A oficina ficava em uma rua estreita, escondida entre uma papelaria antiga e uma loja de molduras. Na fachada, uma placa simples dizia Ateliê Lira — Restauração de Joias e Pequenos Objetos. As letras estavam um pouco gastas, a vitrine exibia peças delicadas sobre veludo azul e, ao lado da porta, havia um sino que tocava sempre que alguém entrava. Para muitos, era apenas uma loja pequena. Para Helena, naquela manhã, parecia uma possibilidade. Ela chegou antes das nove. Carregava uma bolsa com suas ferramentas, uma pasta com documentos pessoais e uma coragem que ainda não sabia se era firme ou desesperada. Isadora a acompanhou até a porta, segurando dois copos de café e uma expressão de quem tentava parecer otimista sem exagerar. — Última chance de desistir e abrir uma confeitaria comigo

