A manhã nasce limpa, como se a tempestade da noite anterior nunca tivesse existido. Mas dentro da mansão, algo mudou. Henrique percebe logo no café. Amélie já está sentada quando ele entra. Postura impecável. Vestido claro, simples. Cabelo preso com cuidado. Ela sorri. Educada. — Bom dia. — Bom dia. O tom é correto. Distante. Ela não comenta sobre a feira. Não menciona a chuva. Não ri alto. Come em silêncio, responde apenas o necessário. Quando ele tenta puxar assunto sobre os comerciantes, ela escuta, mas não desenvolve. Termina o café antes dele. — Com licença. E sai. Henrique permanece sentado alguns segundos a mais, encarando a xícara. Ela está fugindo. Não de forma evidente. Mas está. Durante o restante da manhã, sempre que ele cruza o corredor, ela está entra

