a pior que existe. – aviso.
O homem me observa desconfiado.
– O que eu tenho que pagar para ter uma mulher como você na minha cama? – sorri malicioso.
– Nem todos os seus bens seriam o suficiente. Eu não estou na lista, a menos que eu queira estar. E eu não quero. – digo tranquila.
Aquilo pareceu desagradá-lo um pouco. Não que eu me importe com isso.
– Quem você pensa que é? – pergunta chateado.
Ora, parece que ele finalmente está deixando a máscara cair.
– Eu sou a pessoa que administra esse lugar e você é só mais um homem arrogante que acha que pode comprar tudo o que quer. Mas comigo não, eu só deito na cama que eu quiser deitar e atualmente a minha cama é a única que me recebe. – rebato.
– Você sabia que eu posso acabar com esse lugar? – pergunta agora com o rosto vermelho de raiva.
Esse comentário me fez sorrir.
– Vá em frente e tente. – provoco.
– É isso que eu vou fazer. – sai batendo o pé.
Idiota. Ele nem sabe o que está prestes a provocar e não serei eu a dizer. Ele pode muito bem descobrir sozinho, já que é o maior homem do mundo.
Babaca.
Caminhei para fora da sala e de volta para a recepção.
– Ele já foi? – pergunto.
A moça da recepção me olha confusa.
– Não, senhora. Ele não passou por aqui. – diz.
Ah, então ele quer se aventurar.
– Toque o botão embaixo da mesa e me dê o rádio. – oriento.
O barulho de um alarme começa a soar e eu pego o rádio.
– Jay, temos um intruso. Sabe o que fazer. – digo.
– Sim, senhora. – responde do outro lado.
Começo a caminhar calmamente pelo mesmo corredor e não demora muito até que eu ouça os barulhos de um homem vindo do vestiário feminino. Teria sido melhor se ele tivesse entrado no vestiário masculino. Abro a porta calmamente e percebo que há muitas mulheres em volta do homem que está caído no chão. Todas elas nos mais variados estados de nudez, mas nem por isso deixaram de derrubar o invasor, que está caído no chão encolhido em posição fetal. Pelo que eu posso ver, há sangue em seu rosto e ele parece assustado.
Bem feito.
No mesmo instante, os seguranças entram e levam o homem para fora. Eu não preciso dizer nada, eles sabem exatamente o que devem fazer. Não é a primeira vez que algum engraçadinho tenta invadir o lugar e também não será a última.
Só mais um dia normal de trabalho.
Aceno para as meninas e me retiro novamente. Estava a caminho do meu escritório quando o celular tocou, percebi que era Hanson e fiquei imediatamente alerta.
– Alô?
– A senhorita Pandora convoca todo o conselho para uma reunião de emergência, deixe todas as missões que estiver executando e venha a Miami. Você tem dois dias para chegar aqui. Venha direto ao apartamento e traga uma mala para passar mais de uma semana. – avisa.
– Ok. – isso e tudo que eu digo e ele desliga em seguida.
Meu coração bate acelerado ante a perspectiva de ver a senhorita novamente e também participar de alguma missão lado a lado com ela. Era tudo que eu mais desejava nesse momento.
Deixo tudo que eu estava fazendo nas mãos de minha competente assistente, preparei minha mala e embarquei para Miami no dia seguinte. Eu não fazia a mínima ideia do que estava acontecendo, mas sabia que era algo grande, já que nos reuníamos apenas uma vez no ano e não era o momento para isso ainda. Ao todo éramos dez pessoas contando com Pandora. Apenas as pessoas em quem ela mais confiava ocupavam uma posição no conselho e a maioria de nós foi salvo por ela de alguma forma. E todos nós estávamos com ela apenas por pura lealdade.
Vivíamos para servi-la.
Cheguei a Miami era madrugada. Eu não sabia se devia ligar para alguém ou não, mas não foi preciso, já que um carro me esperava, o que só enfatizava o fato de que não deveria haver nenhum desvio. Cheguei ao apartamento e percebi que já havia alguns de nós reunidos. Cumprimentei os rostos conhecidos e desconhecidos e me encaminhei para o quarto que eu costumo ficar. Voltei alguns minutos depois e aguardei que Pandora terminasse uma conversa importante junto com os outros na sala de estar. Não havia realmente muita proximidade entre nós, apenas trabalhávamos para a mesma pessoa e nos respeitávamos por causa da nossa admiração mútua por ela.
Não demora muito até que Pandora apareça e me cumprimente. Algum tempo depois o restante do pessoal chega e ela sai nos apresentando aos três homens que estão junto dela. Dois deles são gêmeos e são muito bonitos, mas só de olhar percebo que um deles está totalmente cativado por ela, mas o outro me observa com um olhar intenso e interessado. Mesmo percebendo seu olhar para mim, foco meu olhar em Pandora e tento não deixar meu olhar desviar para ele, mesmo que seja algo um pouco difícil de se fazer, já que ele é tão bonito que faz meu coração palpitar um pouco.
Faz muito tempo que um homem não provoca essa reação em mim.
Seu olhar queima minha pele e embora eu queira lhe devolver o mesmo olhar, evito para não perder a concentração.
Terminada as apresentações, faz-se um momento de silêncio, mas como sempre, Chase pergunta o que todos queremos saber.
– Então… do que se trata tudo isso? – Chase pergunta.
– Vocês foram convocados há alguns dias atrás depois de dois ataques. O primeiro deixou dois dos nossos recrutas mortos e no dia seguinte um homem bateu na lateral do meu carro e tentou me explodir em uma clara saudação nada amistosa de alguém chamado Alteine. Hoje eu consegui obter documentos importantes que deveriam ter sido entregues aos meus pais se os Finlley não tivessem sido assassinados, porém, isso não foi possível. Agora, eu descobri finalmente, algo que vai nos guiar contra o inimigo que até agora era anônimo. Eu descobri que Alteine se trata na verdade, do irmão mais velho de Luther, ele era um infiltrado que tinha que ganhar a confiança do meu pai e depois deveria tomar o poder e assassinar toda a minha família, a primeira parte ele realizou com êxito, mas, ele não esperava que eu voltasse depois de sete anos e me vingasse, matando Luther e tomando o poder de volta. Ele me odeia porque eu tirei o que ele mais queria, o irmão e o poder que havia adquirido. – explica.
A medida que Pandora explica o que está acontecendo, percebo que se trata realmente de uma situação muito séria. Atentados em locais públicos e privados, a audácia da mente por trás disso é algo que precisa ser tratado com cuidado e cautela. Não estamos lidando com um qualquer, estamos falando de um profissional que parece ter preparado esse movimento por muitos anos.
Isso é guerra.
E eu estou ansiosa por isso.