Desço as escadas do porão do MC com passos lentos, cada degrau rangendo como um lamento sob meus botas. O ar fica mais pesado, impregnado do cheiro de sangue velho e desespero. Já sei o que vou encontrar lá embaixo, mas a visão ainda me traz um sorriso frio. Roger está pendurado no gancho, os pés balançando alguns centímetros acima do chão, como um fantasma preso entre o inferno e a misericórdia que nunca virá. Fiz questão de mantê-lo ali exatamente pelos mesmos dias que ele deixou Taylor apodrecendo naquela cela. Justiça poética, diriam os fracos. Para mim, é só matemática: dor por dor, minuto por minuto. Seus olhos, antes cheios de arrogância, agora são dois poços de pânico. Quando me vê, ele se contorce, tentando gritar, mas só sai um arranhado rouco — as cordas vocais dele viraram car

