O final de semana passou como sempre. O evento social ao qual fui desta vez, foi uma ópera que me emocionou a ponto de me tirar lágrimas. Havia tanta tristeza.
Depois da opera, os meus pais me apresentaram aos seus amigos. Estavam orgulhosos de como eu era inteligente e de como não dava trabalho nenhum. Falavam sobre o meu futuro.
Era sempre assim, mas desta vez, eu me senti m*l naquele papel. A lembrança dos olhos castanhos do Ariel me fitando de perto, durante os beijos que misturavam os nossos hálitos e as trocas de carícias que misturavam os cheiros dos nossos corpos, me perturbavam.
Não consegui dormir na madrugada de segunda-feira. Queria ver o Ariel ao mesmo tempo em que não queria vê-lo nunca mais. O que ele fez comigo naquela hora que passou tão rápido? Porquê o meu corpo queimava, por onde ele me tocou, a cada vez que os meus pensamentos paravam nele?
Me arrumei e peguei o meu carro indo para a escola. Faltavam longas duas horas para as aulas começar. Isso fazia eu me sentir i****a. Muito, mas muito i****a mesmo. Estacionei perto da escola. A rua estava deserta, as pessoas estavam dormindo, até o sol dormia.
Segui para as escadarias para fumar e quase a minha alma ascende aos céus sem passar pela morte. Eu estava na porta do Paraíso com o meu coração acelerado e louco.
O Ariel estava encostado na parede fumando e me olhava como se não fosse surpresa me ver aqui. Fiquei muito assustado com essa situação.
_ Também não conseguiu dormir? _ soltou a fumaça me fazendo olhar os seus lábios. Engoli seco lembrando da sensação que os seus lábios me causaram.
_ Estava pensando em você _ expliquei ao mesmo tempo em que movia a minha cabeça afirmando que não consegui dormir e caminhei para ele. Ele jogou o cigarro de lado e me abraçou imediatamente, tomando os meus lábios nos seus.
Estávamos numa escadaria imensa que era evitada por todos. Claro que qualquer um iria preferia a rua mais adiante que subia para o mesmo destino. Por isso, também, não havia ninguém por perto.
_ Não podemos fazer isso aqui _ ofeguei nervoso comigo mesmo por interromper aquele beijo delicioso.
_ Não tem ninguém _ afirmou fixando em meus olhos azuis. Ariel pareceu se perder nos meus olhos.
_ Mas e se...?
_ Me assume e sai do armário.
_ O que? _ me afastei num impulso que me surpreendeu. Estava com medo. Em pânico, para ser mais exato.
Gargalhou _ Relaxa, Daniel _ suas mãos me envolveram percorrendo o meu peito e entrelaçando o meu pescoço _ Faltam quase duas horas para o início das aulas. Fica tranqüilo.
Cedi ao desejo do meu corpo que tremia de anseio por senti-lo de novo. Nossas bocas se deliciando em um misto de beijos e mordidas enquanto eu apertava o seu corpo contra o muro com o meu. Sentia o Ariel se arrepiando ante os meus dedos passeando pelo seu corpo. Gemi sentindo os seus dedos sendo enterrados em meus cabelos e acariciando a minha cabeça.
O que ele fez comigo? Eu nunca pensei que algum dia fosse beijar um cara e ainda gostar. Tantas sensações surgiam em mim naquele momento. Havia tanta possessividade naquelas carícias, mas também, tanto carinho. Era tão confuso me sentir assim, frágil e poderoso. Era tão estranho que fosse tão de repente.
Na noite de sábado nos pegamos naquele amasso gostoso e na madrugada de segunda, eu não pude continuar a dormir de tão ansioso que estava para ver o rosto do Ariel novamente. Só ver o seu rosto de longe já me deixava ansioso. Sim, porque eu não pretendia fazer isso de novo. Esses amassos eram muito perigosos.
Ariel mordeu a minha orelha de leve _ Te vejo depois da aula? _ sorriu quando viu o meu olhar cogitando essa possibilidade.
O que acontecia comigo? Estava louco? Meu corpo tremia de medo e eu tive que engolir seco, como se tentando impedir o meu coração de sair pela boca.
Fiz que não com cabeça quando eu disse um trêmulo sim.
Ariel sorriu vitorioso antes de pegar a mochila e seguir para a escola. Ouvi o sinal minutos depois e o imitei.
_ Aonde você estava? _ Laura quis saber com um sorriso travesso nos lábios.
_ Fui comprar cigarros _ mostrei o maço fechado.
_ Mas porque não foi de carro?
_ Porque quis caminhar. Qual é mãe? Eu sou inocente _ sorri brincalhão e ela se rendeu
As aulas seguiram chatas. Mas o importante é que eu fiz anotações. A Clara me abordou na hora do almoço. O olhar interessado do Ariel sobre nós me fez corar, mas disfarcei bem. Sorri e a beijei.
Depois de almoçar, fomos para um lugar menos público para namorar, o nosso lugar. Infelizmente, um fato que não havia notado antes, é que o Ariel costumava ficar, com as suas amigas, por ali também. E lá estava ele, fazendo inquérito com o olhar. Olhava tanto, que me passou pela cabeça que ele gostava de ver. Foi só aí que desencanei do seu olhar e me concentrei na Clara.