?Jack:
É tudo feito com muita rapidez.
Temos que ter pressa, ou não dará tempo de chegar em casa e tirar a minha mulher em segurança.
A medida que vamos avançando, mais tiros são disparados e eu tenho certeza que todo o condomínio está ouvindo o confronto. Vamos nos aproximando, com os meus capangas me dando cobertura, para que eu possa adentrar na casa, depois de furar o cerco.
Alguns homens estão caídos no chão, em poças de sangue. Uns já estão sem vida, outros agonizam e mais alguns estão com ferimentos leves, sem perigo de morte.
—Levem os nossos feridos para a van.—Aviso.—Os que tiverem um tubarão no pescoço, pode terminar de matar. Não economizem balas.
Com Mark a minha frente, adentro o primeiro andar da casa. Com minha arma apontada, certifico se estou seguro para continuar.
—Vão na frente.—Mark da a ordem.
Três homens caminham a nossa frente, fortemente armados, garantindo que avancemos em segurança.
Durante cada passo, meus pensamentos vão para a minha bonequinha. Ela não está acostumada com situações iguais a essa. Veio de um mundo diferente, de uma vida pacata. E algumas coisas já aconteceram com ela, por estar comigo. Meus inimigos já sabem como me atingir. Jogam baixo, focando ataques no mais fraco. Ellie m*l sabe manusear uma arma de fogo. Cada tiro que ela tenta disparar é um gritinho medroso ou um susto.
E agora com a possibilidade dela estar grávida. Gerando um filho meu, e correndo risco de vida. Sei que perderia a cabeça se algo acontecer com os dois. Eu enlouqueceria.
Maldita hora que saí e a deixei sozinha nessa casa. Ela precisa ficar bem, precisa estar bem. Suplico no meu interior que ela tenha se lembrado dos segredos que há na casa. Fiz questão de mostrar cada lugar seguro, onde ninguém poderia alcancá-la.
Os pais dela estão quase chegando.
Tenho que deixar tudo em ordem por aqui, passar um pano em Oklahoma. Jogar o lixo para debaixo do tapete, não posso causar uma má impressão nos meus sogros. Já terão um choque ao ver a minha aparência.
Ver que a bonequinha de porcelana da filha deles, está junto com um tatuado ogro igual a mim. Acho que ela não disse como eu sou, ou mostrou algumas das fotos que ela tira da minha pessoa enquanto finjo dormir.
Ela é tão inocente.
Pensa que eu não vi o álbum que ela tem de fotos minha dormindo, malhando, concentrado, sem camisa, ou nossas juntos.
—Tudo limpo.
Na sala há vários sinais de perfurações. Alguns móveis estão sujos de sangue, há três corpos espalhados. Um eu consigo visualizar ser dos nossos. O corpo depois será enviado para a família, que fará o enterro.
Subo as escadas com pressa, afim de chegar no quarto onde deixei a minha mulher. Os tiros já cessaram, se houveram sobreviventes inimigos, já fugiram.
Sinto algo frio passar pelo meu corpo, quando encontro o quarto metralhado. As janelas foram quebradas, a cama perfurada a golpes de faca.
—Nada aqui.—Mark fala pelo comunicador que todos eles usam.—Procurem por toda casa e região. Peguem os corpo, já sabem o que fazer com eles.
—Sei onde ela está.—Aviso ao chefe da minha segurança.—Se junte aos outros, a partir daqui eu sigo sozinho.
—Sim senhor.—Percebo que ele fala a contra gosto.
Ainda com a minha arma em punho, sigo pelo corredor, andando com cautela. Com a intenção de chegar até o escritório, onde há o elevador secreto.
Durante o percurso, percebo uma movimentação baixa. E num estrondo, um tiro é disparado. Acabo caindo no chão, sentindo uma queimação na minha coxa direita.
Ainda caído, vejo um inimigo no chão, segurando uma arma com dificuldade. Sem nenhuma dificuldade, miro nele e disparo repetidas vezes. De olhos arregalados, ele morre ainda segurando a arma.
—Tudo certo por aqui?—Mark aparece próximo a mim.—Consegue ficar de pé?
—Eu estou bem.—Dispenso a ajuda.
Me levanto, sentindo uma fisgada na perna. Passo os dedos pelo ferimento, e constato que é só superficial. Sinto o sangue sujar meus dedos, é quente e melado.
Andando um pouco mancando, chego no escritório. Está perfeitamente organizado. Ninguém chegou aqui. Depois de trancar a porta, revelo o elevador, digito os códigos e faço todo o procedimento. Em questão de segundos, estou dentro do elevador, descendo até o cômodo secreto.
Rogo a uma divindade, para que ela esteja bem.
Quando as portas se abrem e eu coloco uma força excessiva para sair, o sangue sai da ferida aberta com mais força. O tecido da calça está ensopado.
—Bonequinha?—Chamo baixo.
Minha apreensão aumenta a cada segundo que passa e eu não obtenho reposta alguma.
—Chefe?—Minha arma vai na direção da voz.
—Sawyer, que diabos você faz aqui?—Continuo com a arma em punho. Ele ergue as mãos em rendição, e eu não vacilo um segundo sequer. Ele não estaria aqui atoa, nem saberia como chegar e nem que isso existia.—Fala logo ou você terá uma bala cravada na sua testa.
Ele parece ter desaprendido a falar.
—Jack?
Um manto de alívio me cobre no exato momento que ouço a voz rouca de sono da minha mulher.
—Jack, é você?—Ela volta a perguntar.
—Sou eu bonequinha. —Respondo.—Fique quietinha onde você está.
Agora olhando para Sawyer, volto a perguntar:
—Ainda não me respondeu. O que você está fazendo aqui?
—Ela me trouxe.
—Checarei essa informação.
—Precisa se curativo senhor. Eu me prontifico a fazer.
—Assunto para outro momento.
Deixando ele lá, vou até onde minha mulher está. Separado por um arco, como num quarto. Ela está deitada na cama, em meio aos lençóis. Os cabelos loiros bagunçandos, espalhados pela cama, como toda vez que deita e dorme.
—Meu amor.—Ela se levanta e vem me abraçar. Os braços magros me apertam, ela enterra o rosto na curva do meu pescoço.—Eu pensei em tanta coisa...
—Está tudo bem agora.—A acalmo. Noto que ela começa a chorar. Os soluços saem espremidos. Me parte o coração vê-la assim.—Shiii bonequinha. Tudo sob controle.
—Fiquei com tanto medo de não te ver de novo.—Ela tira o rosto do meu pescoço, para poder me olhar.—De não ter a oportunidade de dizer que amo você com todo meu coração. Eu te amo tanto Jack. Chega a ser inexplicável.
—Eu amo tanto você.—Sussurro, limpando as lágrimas que lavam o rosto pálido que ela possui.—Minha princesinha dos olhos azuis cristalinos.
—Você podia mamar um pouquinho.—Ela fala bem baixinho, quase que só batendo a boca. Claro que com vergonha do meu subordinado.
—Depois.
Em breve eu não poderei mais estar mamando, para não alavancar um aborto.
—Você pensou que me perderia?—Ela toca meu rosto. De uma forma tão carinhosa, que me emociona.
—Sim.—Meu nariz arde, meus olhos se enchem de lágrimas. E sem que eu consiga me controlar, uma lágrima escorre.—Eu não posso perder você, meu amor.
—Você não vai me perder. Nunca.—Recebo um beijinho no queixo. Ela ama fazer isso.—Nem mesmo a morte seria capaz de me separar de você.
—Não deixarei mais você sozinha. —Me sentando na cama, a puxo para mais perto de mim.
—Eu não quero ficar longe.
E olhando meus olhos, ela sorri antes de me beijar. Um beijo molhado, com direito a um sorriso e pequenas mordidas. Um beijo que diz mais que muitas palavras.
—Te amo.—Declara mais uma vez.
Essa mulher vai me matar um dia.
Mas lembro-me que não posso morrer e deixá-la sozinha, com meu filho.
—Fico feliz que você tenha se lembrado direitinho de tudo.—Lhe dou mais um selinho.—Boa garota.
—Fiz direitinho a lição. Mereço alguma recompensa?—Ela faz uma carinha de safada.
—Depois talvez bonequinha.
Enquanto nos olhamos, uma ideia passa pela minha cabeça.
—Você disse que nunca se separaria de mim. Procede?
—Sim, eu disse.
—Ótimo.—Sorrio.
—O que você está pensando Jack?
—Eu não quero viver longe de você.—Pego sua mão, levando aos lábios e dando um leve beijo.—Case-se comigo.
Ela arregala os olhos, ficando engraçada.
—Não foi uma pergunta.
—Não. Não foi uma pergunta. —Me mantenho sério.—Seja minha esposa, legalmente minha mulher.
É tudo que eu mais quero.