Yolanda narrando
Sem pensar duas vezes eu sai de casa e peguei o primeiro táxi maluco que se propôs a me levar para minha cidade, algumas horas longas de viagem até lá, Alejandro ficaria louco quando chegar em casa e não me ver, com certeza ele iria surtar, mas não mais do que eu que estou surtando nesse momento porque fiquei sabendo sobre a morte dos meus pais, que eles poderiam estar mortos.
Será que era por isso que Alejandro tanto me escondeu tudo? Tanto impediu que eu falasse com eles, que eu ligasse, que eu soubesse de tudo.
— Futura primeira-dama – O taxista que era um senhor me cutuca – acho que chegamos, é aqui mesmo? - eu olho para frente vendo nada e no final a casa dos meus pais.
— Sim – eu abro um sorriso.
— A senhora tem certeza?
— Tenho, por favor lembre-se bico calado, não conte a ninguém.
— Pode deixar – ele fala – não irei espalhar.
Eu desço do carro após pagar ele com o dinheiro que eu tinha pego no cofre que tinha no quarto, eu vou andando até a casa com um pouco de dor, até porque a viagem tinha sido cansativa e o carro não era nada confortável e eu estava de quase 34 semanas e era horas, horas de viagem, por um momento estava me sentindo uma maluca de ter feito isso.
Mas a vontade de ver minha mãe, de abraçar ela era maior do que tudo, de contar a ela que eu estava grávida e perguntar o que eu iria fazer agora, o que eu poderia fazer, como faria para criar essa criança.
Eu me aproximo da casa e vejo as janelas abertas, um cheiro de café vindo lá de dentro me faz sorrir, eu me lembro sempre de correr por todo esse lugar com a Virginia e quando me aproximar de casa, eu sentir o cheiro do café da minha mãe, eu abro a porta lentamente e vejo várias coisas de crianças e estreito os olhos.
— Mãe? – eu pergunto entrando pela casa mas ninguém responde – Mãe? – até que escuto barulho vindo do segundo andar, eu subo lentamente aquelas escadas com degraus de madeira que sempre rangia, quando vou me aproximando escuto o choro de um nenê.
— Pronto meu amor – escuto a voz de Virginia e paro na porta vendo ela balançar uma criança no colo – agora você está trocado, de banho tomado e cheiroso – ela se vira e me encara com os olhos arregalados e bastante surpresa. – Yolanda.
— Virginia? – eu pergunto – você voltou para cá.
— O que você está fazendo aqui? – ela pergunta indo até a janela e olhando para fora – você está com ele? Ele te trouxe aqui.
— Eu vim sozinha – ela me encara
— Sozinha?
— Sim , sozinha. Eu peguei um táxi.
— Como você veio sozinha, você estava longe daqui – ela me encara.
— Eu recebi umas mensagens falando sobre os nossos pais, que eles estão mortos. Cadê a mamãe? Cadê o papai? – eu pergunto para ela que me encara engolindo seco.
— Eu não sei – ela fala
— Como você não sabe? – eu questiono – a quanto tempo você está aqui?
— Algumas semanas, mas quando cheguei me disseram que eles tinha ido embora, comprado carro novo e falaram que não morariam mais aqui depois do dinheiro que receberam sobre o seu casamento.
— Então eles estão bem? – eu pergunto – você falou com eles?
— Sim, eu falei com a mamãe rapidamente – ela fala – em uma ligação, ela disse que estão bem e que não voltariam mais para cá.
— Porque?
— Porque esse lugar traz muitas lembranças a eles e eles não querem mais isso – ela fala
— É seu filho? – eu pergunto sorrindo vendo o bebê em seu colo, Virginia ainda nervosa encara aquela criança em seu colo e me encara – é meu sobrinho? – eu pergunto sorrindo e me aproximando lentamente. – ele é lindo.
— É sim – ela fala – o nome dele é Kaio – eu abro um sorriso e meus olhos se enche de lagrimas.
— Ele é lindo – eu falo sorrindo
— Você tem que ir embora, antes que Alejandro chegue – ela fala nervosa – antes que ele venha atrás de você e descubra que eu estou aqui.
— Ele não vai fazer nada contra vocês – eu falo
— Vai sim – ela diz nervosa – ele me odeia, ele mandou os homens dele irem me matar.
— Eu juro que ele não vai fazer nada.
— Como você pode jurar? Aquele homem é um assassino de sangue frio – ela fala me encarando.
— Cadê o Kaio? – eu pergunto
— Ele faleceu – ela fala
— Como? – eu pergunto espantada
— Em um acidente de carro quando ele estava indo buscar a parteira.
— Meu deus – eu coloco a mão na boca – eu sinto muito.
— Tudo bem, eu e Kaio como é o nome dele – ela fala sorrindo – estamos bem, muito bem. Por favor, vai embora antes que o seu marido chegue.
— Deixa eu pegar ele no colo – eu falo estendendo as mãos e Kaio abre um sorriso para mim.
— Por favor, vai embora Yolanda. VocÊ vai me trazer apenas problemas, tudo que eu fiz para conseguir ficar segura com meu filho, vai água baixo agora.
— Desculpa.
— Volta para sua vida perfeita se você consegue jurar que ele não vai fazer nada contra mim e me esquece.
— Virginia, eu não sou r**m, eu não fiz nada por você – eu olho para ela – pelo ao contrário você fugiu e me abandonou. – ela me encara e encara a minha barriga.
— Está de quanto tempo?
— 34 semanas – eu falo
— Você é maluca? Viajar tanto tempo sozinha.
— Eu precisava vir até aqui saber sobre os nossos pais, eu sinto muita falta da nossa família – eu falo deixando uma lagrima descer e ela me encara – eu sinto falta de você Virginia.
— Eu também sinto – ela fala sorrindo – você já sabe o que é?
— Ainda não – eu respondo – nos deixamos para descobrir na hora do parto.
— Está quase então – ela fala sorrindo
— Sim – eu respondo
— Yolanda – ela me olha – me perdoa por ter fugido, eu não queria te prejudicar, eu não achei que ele iria querer se casar com você. Ele tinha sido tão certo de que não queria se casar com você.
— Eu não tenho raiva de você – eu falo e olho para Kaio – eu posso? – eu pergunto e ela acaba me entregando Kaio nos meus braços, eu abro um sorriso quando pego ele.
— VocÊ precisa ir – ela fala olhando pelas janelas.
— Ele não vai fazer m*l a vocês, ele pode ajudar vocês. O que você vai fazer aqui sozinha? – eu pergunto para ela.
— Eu quero ficar aqui sozinha – ela fala – eu quero ficar aqui sozinha – ela fala andando e parando na minha frente – você não sabe o medo que eu tenho.
— Não precisa ficar com medo – eu olho para ela e escutamos alguns barulhos, andamos as duas pela janela e eu vejo o carro de Alejandro chegando com mais dois carro.
— Merda – ela fala nervosa – ele vai me matar.
— Ele não vai fazer nada, eu não vou deixar – ela me encara.