O reino está passando por uma crise, o que fará os impostos aumentarem e isso não deixará o povo feliz. Por mais que Apolo se recuse a me deixar ajudar com qualquer coisa remetente a política ou economia ou diplomacia, eu consegui alguns documentos para me ocupar com algo realmente útil, me levantei antes mesmo do sol nascer para resolver isso.
Depois de muito revisar eu pensei em algo, os impostos do povo tem que aumentar, mas conseguiremos subir uma porcentagem menor se os impostos dos portos aumentarem consideravelmente. Os comermenciantes que atracavam no porto não eram pobres, muito pelo contrário, algusn deles tinham uma riqueza maior do que a própria coroa, sendo assim, eles teriam dinheiro para pagar o imposto elevado. Eles podem não gostar disso, mas é o melhor.
Sorri, satisfeita comigo mesma. Pensei em uma solução de forma rápida para um problema que a meses o Conselho e meu marido vem tentando resolver.
Stace- a dama de companhia que tem um caso com Apolo e mãe do Jack- entrou com o vestido marfim amassado e ela ajeitava os fios ruivos que estavam meio bagunçado, eu sei bem o que isso significa. Ela parou na minha frente e fez uma reverência, quando se ergueu novamente ela olhou para os meus braços- no lugar onde Apolo tinha me agarrado no dia anterior- e viu as marcas vermelhas.
- Majestade, o que houve?- ela perguntou com um falso tom de preocupação.
- Nada que seja do seu interesse- eu falei me levantando- Onde está Elizabeth? Eu exigi que ela viesse aqui e não você.
- Elizabeth, disse que iria sair ontem a noite e ainda não voltou- Stace respondeu.
Revirei os olhos.
- Então faça algo de útil, pegue um vestido de mangas longas, depois suma dos meus aposentos e não apareça até que eu solicite sua presença. Eu me viro com meu cabelo- ordenei friamente.
Stace foi até meu armário e pegou um vestido de mangas longas verde escuro com bordados dourados que formavam rosas. Ela me ajudou a me vestir e depois saiu, eu fiz uma trança de lado em meu cabelo e coloquei uma das minhas tiaras mais simples, era dourada. Quando fiquei pronta fui até a sala de jantar onde eu tomava café da manhã com Apolo- isso acontecia apenas quando todos os membros do Concelho estavam no palácio, para alguns deles tínhamos que manter a imagem de um casamento feliz e amoroso.
Entrei na aa de jantar e já estavam todos lá.
- Está atrasada- Apolo disse sem nenhuma emoção.
Eu sorri com falsa gentileza para ele.
- Ah, querido, não seja ranzinza. E como minha mãe sempre dizia: uma rainha nunca se atrasa, os outros é que sempre estam adiantados- me sentei ao lado dele- Bom dia a todos.
Com cortezia e um aceno de cabeça todos me cumprimentaram.
- Majestade, temos que arranjar uma solução para a crise do Reino, e rápido- um dos conselheiros falou.
Apolo bufou em frustração e assentiu. Respirei fundo, era agora ou nunca.
- Na verdade- comecei atraindo a atenção de todos- Eu... eu acho que achei uma solução que não prejudicará o povo, quer dizer não prejudicará tanto.
Apolo se virou para mim lentamente e estreitou os olhos, trinquei o maxilar e e ngoli em seco com aquele olhar sobre mim. Os conselheiros me olhavam com a testa franzida, um deles me perguntou no que eu havia pensado, eu contei a eles minha ideia.
- Me diga, por que escondeu os dotes políticos da rainha por tanto tempo, majestade?- o que havia me pedido para contar, perguntou- A senhora teve uma ótima ideia.
- Realmente, eu jamais teria pensado em nada do tipo- outro conselheiro apontou.
Eu teria ficado feliz pela aprovação se não tivesse o olhar de Apolo sobre mim. Queria acreditar que aquele era um olhar de gratidão ou aprovação, mas eu sabia, no fundo eu sabia que não era isso, sabia que ele gritaria comigo que diria algo que me desestabilizaria. Eu o odiava, odiava o efeito que ele tem sobre mim.
Quando acabei de comer, tentei me levantar para sair, mas Apolo, discretamente, me puxou de volta para cadeira e me olhou de forma dura, eu sei o que esse olhar significa: se você se levantar da porra da cadeira antes que eu te humilhe, vai ser pior depois.
Os conecelheiros saíram um a um, e quando estávamos apenas eu e Apolo ali ele se levantou e virou minha cadeira de frente para ele.
- Que porra foi essa?- eu não respondi- Quantas vezes eu disse para não se envolver nos meus assuntos? Eu sou o rei.
- E eu sou a rainha, só quis ajudar- falei em voz baixa sem olhar para ele.
Uma risada debochada veio de Apolo, ele agarrou meu rosto e me fez olhar para ele.
- Sua única função é me dar herdeiros, fora isso você não serve para nada- ele se aproximou mais- Mas até nisso você parece ser uma inútil- Apolo soltou meu rosto bruscamente- Se você se meter onde não é chamada de novo, vou ser obrigado a tomar medidas drásticas, não me obrigue a isso Uriela.
Ele me deu as costas e saiu, senti meus olhos arderem com lágrimas, mas eu pisquei algumas vezes para afastá-las, eu me recuso a chorar.
♡*♡*♡
Algumas semanas depois, as vinte e cinco meninas chegaram. Eu odiava isso, odiava o que era obrigada a fazer, me sentia como se estivesse preparando cordeiros para o abate.
Levei elas para o salão das mulheres, onde estavam preparadas as bandeiras com leite e pétalas de rosa. Todas as meninas estavam tão animadas, todo anos era assim, eu me perguntava se elas realmente sabiam o que iria acontecer ou se apenas ignoravam, talvez apenas as tenham iludido dizendo que os deuses as recompensaria.
Estava supervisionando as meninas quando uma criada veio me chamar. O rei de Balor, junto com sua comitiva, havia sido convidado para as "festividades", Hakon e eu nos conhecemos desde a infância, era bom vê-lo de novo, mas não entendi o que ele veio fazer aqui. Balor, assim como Solares- o reino em que nasci- cultuam o que chamamos de novos deuses, que são os deuses apresentados para nós pelas fadas que habitam Animalia, o Bosque Sagrado. Aqui em Darlan, eles cultuam os deuses dos elfos antigos, são deuses cruéis e brutais, eu não acredito nesses deuses, não foi nessa cultura que eu fui criada e nada me põe na cabeça que as divindades que deviam nos proteger podem ser tão selvagens, mas tinha que fingir que eram esses que eu adorava. Apenas rezava para os meus deuses, quando estava sozinha em meu quarto, sem ninguém para me denunciar.
- Uriela- um aceno de cabeça.
- Hakon- o imitei.
Meu velho amigo me puxou para um abraço o qual eu retribui sorrindo.
- Você está... ual- ele disse segurando minhas mãos e me olhando de cima abaixo, sorri timidamente- A própria Nessily sentiria inveja.
- Que blasfêmia- eu disse fingindo indignação- Não insulte os deuses, majestade.
- Como quiser, majestade- ele disse meu título dramaticamente.
- É bom te ver, Hakon, senti sua falta- nesse momento, um dos guardas, na verdade era Roland, se aproximou de nós- Acho que meu marido solicita sua presença- Hakon fez uma cara triste- Tenho voltar para ver se está tudo certo com os preparativos para hoje a noite, te vejo depois.
Voltei para o salão das mulheres, as meninas riam e conversavam animadamente, tive pena delas, não pude evitar, mas afastei o pensamento.
Uma criada se aproximou de mim para que eu escolhece uma essência de óleos perfumados para as meninas. Baunilha é a fragrância favorita do Apolo, mas para o ritual usavam flores típicas fo inverno. Assim que senti o cheiro da essência de prímula um forte enjoo me atingiu, coloquei a mão na boca e respirei fundo, mas não adiantou, corri para o banheiro do salão das mulheres e vomitei, alguns minutos depois saí de lá recenbendo olhares das criadas e das minhas damas de companhia.
- Use a essência de gardênia- eu disse- Vou me arrumar para receber os lordes, qualquer coisa mandem me chamar.
Elizabeth me acompanhou, ela é minha melhor amiga, na verdade a única amiga que já tive na vida. Lizzie veio comigo de Solares, sempre fomos inseparáveis.
Entramos em meu quarto e eu me sentei na penteadeira completamente exausta.
- Não acha que tem se cansado muito ultimamente?- Elizabeth perguntou desmanchando meu penteado.
- Tenho trabalhado muito para planejar esse ritual, então acho que é normal- falei enquanto tirava a maquiagem.
- Também é normal seus subtos enjoos?
Me virei para minha amiga.
- Por que você não diz o que está pensando e para com essas perguntas?
- Uriela... você ainda não sangrou esse mês, e está atrasada duas semanas- comecei a pensar e realmente ela estava certa.
- Lizzie, você acha que... acha que pode ser... que eu possa estar...- percebi que estava esperançosa de mais.
- Talvez- ela disse com um sorriso de canto- Vou chamar uma das curandeiras, assim teremos certeza.
Assenti e ela saiu. Eu me olhei no espelho e sorri, se eu estivesse realmente grávida seria maravilhoso, não só por que eu teria alguém para amar incondicionalmente e que também me amaria, mas porque nem Apolo e nem ninguém ficaria mais em cima de mim e eu teria uma certa liberdade novamente.
A porta abriu, achei que fosse Lizzie, mas vi o reflexo de Apolo no espelho.
- Que cara é essa? Tá tão felizinha assim por Hakon estar aqui?- a voz dele carregava a mesma indiferença de sempre.
- Ele é um amigo antigo- olhei para ele pelo reflexo- Você tem alguma objeção a isso?
- Por mim não- ele se sentou na minha cama- Mas o que vão dizer quando verem a rainha se estreitando por aí com outro homem?
- Então não posso falar com ele por que as pessoas vão ver? Desde quando se importa com o que os outros pensam?
- Não me importo- ele disse de forma séria- Enfim, não é por isso que estou aqui.
- E por que você está aqui? Mais humilhação gratuita? O que eu fiz de errado agora?- não pude evitar meu tom sarcástico.
A expressão de Apolo endureceu.
- Olha como fala- tive que me esforçar para não revirar os olhos- Me disseram que você passou mal, agora tenho que fingir que me importo. Lorcan virá hoje.
Minha respiração se tornou pesada, me virei para ele, Apolo tinha um sorriso satisfeito ao ver minha reação.
Lorcan? Eu não posso acreditar que ele fez isso.
Não me levem a mal no que direi agora, eu adoro os elfos, em Solares eles fazem parte dos nossos exércitos, eles vivem em armênia conosco. Mas Lorcan?
Ele já foi general do exército de Solares, meus pais confiavam nele, mas o elfo se envolveu com magia negra e o poder subiu a cabeça dele, Lorcan se aliou a Darlan e matou meus pais para tentar tomar o trono de Solares, uma guerra começou e não foram tempos fáceis, mas ganhamos a guerra, Lorcan foi banido para Darkan, a Floresta Sombria e Terra dos Exilados, e para mater a paz entre Solares e Darlan, eu e Apolo nos casamos.
Não vejo Lorcan desde que foi banido e era ofensivo Apolo chamar ele sabendo o que ele fez.
- Quero que você cuide da hospedagem dele aqui, prepare um bom quarto e se sertofique de que ele tenha tudo o que precisar.
- Apolo...- disse em tom de súplica, mas fui interrompida quando a porta novamente foi aberta e Elizabeth entrou com a curandeira.
- Mandou chamar uma curandeira só por causa de um mal estar?- Apolo perguntou com desdém.
- Apenas por precaução- respondi desviando o olhar.
Apolo soltou uma risada anasalada.
- Mulheres- ele murmurou e saiu.