O som do metal batendo contra o concreto era o meu metrônomo matinal, uma percussão seca e rítmica que anunciava o despertar de um novo movimento na minha ópera de sangue. O pavilhão acordou com aquele cheiro de café ralo, que mais parece água de batismo de mendigo, misturado com o pavor que eu deixei pairando no ar desde o espetáculo com o Silva. O medo tem um cheiro específico, tá ligado? É um odor ácido, metálico, que gruda nas paredes e faz os ratos de farda tremerem antes mesmo de abrirem o primeiro portão. Eu não dormi. Eu não preciso de sono quando a sinfonia está no clímax, quando cada nervo do meu corpo vibra na frequência da destruição. Passei a noite inteira sentado na escuridão da Cela 13, revisando as notas, os gritos harmônicos e, principalmente, aquele brilho de terror abso

