Juliana narrando... O morro tremia. E não era metáfora. A primeira explosão sacudiu as janelas de casa, jogando o copo que eu segurava no chão. Antes que o vidro parasse de estilhaçar, os tiros começaram. Não eram fogos. Quem é cria da favela sabe diferenciar o som. Aquilo era guerra. Invasão. Corri pra janela, tentando entender de onde vinha. Helicóptero no céu, o som grave da sirene ecoando entre as vielas. O povo gritava, corria, se jogava no chão. A fumaça subia, misturada ao pó e ao medo. Meu coração disparou. Só pensava nele. Chacal. O nome me atravessava como um raio. O dono do morro. O homem que carrega tudo nas costas — inclusive eu, mesmo que não admita. Já ouvi ele dizer várias vezes: “Você é só mais uma, Juliana. Não confunde as coisas.” Mas o jeito como ele me segura,

