Doc Abri o jaleco, joguei as luvas cirúrgicas no lixo e lavei as mãos na pia da enfermaria com mais força do que precisava. O sangue do Taylor ainda parecia grudado nos meus ossos. Não pelo ferimento — esse, Ghost acertou limpo — mas pelas marcas. As cicatrizes antigas. As novas. Os hematomas que não batiam com um simples “cai e me ralei”. Fechei os olhos. Respirei fundo. E fui até o salão, onde Hawk me esperava, em pé, de braços cruzados. A expressão dele era um misto de raiva contida e medo. Mas Hawk não admite medo. Ele transforma tudo em decisão. — E aí? — ele perguntou, direto, como sempre. Cruzei os braços. — Você não vai gostar do que eu tenho pra dizer. — Eu nunca gosto, Doc. Fala. — Ele foi torturado. Por dias, talvez semanas. Tem marcas de queimadura nos braços e costas.

