Não poderia estar mais cansada, olhando para aquele quarto enorme tento ainda assim me acostumar. A casa está pequena para mim, trouxe Joelma comigo, mas mesmo assim sinto falta de Maik e Mel. Maik vive mais perto de mim, que tudo. Faz exatamente uma semana que me mudei depois que voltei de Nova York. Escuto meu celular tocar, e percebo que é Kathe.
__ Oi. -Digo com uma voz fraca. A gripe me pegou de jeito.
__ Que voz é essa mulher?.- Pergunta ela feliz, por um motivo que eu estava mais que curiosa saber.
__ Gripe. – Digo e ela suspira.
__ Ah entendi. E aí por algum acaso você teve notícias de Dominic?.-Perguntou como se aquilo acontecera antes comigo. Mas não. Eu simplesmente não tinha notícias nenhuma dele depois que voltei de Nova York. Mas por que ela estava curiosa para saber?
__ Por que?.- Pergunto.
__ Nada Rachel, somente curiosidade. – eu conhecia Kathe e pelo que percebi, ela estava estranha. Muito mesmo!
__ Ah claro!. – Conversei com ela por alguns minutos, até que desligamos a gargalhadas. Ter ela como amiga, era sem dúvida alguma algo bom. Era louca, mas na medida certa. Levanto com aquela dor de cabeça péssima e com a barriga enorme. Ainda não escolhi o nome, mas sei muito bem, que será algo impactante. Escolho um short larguinho mesmo, e uma blusinha larga de dormir, sem sutiã. Meu quarto era no segundo andar, era todo em porcelanato. O piso era de um bege bem claro, o qual refletia minha pessoa. O closet é enorme, fiz questão de doar tudo de Frender, não queria nada dele presente aqui, nada que me fizesse chorar, lembrar ou ter algum envolvimento. Lembranças já bastavam!
Olhei ao redor, não me acostumando com aquele lugar, mas seria ali.
__ Com licença. – Joelma como educada ao extremo.
__ Tem alguma coisa que possa fazer por você senhora?. – Perguntou sem muito entusiasmo, pois sempre negava tudo que estava assim. Digamos que eu ficava chata e muito deprimida. Fato!
__ Por favor me traga uma água de c**ô. – Eu precisava comer, mas não estava nem um pouco animada. __ Vou tomar um banho. – Ela concorda e sai do quarto. Caminho ate o banheiro, e coloco a banheira para encher, jogando um pouco de sabonete floral, o qual trouxe uma fragrância inesquecível para o banheiro. Eu estava tão linda grávida, minhas bochechas se tornaram mais rosadas, minha cabeça rodopiava, e eu estava mais que gorda(o que não duraria muito, se eu não comer).
Escutei meu celular tocando e corri, batendo a d***a do meu dedo pequeno no criado.
__ m***a. – Digo atendendo o celular.
__ Oi Rachel. – Se antes estava péssimo, agora piorou mais ainda. A voz que me fez ficar de quatro fala, rouca e muito quente. Eu poderia de alguma maneira sentir seu hálito amentoado perto de mim, podia sentir suas mãos em mim, e sem dúvida alguma gostava!
__ Levisnk. – Disse suspirando
__ Esta bem?.- Perguntou forçado. Ou ele estava tentando ser gentil?
__ Sim, e você?.- Perguntei fria. Como ele havia conseguido meu número? Por que eu não podia resistir a aquele suspiro que ele sempre dava? Por que toda vez eu tinha que aceitar ele brigando comigo mentalmente como no passado?
__ Estou bem. Sua voz esta fraca, está passando m*l?.- Perguntou. Sorri baixinho diante de sua preocupação. Desde quando ele se importava?
__ Uma gripe bem forte. – Ele parece acelerar a respiração. Antes de falar qualquer coisa, apenas escuto ele.
__ Precisa de alguma coisa?.- Perguntou. Como ele poderia me ajudar, estando a uma distância considerada, longe de mim?
__ Não. – Eu olhei ao redor procurando algo, mas não sabia realmente o que era. Eu queria apenas ele, sim eu ainda queria ter ele me encarando. Mas não poderia, e não iria.
__ Ta bem. – Ele disse ainda querendo dizer mais alguma coisa, mas não ousou dizer nada .
__ Fique bem. – Disse e logo encerrou a chamada. Por que ele tinha mistério? Por que havia nele tanto medo de algum dia conseguir? Por que eu estava preocupada com ele tanto assim?
__ m***a. – Tampei meu celular sobre a cama e fui até o banheiro entrando naquela banheira que já havia se transbordado de água.
**
Olhei para todos os lados, mas infelizmente eu estava cansada. Meu corpo estava doendo, minha cabeça explodindo de dor e um pequeno aperto no peito. Mas mesmo assim, a minha pequena não parava de chutar.
Como Dominic poderia ter sido tão canalha em acreditar em Raynara? Quem garante que aquela víbora não está agora se aproveitando daquele corpo, que eu odiava-me por adorar. Ele foi único, cada sorriso, cada abraço, cada vez que fizemos amor tudo se significou para mim! Sim, e muito!
O que seria da pobre criança? Em hipótese alguma pensei na criança como um ser abominável, muito pelo contrário, ela é apenas um ser inocente. O que seria de minha filha quando perguntar pelo pai no futuro? E por que eu fui tão i****a por estar escondendo de Levinsk essa criança? É inadmissível eu sei, mas ele fez o maior pouco caso, sem falar que me deu dinheiro para tira-la. Pensar no quanto me magoei e o quanto seria estúpida caso tivesse seguido o conselho de Levinsk, não poderia imaginar ela chutando como estava. O céu já estava escuro, aa nuvens haviam sumido, dando lugar a um lindo luar de lua crescente. Estava tão iluminada naquela noite, estava tão magnífica. Escutei alguém bater a porta e vi quando Joelma entrou sorrindo.
__ Senhora, tem um moço querendo vê-la. – Disse olhando para mim sorrindo, enquanto passava a mão em minha barriga nua.
__ Diga que não estou? . -Era impossível, lá estava na batente da porta, parado me encarando como sempre lindo. Olhou ao redor, enquanto meus olhos se arregalaram. O que Levinsk estava fazendo ali aquela hora da noite? E pior ainda, na minha casa! Joelma entendeu meu olhar, pois logo se retirou. Ele estava sem a barba, já estava mais homem, o qual perdi, para sempre!
__ O que você esta fazendo aqui?.- perguntei me ajeitando na cama, e descendo a blusa tampando minha barriga. Levinsk me encarava com um olhar o qual não fui capaz de desvendar.
__ Você disse que não estava bem. – O que ele estava fazendo na minha casa?
__ Mas isso não quer dizer, que tenha o direito de estar aqui. – Ele sorriu fraco, caminhou para perto de mim, me colocou a mão na testa, e me encarou com um ar de dúvida.
__ Já Volto.- Saiu do meu quarto, como se tivesse sido convidado a estar ali, o que me impressionava em Levisnk, era o modo escroto que agia. Sabia exatamente o que estava fazendo e isso me trouxe uma certa raiva. Tentei levantar, mas ele logo retornou com sacos de comidas, e caixas de sucos. Sentou na beirada da minha cama, e colocou tudo no criado ao lado. Retirou da sacola um mousse de morango, uma talher de plástico. Da outra ainda em silêncio, retirou um sanduíche de frango, junto com um copo de suco de laranja. Com um olhar ainda malicioso, abriu um canudo, no qual enfiou no copo e me entregou.
__ Tome. – Me entregou o copo de suco, e logo em seguida um remédio comprimido. Estaria ele querendo me m***r mais rápido, ou talvez estava apenas provando o quão i****a ainda era? Não poderia julga-lo. Vou deixar ele agir, afinal de contas, estava ele sendo bom!
Tomei o remédio calada, apenas observando. Minha filha pulou e notei seu olhar, retirou o sanduíche me entregando.
__ Coma. – lá ainda estava aquele escroto, mas na verdade sabia muito bem que ele era assim em questão de saúde. Sabia também que ele era muito autoritário. Mas não disse nada, já estava ali mesmo, e estava fraca demais para brigar.
__ Você esta queimando de febre. – disse enquanto encarava o sanduíche sem vontade.
__ Não quero pirraça, coma. – Eu não poderia deixar, mas por minha filha não resisti. Comi tudo calada, e senti quando ele me encarou sem falar nada. Olhava minha barriga vez ou outra, e sem dúvida alguma o sanduíche estava divino. Olhei para o mousse e ele mais que depressa se esticou para pegar.
__ Me da. – Disse fazendo pirraça.
__ Ah que fofa, mas isso não é para agora. – Ele me chamou do que? Preciso de um médico urgente para ele, isso é verdade.
__ Temos que conversar...
__ Boa noite. – Olhei para porta e vi quando Adrian entrou pelo quarto vindo até mim, depositando um beijo em meus lábios. Levisnk abaixou o olhar, e se levantou.
__ Depois nós nos falamos. Mas tarde eu te ligo. – Não disse nada, apenas soltou minha mão, que por alto não percebi estar segurando. Como ele poderia ser tão bipolar? Desejei de todo coração que Adrian não estivesse ali, mas já que estava iria aproveitar. Olhei ao redor, e tirei o prato do sanduíche de cima de mim. Adrian encostou a mão em minha nuca com toda delicadeza, e me abraçou. Enquanto abraçava ele, senti meus olhos se encherem, não sei porque ele esteve ali na minha casa, não tinha porque! Não sei por que mais eu estava feliz e triste ao mesmo tempo por ter recebido ele ali, pois eu sabia que era forte, mas resisti-lo muito tempo perto, me deixava tonta. E eu saberia que ele era um erro, um pecado... mas eu não aguentaria fugir tanto daquele pecado. Ele era o pecado mais bem feito, mas também o canalha mais fiel.