Sim?

861 Words
O final de semana passou como sempre. O evento social ao qual fui desta vez, foi uma ópera que me emocionou a ponto de me tirar lágrimas. Havia tanta tristeza. Depois da opera, os meus pais me apresentaram aos seus amigos. Estavam orgulhosos de como eu era inteligente e de como não dava trabalho nenhum. Falavam sobre o meu futuro. Era sempre assim, mas desta vez, eu me senti m*l naquele papel. A lembrança dos olhos castanhos do Ariel me fitando de perto, durante os beijos que misturavam os nossos hálitos e as trocas de carícias que misturavam os cheiros dos nossos corpos, me perturbavam. Não consegui dormir na madrugada de segunda-feira. Queria ver o Ariel ao mesmo tempo em que não queria vê-lo nunca mais. O que ele fez comigo naquela hora que passou tão rápido? Porquê o meu corpo queimava, por onde ele me tocou, a cada vez que os meus pensamentos paravam nele? Me arrumei e peguei o meu carro indo para a escola. Faltavam longas duas horas para as aulas começar. Isso fazia eu me sentir i****a. Muito, mas muito i****a mesmo. Estacionei perto da escola. A rua estava deserta, as pessoas estavam dormindo, até o sol dormia. Segui para as escadarias para fumar e quase a minha alma ascende aos céus sem passar pela morte. Eu estava na porta do Paraíso com o meu coração acelerado e louco. O Ariel estava encostado na parede fumando e me olhava como se não fosse surpresa me ver aqui. Fiquei muito assustado com essa situação. _ Também não conseguiu dormir? _ soltou a fumaça me fazendo olhar os seus lábios. Engoli seco lembrando da sensação que os seus lábios me causaram. _ Estava pensando em você _ expliquei ao mesmo tempo em que movia a minha cabeça afirmando que não consegui dormir e caminhei para ele. Ele jogou o cigarro de lado e me abraçou imediatamente, tomando os meus lábios nos seus. Estávamos numa escadaria imensa que era evitada por todos. Claro que qualquer um iria preferia a rua mais adiante que subia para o mesmo destino. Por isso, também, não havia ninguém por perto. _ Não podemos fazer isso aqui _ ofeguei nervoso comigo mesmo por interromper aquele beijo delicioso. _ Não tem ninguém _ afirmou fixando em meus olhos azuis. Ariel pareceu se perder nos meus olhos. _ Mas e se...? _ Me assume e sai do armário. _ O que? _ me afastei num impulso que me surpreendeu. Estava com medo. Em pânico, para ser mais exato. Gargalhou _ Relaxa, Daniel _ suas mãos me envolveram percorrendo o meu peito e entrelaçando o meu pescoço _ Faltam quase duas horas para o início das aulas. Fica tranqüilo. Cedi ao desejo do meu corpo que tremia de anseio por senti-lo de novo. Nossas bocas se deliciando em um misto de beijos e mordidas enquanto eu apertava o seu corpo contra o muro com o meu. Sentia o Ariel se arrepiando ante os meus dedos passeando pelo seu corpo. Gemi sentindo os seus dedos sendo enterrados em meus cabelos e acariciando a minha cabeça. O que ele fez comigo? Eu nunca pensei que algum dia fosse beijar um cara e ainda gostar. Tantas sensações surgiam em mim naquele momento. Havia tanta possessividade naquelas carícias, mas também, tanto carinho. Era tão confuso me sentir assim, frágil e poderoso. Era tão estranho que fosse tão de repente. Na noite de sábado nos pegamos naquele amasso gostoso e na madrugada de segunda, eu não pude continuar a dormir de tão ansioso que estava para ver o rosto do Ariel novamente. Só ver o seu rosto de longe já me deixava ansioso. Sim, porque eu não pretendia fazer isso de novo. Esses amassos eram muito perigosos. Ariel mordeu a minha orelha de leve _ Te vejo depois da aula? _ sorriu quando viu o meu olhar cogitando essa possibilidade. O que acontecia comigo? Estava louco? Meu corpo tremia de medo e eu tive que engolir seco, como se tentando impedir o meu coração de sair pela boca. Fiz que não com cabeça quando eu disse um trêmulo sim. Ariel sorriu vitorioso antes de pegar a mochila e seguir para a escola. Ouvi o sinal minutos depois e o imitei. _ Aonde você estava? _ Laura quis saber com um sorriso travesso nos lábios. _ Fui comprar cigarros _ mostrei o maço fechado. _ Mas porque não foi de carro? _ Porque quis caminhar. Qual é mãe? Eu sou inocente _ sorri brincalhão e ela se rendeu As aulas seguiram chatas. Mas o importante é que eu fiz anotações. A Clara me abordou na hora do almoço. O olhar interessado do Ariel sobre nós me fez corar, mas disfarcei bem. Sorri e a beijei. Depois de almoçar, fomos para um lugar menos público para namorar, o nosso lugar. Infelizmente, um fato que não havia notado antes, é que o Ariel costumava ficar, com as suas amigas, por ali também. E lá estava ele, fazendo inquérito com o olhar. Olhava tanto, que me passou pela cabeça que ele gostava de ver. Foi só aí que desencanei do seu olhar e me concentrei na Clara.
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