O ar lá fora, nos arredores da Penitenciária de Segurança Máxima de Porto n***o, estava saturado com uma umidade pesada, uma promessa de chuva que nunca desabava, mas que mantinha o céu em um tom de cinza cadavérico, como se o próprio firmamento estivesse em estado de decomposição. Pela primeira vez em anos, no entanto, aquele ar não me sufocava da forma habitual. Cada passo que eu dava para longe daquela casa de fachada santa, deixando para trás o eco dos sermões coléricos, o cheiro de mofo da autoridade e o olhar de julgamento do Pastor Silas, era como se um prego de aço fosse arrancado da minha alma. Eu segurava a mão de Samuel com uma força quase desesperada, sentindo a pequena palma dele, quente e macia, contra a minha. Não era apenas para contê-lo; era para me certificar de que ele e

