ℭ𝔞𝔭í𝔱𝔲𝔩𝔬 1

1345 Words
Eu o observava enquanto ele se vestita, lindo, forte, e tão frio e distante. Esse era Apolo, meu marido, nem sei se posso chamar ele assim, sim somos casados, mas não vivemos nem agimos como marido e mulher, eu sou mais uma prisioneira do que qualquer outra coisa- apesar de ser a rainha-, ele aparece em meu quarto cinco dias por mês, quando os curandeiros dizem que estou em meu período fértil. Imaginem seu marido te odiar ao ponto de só aparecer para te engravidar, é horrível. Curandeiros vinham me examinar sempre, já faz cinco anos que eu sou casada e não engravidei, eu comecei a pensar que era estério, mas os curandeiros garantiram que não, e o problema também não era com Apolo, que já tinha um bastardo com uma das minhas damas de companhia. Não é como se eu não soubesse que era traída, eu sempre soube. No começo eram apenas prostitutas, mas quando minha dama ficou grávida e Apolo pareceu preocupado de mais, não foi difícil ligar os pontos, se eu não tivesse um filho o bastardo de meu marido herdaria o trono e isso seria uma vergonha. Eu gosto da criança, Jack, ele é uma graça, mas vê-lo apenas me relembra o meu fracaço, mas como ele fica com a mãe no salão das mulheres eu não tenho muita escolha. Sim, eh sou a rainha e não tenho escolhas, seria cômico se não fosse trágico. Apolo ordenou que ele convivesse ali e me impediu de expulsar a mãe dele do palácio- isso eu até entendo, não era certo o menino viver sem a mãe- mas eu ao menos queria abster ela das funções como minha dama, mas nem isso ele deixou, e também nunca parou de passar noites com ela. - Como andam os preparativos para o ritual de inverno?- Apolo perguntou se virando para mim. - Está tudo de acordo com o cronograma, não precisa se preocupar com nada- respondi. - Ótimo, te vejo amanhã a noite- e assim ele saiu. Meu único consolo é saber que ele nunca me forçou a dormir com ele, pelo menos quanto a isso ele me respeita e jamais me tocou contra a minha vontade. Acho que nunca teve muito amor em nossas relações, a gente trepava e era isso, ele ia embora, apenas sexo sem sentimento ou afeto, apenas sexo. Não é como se eu nao tirasse prazer disso, pelos deuses, era incrível, mas não tinha nenhum sentimento, as vezes nem nos olhávamos enquanto fazíamos. Minhas pernas estavam doloridas, sempre ficavam assim quando Apolo vinha me ver. Me levantei com um pouco de dificuldade e fui até minha penteadeira e me olhei no espelho por um tempo pensando no quão monótona é minha vida agora. A porta do meu quarto foi aberta e uma das minhas criadas entrou sem dizer uma palavra e preparou a banheira para eu tomar banho. - Majestade, a senhora quer que eu chame alguém para ajudá-la?- a criada perguntou de cabeça baixa. - Não- foi só isso que respondi. Com uma reverência a criada saiu, prendi o meus longos cabelos em um coque e entrei na banheira e deixei a água morna me envolver e inebriar meus sentidos, olhei para o teto por um tempo em pensei em como era fácil acabar com tudo era só eu resolver que queria fazer e pronto, eu estaria no próximo plano, na próxima vida. Talvez isso seja o melhor, talvez seja só fechar os olhos e me deixar levar. Prendi a respiração e afundei na água. Sempre fui boa em prender a respiração, quando pequena eu e meu irmão brincávamos de quem ficava mais tempo em baixo d'água, eu sempre ganhava. Aos poucos fui soltando o ar debaixo da água, não fazia nem um minuto inteiro que eu estava daquele jeito e senti mãos grandes e fortes agarrarem meus braços com força e me puxarem de volta a superfície. Respirei fundo recuperando meu fôlego, olhei para a pessoa que me agarrava, Apolo não me soltou, apenas ficou me encarando com uma expreçao de raiva gélida. - Pode me soltar, por favor? Está me machucando- falei me tentado me soltar. Apolo apenas apertou meus braços mais forte, olhei para ele com a testa franzida. - O que pensa que estava fazendo?- a voz dele mostrava o quanto ele estava com raiva. - Tomando banho, o que se faz em uma banheira?- falei de forma óbvia. A raiva dele pareceu aumentar e ele me olhou nos olhos e me puxou até ele de forma bruta. - Apartar de agora, você terá ao menos uma criada no quarto enquanto toma banho- um sorriso perverso estampou seu rosto- Eu, e apenas eu, decido quem vive ou morre em meu reino. E você... bom, até que me dê um herdeiro legítimo, sua vida será necessária. Bruscamente ele me empurrou de volta para água e se apoiou na cadeira da minha penteadeira, com um aceno de mão ele deu o comando para que eu saísse da água, e assim eu fiz. Enquanto me secava, com o olhar dele sobre mim, me perguntei por que ele havia voltado ao meu quarto, varrendo o local com os olhos eu vi que ele havia esquecido o casaco, mas ele podia muito bem ter mandado alguém vir buscar. Peguei uma camisola em meu armário e vesti depois olhei para ele. - Vai ficar aqui até que eu durma? Achei que uma de suas amantes estaria te esperando essa noite, ainda mais hoje, já que acabou de voltar de viagem. Ele apenas me encarou com aquela indiferença costumeira e caminhou até a porta do meu quarto, a abriu e chamou um dos guardas que fazia a ronda do castelo, depois voltou para dentro. Alguns minutos depois ouvi batidas na porta, rapidamente eu vesti meu robe Apolo foi até a porta e a abriu deixando um guarda com a pele marrom reluzente entrar, ele era um lindo homem. O guarda fez uma reverência. - Mandou chamar, meu rei? - Sim, Roland. Quero que vigie a rainha essa noite, ela mostrou ter certas tendências suicidas- Apolo me encarou- E que tipo de marido eu seria se deixasse minha esposa sem a devida vigilância nesse momento de fragilidade. O deboche na voz dele me fez arder em raiva, isso devia estar explícito em meu rosto, pois Apolo sorriu de forma vitoriosa e saiu dos meus aposentos. ♡*♡*♡ Eu me remexi na cama várias vezes, mas o sono não veio. Não conseguia dormir sabendo que tinha alguém me observando, mas era melhor que eu ao menos fingisse que estava dormindo, se eu não fizesse isso com certeza o tal Roland contaria a Apolo e vai saber o que meu marido faria comigo. Fiquei com os olhos fechados por dez minutos antes de ouvir uma risada anasalada. - Eu sei que está acordada, e não vou falar nada para ele, pode ficar calma, majestade- o guarda falou. Abri apenas um olho e olhei para ele. - Esconderia coisas do rei? Onde está sua lealdade? - Minha lealdade está com meus soberanos e isso inclui a senhora, embora Apolo não aceite isso. - Apolo?- perguntei surpresa- É tão íntimo assim do meu marido? - Lutamos juntos na guerra. Somos amigos, irmãos de alma chame, como quiser. - Antes de casar, me disseram que ele era gentil, na verdade me garantiram isso, é foi o motivo de eu ter aceitado esse casamento...- suspirei- Se me permite a pergunta, por que ele é assim? Eu concordo que na frente das pessoas ele parece ser bom e generoso e gentil, mas quando estamos apenas nós dois... por quê? Roland soltou um suspiro e me encarou. - Ele nunca foi a melhor pessoa do mundo, mas também não era cruel, ao menos não tanto quanto agora... digamos apenas que ninguém volta da guerra igual- ficamos em silêncio por um tempo até que ele disse: - Vou ficar do lado de fora para que a rainha possa descansar, com licença. Com uma reverência ele saiu. Demorou um pouco, mas eu peguei no sono.
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