Capítulo 1

2012 Words
Por Isabel... Enquanto o alho está dourando na panela, eu me apresso para pegar o arroz em cima do armário. Hoje eu tenho que ir para a academia e não posso mais adiar isso por preguiça. Por isso adianto no almoço para o meu irmão que passa o dia inteiro trabalhando e chega com muita fome. Como hoje é o meu dia de cozinhar, eu opto por fazer um frango grelhado sabendo que ele não gosta. Talvez uma saladinha também não seja m*l. Kaio odeia uma comidinha mais light, o negócio dele é farofa com carne assada, feijoada com as mais variadas carnes dentro e por aí vai. Se não fosse eu para manter um equilíbrio eu não sei o que seria dele em questão de sua saúde. Depois de por a água no arroz, sento na ilha para cortar os legumes e, enquanto isso checo meu celular para ver se não há nenhuma mensagem de Rebeca. E justo no momento ele toca. - Oi Beca. - E aí Isa, tudo certo pra hoje à noite? - questiona eufórica eu eu reviro os olhos. - Não sei se quero ir. - ela bufa. Ouço o barulho de bozinas ao fundo e sei que está dirigindo. - Desencana Isabel! Você é uma mulher de vinte e dois anos, se socializa por favor. E só um drink com uns amigos, nada demais. - Seu Tom é de repreensão e eu fico quieta. Eu sei que não sou muito de sair, mas e daí se eu gosto de ficar em casa lendo um livro na minha noite de folga? Quero atualizar meus a leitura nos meus livros de romances. Se eu nunca mais beijei alguém depois dele? Sinceramente, eu não me importo com essas banalidades. - Além do mas, o seu irmão sai e você fica aí sozinha enfiada em livros. - Continua - Eu preciso ficar enfiada nos livros já que minha formatura é em menos de dois meses e as provas finais se aproximam, não sou uma desempregada Beca. - falo irônica. - Tudo bem, então fazemos assim; vamos sair, nos divertir, se tu quiser eu dispenso os meninos e só sai nós duas. - pede quase implorando. Suspiro convencida. - Tudo bem, que fique claro que estou sendo obrigada e que não vou me divertir. - Assim que termino de falar sou obrigada a afastar o aparelho do ouvido devido ao grito agudo e animado que ela dá. - Você não vai se arrepender. - Diz e desliga. Eu espero. Volto a minha atenção ao que estava fazendo anteriormente. Imagens de quando mamãe cozinhava para nós invadem minha mente como avalanche. Lembro-me perfeitamente quando Kaio corria comigo em suas costas ao redor dela fazendo-a sorrir e se divertir com nossa brincadeira. Papai não era muito presente e até hoje não entendo o motivo. Minha mãe era uma mulher linda, com um corpo invejável e um cabelo na altura da cintura que dava a ela um charme a mais. Por ser de origem oriental, papai viu nela algo diferente e se apaixonou perdidamente. Porém, não demonstrava sentir o que dizia ao sair e não dá satisfação, passar até dias fora de casa, isso me faz ter uma leve ideia de que meu irmão puxou a ele. Deixo a lembrança de lado, vou até o fogão, terminando de fazer tudo. Uma hora em ponto Kaio irrompe a porta como um furacão quando estou prestes a ir para academia. - Para onde você vai? - Ele parece nervoso. - Malhar, é óbvio Kaio. - Respondo e ele fica me olhando parecendo querer falar algo. Levanto a sobrancelha, em um sinal para que ele fale logo de uma vez. - Só... Toma cuidado Bel. - É o que diz me abraçando apertado e desmanchando o nó feito em meu cabelo. Eu odeio quando ele faz isso! Kaio caminha para a cozinha em passos firmes e eu sou suspeita para falar, mas o meu irmão é muito lindo, além de ser forte ele tem o cabelo espetado para cima e usa umas camisetas que deixam seus músculos de fora, fazendo ter uma idéia do tamanho da tatuagem de águia que ele tem nas costas. Pego a chave da minha moto, o capacete, ponho a mochila nas costas e caminho em direção a porta. - Lava a louça antes de sair! - peço antes de fechar a porta. *** Conforme vou andando até o instrutor sinto alguns olhares em minha direção, a maioria de mulheres que parecem nada satisfeita por me ver. Nunca nem as vi. Me aproximo dele que conversa com um rapaz dando instruções de como lidar com a esteira. Esse, por sua vez, parece um pouco inexperiente. - Boa tarde. - chamo sua atenção fazendo-o se virar e me olhar, demorando demais no meu corpo. Confesso que fico intimidada com a sua observação minuciosa, achando nada profissional essa atitude. Arranho a garganta e ele volta seu olhar para o meu rosto percorrendo o caminho inverso. O instrutor tem o olhar n***o e avaliador, a barba por fazer dá um charme a mais ao seu belo rosto quase perfeito. Os músculos exageradamente esculpidos para fora da camiseta me deixa quase babando. Eu nunca me interessara por alguém desde... Muito tempo. Mas preciso confessar que ver esse homem está despertando coisas em mim. Respiro fundo tentando desviar o foco da minha atenção. - Posso ajuda-la? - Pergunta e sorri lindamente. Engulo seco. - Com certeza pode. - respondo, vejo o esboço de um sorriso de lado. Merda! Definitivamente não era para eu ter falado isso. Soou tão ambíguo. - Pelo que vejo é nova aqui. - Sou sim. - Afirmo e sigo-o quando ele pede com um gesto. Nós caminhamos lado a lado até ele parar em frente a uma porta abrindo-a e entrando em seguida. - Como se chama? - Ele parece bem sério ao perguntar depois de se sentar em sua cadeira todo imponente. - Isabel Sasaki Prado. - conforme falo, digita no computador. - Pode subir naquela balança por favor? - Certo. - levanto um pouco sem jeito e vou até onde ele indicou. Depois de todos os procedimentos feitos, fui encaminhada para um dos aparelhos e lá eu já pude me virar sozinha. Sabia como prosseguir e o que meu corpo suporta para não começar me esforçando demais. Quase formada em Educação física eu não poderia saber menos. Porém me sentindo incomodada pelo olhares de Eduardo - instrutor - em minha direção, me deixando totalmente fora do foco. E foi assim as horas seguintes. Já se passam das sete e até o exato momento Beca não deu as caras. Minha paciência é zero quando o assunto é esperar, eu definitivamente não gosto. Sento no sofá e suspiro, cruzo as pernas e olho o celular mais uma vez, nada dela. Já tentei ligar e tudo porém não atende. - Você não tem motivos para sair. - Kaká fala pela primeira vez depois que cheguei na sala. - Oh, me desculpem mas pelo que sei, sou maio de idade.- ironizo revirando os olhos e ele ri. - Não estou achando qualquer graça. - Resmungo. - Bel definitivamente paciência não é o forte dos irmãos Sasaki, liga para ela outra vez - levanta e vai para a cozinha rindo da minha cara. Salto do sofá decidida a ir trocar de roupa para ficar lendo meus livros quando a campanhia soa. Uma Duas Três Repetidas vezes. - Desculpa a demora, mas a minha família é um pé no saco quando quer. - Entra como um furacão, falando pelos cotovelos quando abro a porta. - Deveria pelo menos ter ligado Rebeca. - Como que se liga com aqueles dois no meu pé? - Indaga bufando e sentando no sofá. - Sai tão agoniada que não lembro se peguei meus documentos. Ela vira a pequena bolsinha fazendo com que todo o conteúdo dentro dela caia em cima do sofá. Ela vive nesse pé de guerra com os pais. Uma patricinha mimada por eles, querem que ela trabalhe, porém a mesma bateu o pé e disse que não move uma palha. Por ser filha única ela teve tudo sempre do bom e do melhor. Com vinte e um anos dona de uma corpo maravilhoso, ela ostenta sua beleza por onde passa. n***a, linda, com curvas pra lá de maravilhosasq e sabendo o poder que tem. Ela é um nojo. Como a mesma sempre diz. Saímos de casa após ela conferir a bolsa. Estava vestindo um vestidinho preto e em tênis branco. Nunca fui de me produzir muito. Ele sempre dizia que eu tinha uma beleza natural e não me importassem o que os outros pensassem. Eu era linda e rara. Respiro fundo tentando afastar as lembranças que querem se achegar e apresso os passos entrando no carro de Beca. Não demorou muito e ela parou em frente a um barzinho retrô, já ouvi falar que esse lugar é muito bom. Tem até música ao vivo. - Vamos, acho que os meninos já chegaram. - fala ao abrir a porta e saltar para fora. - Eu espero não me arrepender Rebeca Sanches. Meninos e eu não combina na mesma frase desde muito tempo. - deixo claro, atraindo seu olhar. Ela sabe muito bem de quem estou falando. Foi sempre Saulo e eu não consigo mais me envolver com outra pessoa, nem me interessar. Por isso fiquei surpresa com Eduardo hoje mais cedo, depois de tantos anos ele foi o único cara que chamou minha atenção. Entramos no bar e a tranquilidade do local me deixa ligeiramente mais relaxada. Minha amiga aponta uma mesa ao longe com dois homens e eu respiro fundo tentando não me desesperar. - Boa noite. Desculpem a demora. - Ela dix sentando-se em seguida depois de cumprimentar o moreno com um beijo nos lábios. O outro homem está de costas para mim e não posso vê seu rosto. Entretanto, assim que me sento sou surpreendida ao ver que se trata de Eduardo. Ele também me olha surpreso. - Boa noite. - Boa noite Isabel. - Eduardo responde enfatizando bem o meu nome. Enquanto o outro deu um "boa", seu interesse era na minha amiga obviamente. - Vocês se conhecem? - Rebeca questiona confusa. - Ela está malhando na minha academia. - Ele não me deixa responder. - Você não me disse que tinha começado a malhar. - Pontuou atraído meu olhar sensurador. Isso não é uma coisa que se fale no meio de dois estranhos. - Para mim você está perfeita do jeitinho que está. - Dessa vez o outro abriu a boca ganhando uma cutucada de Beca. - Obrigado? - Agradeci meio sem graça sem ter ideia do seu nome. - Júnior, querida. - Respondeu super educado. O clima foi ficando agradável conforme os minutos iam se passando. Entretanto tenho me sentido estranha, uma sensação ridícula de está sendo observada. Porém olho para todos os lados e não vejo ninguém - Algum problema Isabel? - Eduardo se aproxima do meu ouvido perguntando baixo. Me incomodo. - Não. Está tudo bem. - Claro. - Diz e pega a sua taça, sorvendo todo o líquido escuro. Subitamente a luz se apaga e uma mulher acompanhada de um homem com um violão sobe no palco. Assim que ele começa a tocar as primeiras notas eu rapidamente reconheço a música Solto um soluço porque meu coração doi muito nesse momento. É como se tudo estivesse voltando como uma enxurrada, me esmagando de maneira avassaladora. Ouço me chamarem mas só o que quero agora é ir embora e esquecer que um dia Saulo fez parte da minha vida. Mesmo sabendo que isso é impossível. Apresso os passos para fora porem sou interceptada ao me chocar com alguém, só não vou ao chão porque a pessoa segura em minha cintura de modo firme. Apoio meus minhas mãos em seus braços grandes para me recompor. - Obrigado. - Agradeço me desvencilhando sem espera-lo dizer algo e saio daquele lugar. Eu só preciso de tempo. É isso. Seis anos ainda não foram o suficiente
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