Otelo parou na porta de Lira. Já fazia dias tentando pelo menos uma conversa por telefone — e nada. Ela não dava brecha, nem mensagem, nem ligação, nem desculpas. Nada. Mas naquela tarde, ele resolveu aparecer. Parou na porta com um buquê de flores e uma caixa de chocolates. Não era bom em conquista, isso ele sabia. Mas tinha perguntado a Albucacys, e o conselho foi direto: “compra flores”. A moça da floricultura sugeriu bombons. Então ele seguiu. Tocou a campainha. Lira apareceu pouco depois, vestida de forma simples, um vestido leve, os pés descalços, o cabelo preso num coque. Parou na porta, surpresa. — Otelo? É melhor não... — Escuta. Por favor, só escuta. Não vim brincar. Só queria entender por que você não me dá uma chance. Por que parece que já é tarde demais…? — Eu tenho uma

